As mudanças ocorridas na História da Educação de Jovens e Adultos

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Escrito por Eline Dos Santos Ramos em 06/06/2012  para conclusão do curso Metodologias de Ensino para Professores de EJA

A história da Educação de Jovens e Adultos -EJA apesar de ser recente, apresenta inúmeras variações, ela está ligada às transformações ocorridas na área social, econômica e política do país. Os primeiros indícios de alfabetização de adultos datam do Brasil Colônia, com os colonizadores que instrumentalizaram a população, ensinando a ler e escrever. Nesse período, segundo CUNHA (1999) havia uma fragilidade na educação, por não ser esta responsável pela produtividade, o que acarretava descaso por parte dos dirigentes do país. Com a Revolução de 1930, o foco muda e inicia a consolidação de um sistema público de educação elementar no Brasil, criou-se então o Plano Nacional de Educação – PNE, o Fundo Nacional do Ensino Primário – FNEP, e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas – INEP. Desde então, surgiram mudanças significativas no país, como: a necessidade de mão-de-obra qualificada e alfabetizada para atender às necessidades do mercado de trabalho, isso contribuiu para a elaboração de campanhas e projetos, cujo objetivo não era apenas alfabetizar, mas profissionalizar o trabalhador.

A história da EJA no Brasil está intimamente ligada ao sistema desenvolvido na década de 1960 por Paulo Freire, com ele surge uma nova concepção de alfabetização, aonde a língua escrita vem acompanhada por um processo de construção do conhecimento, que se dá por meio de diálogos de interação entre educador e educando. Durante todo o período até Paulo Freire, as ações governamentais desenvolvidas em prol da educação, começaram a perder espaço a partir de 1990, porém as discussões e práticas educativas escolares e não-escolares se alavancaram tanto, que em 2003, o MEC anunciou que a alfabetização de jovens e adultos seria uma prioridade do novo governo federal, um ganho para educadores e educandos, uma luta merecida dos envolvidos na prática educativa.

Vale lembrar que a Educação de Jovens e Adultos, enquanto modalidade de ensino, atende a educandos-trabalhadores, e apresenta como principal finalidade e objetivo o compromisso com a formação humana e com o acesso à cultura em geral,  de modo que os alunos venham participar política e produtivamente das relações sociais, de forma consciente, através do desenvolvimento da autonomia intelectual e moral. Algo reforçado pelas idéias de KUENZER (2000), tendo em vista que a educação deve voltar-se para uma formação na qual os educandos-trabalhadores possam aprender permanentemente, refletir criticamente; agir com responsabilidade individual; participar do trabalho e da vida coletiva; comportar-se de forma solidária; acompanhar a dinamicidade das mudanças sociais; enfrentar problemas novos, construindo soluções originais com agilidade e presteza, a partir da utilização metodologicamente adequada dos conhecimentos científicos, tecnológicos e sócio-históricos.

Para tanto, existe a necessidade de acompanhamento constante dos educadores, assim como elaboração de um planejamento escolar que contemple a formação pedagógica, para que os mediadores tenham domínio das ferramentas educacionais e dos meios facilitadores do aprendizado. Tal ideia vem ao encontro com o que afirma LUCKESI (1998) sobre a prática de uma avaliação preocupada com a transformação da sociedade a favor de todos os seres humanos, se aproximando da análise de PINTO (2005), ao admitir que a educação de jovens e adultos é um processo de desdobramento da cultura em seu curso, que segue no sentido da criação de melhores condições de vida ao trabalhador.

CUNHA, Conceição Maria da. Introdução – discutindo conceitos básicos.. Brasília, SEED-MEC 1999.

KUENZER, Acácia. Ensino Médio: construindo uma proposta para os que vivem do trabalho. São Paulo: Cortez, 2000.

LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1998.

PINTO, Álvaro Vieira.  Sete lições sobre Educação de Adultos. São Paulo: Cortez, 2005.

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