A Expressão Corporal nos Processos de Interação Entre os Sujeitos

Strazzacappa & Morandi (2006, p. 42) afirmam que o corpo estaria o tempo todo em representação. Nós assumimos papéis diferentes e, consequentemente, posturas corporais diferentes de acordo com as situações que enfrentamos no nosso dia-a-dia.

Somos constantemente pequenos atores desse contínuo espetáculo que é a nossa vida. Mesmo quando acreditamos não estar representando papéis, o olhar do outro funciona como prisma e conduz nosso comportamento.

Nossa maneira de agir, de gesticular e a forma como nos movemos, como nos sentamos, entre outras, são todas atitudes adquiridas. Nossos movimentos ditos “espontâneos” são, na verdade, comportamentos aprendidos e assimilados no processo de aquisição das chamadas técnicas do corpo.

Nesse sentido, compreendemos que o corpo é a identidade de um indivíduo e com ele demonstra o seu estado de ânimo, refletindo como um espelho o que se passa no interior do indivíduo. Ele indica a intensidade de sua presença no mundo e tem memória, pois as experiências vivenciais boas ou ruins ficam nele registradas.

Assim, a utilização da expressão corporal dentro das aulas de artes nos espaços escolares, pode facilitar uma série de processos sociais entre eles aqueles que permitem a interação entre os indivíduos.

Laban (1990) afirma que a dança como composição de movimento pode ser: Comparada a linguagem oral. Assim como as palavras são formadas por letras, os movimentos são formados por elementos; assim como as orações são compostas de palavras, as frases da dança são compostas de movimento. Esta linguagem do movimento, de acordo com seu conteúdo, estimula a atividade mental de maneira semelhante, e talvez até mais complexa que a da palavra falada.

Para Howard (1984) as modificações que a música provoca em nossa vida interior, como toda a impressão exterior que age sobre as profundezas do nosso ser, significa outro tanto de ampliação, de diferenciação, de aprofundamento em nossa substância íntima, ou melhor, é no sentido próprio do termo, a causa do despertar de nossas faculdades.

Partindo de uma visão interdisciplinar, nos espaços escolares através da expressão corporal os estudantes podem aprender artes cênicas, português, história e outros conteúdos não se limitando apenas a disciplina de Educação Fìsica. Já as crianças, por exemplo, podem manifestar-se através de sua arte livre e então melhorarem os aspectos relativos á sua linguagem e capacidade de construção simbólica.

O trabalho com o corpo nos faz, antes de tudo, assumirmos como somos e a compreender e respeitar nossos limites e possibilidades. Quanto mais eu trabalho o meu corpo e sei do que sou capaz, mais eu tenho autoconfiança e sei como é importante que o outro se desenvolva. Há espaço, assim, para um ambiente de convívio saudável e enriquecedor, onde trocas são feitas, proporcionando a aprendizagem e o crescimento entre os educandos.

Camila Machado Miguel

Bagé - RS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *