A Importância do Brincar no Desenvolvimento da Criança

Ao reparar crianças brincando podemos notar que ela consegue se envolver nos mais diversos tipos de situação apenas usando a imaginação. Estudos comprovam que é no ato de brincar que a criança desenvolve diversas capacidades – sejam essas brincadeiras mais complexas ou mais simples. As brincadeiras auxiliam a criança na descoberta do mundo ao redor e na descoberta de si mesmo, como indivíduo.

Crianças – independente de sua origem, raça ou credo -, necessitam de brinquedos e brincadeiras que favoreçam o seu desenvolvimento positivamente, contribuindo para o desenvolvimento de suas habilidades motoras, coordenação grossa e fina, estruturação espaço temporal e lateralidade. É essencial que as crianças tenham a liberdade de descobrir dentro das brincadeiras.

Brincar e sua contribuição no desenvolvimento infantil 

De acordo com Braga (2017), com o desenvolvimento tecnológico dos últimos tempos, as brincadeiras infantis foram mudando, mas o prazer da criança com o brincar continua o mesmo. É essencial que os pais, responsáveis e educadores levem a sério tal ato, para que o processo de aprendizagem ocorra da forma mais efetiva possível, e também o desenvolvimento da criança como ser humano. É papel do adulto responsável orientar o processo das brincadeiras, com projetos adequados que ajudem no desenvolvimento e nas habilidades específicas de cada faixa etária.

Ressalta-se que o ato de brincar é uma importante forma de comunicação, é por meio deste ato que a criança pode reproduzir o seu cotidiano, num mundo de fantasia e imaginação. O ato de brincar possibilita o processo de aprendizagem da criança, pois facilita a construção da reflexão, da autonomia e da criatividade, estabelecendo, desta forma, uma relação estreita entre jogo e aprendizagem (FANTACHOLI, 2011).

Para Braga (2017), “a brincadeira não é o objeto em si, mas o conjunto de estratégias e habilidades que possibilitam as crianças experiências que revelam o mundo e as desenvolvem para o futuro”. Enquanto a criança brinca, ela exerce determinadas funções sociais, pois, no interior de uma brincadeira, ela acaba distinguindo vários tipos de reação grupal estimando as conseqüências agradáveis e desagradáveis que podem ocorrer.

As brincadeiras possuem um papel fundamental para o desenvolvimento biopsicossocial da criança. É durante as brincadeiras que ela se desenvolve, explora possibilidades, características de sua personalidade, fantasias, medos, desejos, criatividade e elabora o mundo exterior a partir do senso crítico e campo de visão que começa a ser definido.

A criança tem a necessidade de experimentar, ousar, tentar – se abrir para o máximo de possibilidades de maneira segura: e é isso que ocorre durante as brincadeiras (FANTACHOLI, 2011).

A socialização com outras crianças, adultos, objetos e interagir com o meio em que vive é também essencial para que esse desenvolvimento ocorra da melhor forma possível. A brincadeira individual é importante, mas interagindo com o outro a criança desenvolve seu convívio social (BRAGA, 2017).

A infância

O Referencial Curricular Nacional para a Educação (RCNE) (Brasília, 1998 apud Caldeira, 2010) descreve o modo como a infância é vista atualmente. Nele afirma-se que toda criança possui uma natureza única, que as caracterizam como indivíduos que sentem e pensam o mundo de um modo muito próprio. Sendo assim, nessa fase inerente de aprendizado, as crianças utilizam toda a sua capacidade de imaginação para exercer o lúdico, onde ela aprende a ter idéias mais expressivas e a trabalhar com hipóteses.

Para RCNE (1998) apud Caldeira (2010), o conhecimento adquirido pela criança durante o período da infância é resultado de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação. Ressalta-se que cada criança é singular e, assim, é desafio dos adultos (responsáveis e profissionais da educação infantil) reconhecerem as particularidades da mesma criança como indivíduo.

Os conhecimentos oriundos da psicologia, antropologia, sociologia, medicina, etc. são de extrema importância para auxiliar na compreensão do universo infantil, pois apontam algumas características comuns entre crianças em geral, porém, é importante salientar que elas continuam sendo únicas e devem ser observadas pelo indivíduo que são (CALDEIRA, 2010).

Com o desenvolvimento de estudos específicos a respeito, foi desenvolvido uma consciência sobre a importância das experiências da primeira infância (assunto abordado com mais propriedade a seguir). Várias políticas e programas foram criados visando promover e ampliar as condições necessárias para o exercício da cidadania das crianças, que por sua vez, passaram a ocupar um lugar de destaque na sociedade (CALDEIRA, 2010). No Brasil, a Educação Infantil é regida especialmente pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394 de 1996).

Em seu Art. 1º, a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 estabelece sobre a educação na infância:

“Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.” (Lei 9394 de 1996). 

A Lei trata a educação infantil (básica), como responsabilidade não só da família, mas também do próprio estado, visando o pleno desenvolvimento da criança, seu preparo como indivíduo sendo capaz de exercer sua cidadania plenamente e o qualificando para o trabalho, texto reafirmado pelo Art. 4º:

Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de:
I – educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada da seguinte forma:
a) pré-escola;
b) ensino fundamental;
c) ensino médio […].

Em 1990, foi criado o Estatuto da Criança e do Adolescente (regido pela Lei nº 8069 de 13 de julho de 1990), que contribuiu explicando melhor os diretos das crianças e dos adolescentes, bem como os princípios que devem nortear as políticas de atendimento em pareceria com a criação dos Conselhos da Criança e do Adolescente e dos Conselhos Tutelares. A legislação específica estabelece diretrizes políticas e os conselheiros tutelares e outros profissionais capacitados devem zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, que incluirá direito à educação (como freqüentar creches e pré-escola).

De acordo com Caldeira (2010), para muitos estudiosos a criação do Conselho da Criança e do Adolescente é vista como um grande marco no que diz respeito ao reconhecimento e valorização da infância por parte das políticas públicas. De acordo com a mesma autora, o PNE (Plano Nacional da Educação) é outro exemplo de princípio relevante para garantir o direito da criança a se desenvolver plenamente na infância, melhorando inclusive a qualidade da educação infantil. Para Caldeira (2010) a atuação do PNE incentiva os estados e municípios a elaborarem planos locais de educação dentro de sua realidade, contemplando neles a educação infantil e “ressaltando assim a importância que é dada à infância na sociedade atual”.

Fases do desenvolvimento infantil

Em síntese, será apresentado a seguir um resumo comparativo das fases de desenvolvimento da criança de acordo com três autores: Piaget, Kephart e Gallahue.

A divisão das fases da infância (no presente documento) se dará da seguinte forma (CARCERONI, 2011):

  • Primeira Infância – Dos 02 aos 06 anos
  • Segunda Infância – Dos 07 aos 10/11 anos
  • Adolescência – A partir dos 12 anos

Para melhor entendimento das idéias de cada autor de acordo com Carceroni (2010), observe o Quadro 01 a seguir:

Quadro 01: Resumo comparativo das fases de desenvolvimento da criança de acordo com Piaget, Kephart e Gallahue.

 

Piaget

Kephart

Gallahue

1ª Infância

Fase de pensamento pré-operacional:

Dos 02 aos 04 anos: Orientado pela percepção, período de comportamento auto-satisfatório para comportamento social rudimentar; Consciência de uma hierarquia conceitual, primórdios da cognição.

Dos 04 aos 06 anos: Primórdios das abstrações

 

Estágio de percepção motora:

Lateralidade; Coordenação mão-olho; Desenvolvimento de padrões motores grossos; Forma Sincrética; Forma de reconhecimento.

 

Fase de movimentos fundamentais:

Estágio inicial e Estágio elementar.

 

2ª Infância

Fase de operações concretas:

Composição aditiva, reversibilidade, associação, identidade, razão dedutiva; Relacionamentos; Classificação

 

Estágio Cognitivo Perceptivo

Fase de movimentos especializados:

Estágio de transição

 

Adolescência

Fase de operações formais:

Maturidade intelectual; Operações simbólicas; Pensamento abstrato; Pensamento intencional.

Estágio Cognitivo Perceptivo-Cognitivo

Estágio Cognitivo

 

Fase de movimentos especializados

Estágio de aplicação; Estágio de utilização.

 

Fonte: Carceroni, 2011.

É válido ressaltar que essa divisão ocorre apenas para efeito acadêmico, e os limites e nomenclaturas podem variar de autor para autor.

O brincar e a educação infantil

Segundo Navarro (2009), muito tem-se falado sobre a importância do brincar no desenvolvimento da criança; assim como fala-se sobre a presença de brincadeiras na escola, especialmente na educação infantil.

É importante entender que mudanças essenciais aconteceram em nossa sociedade – crianças em sua maioria, antigamente, freqüentavam a escola somente em meio período e tinham o restante do tempo para brincar. Hoje em dia, devido ao trabalho dos pais, muitas vezes elas começas a freqüentar creches e escolinhas muito cedo. Nesse contexto, de acordo com Navarro (2009), “o brincar e a própria infância assumem novos contornos, assim como a escola está tendo que se adaptar a essas mudanças”.

De acordo com Kishimoto (2001), a urbanização, a industrialização e os novos modos de vida fizeram com que a criança fosse “ignorada” e que a infância se findasse, transformando a criança em um precoce aprendiz.

“A criança deve aprender tudo o que conseguir, freqüentar todas as aulas que seus pais possam pagar, procurando um futuro bom, uma profissão interessante e lucrativa. Isso sem pensar naqueles que, desde muito cedo, trabalham nas ruas para ajudar no orçamento de casa. O tempo é todo preenchido em favor do futuro, e não do presente, não se pensa na infância como tempo da vida que tem suas características próprias. É necessário, é importante ser criança, ter tempo para brincar, socializar, olhar para o mundo com o olhar da criança, sem tantas pressões e responsabilidades.” (Kishimoto, 2001 apud Navarro, 2009).

Ressalta-se que, no mundo atual, cada vez mais crianças passam grande parte do seu dia na escola, assim, a própria escola deve se preocupar em oferecer atividades que respeitem a infância, além das necessidades básicas (comer, dormir, tomar banho). Brincar é um direito da criança e, para Leontiev (2006) apud Navarro (2009), ainda é a sua principal atividade, pois é a atividade que irá impulsionar a criança para outro nível de desenvolvimento.

A importância da brincadeira

É por meio das brincadeiras que as crianças descobrem o mundo, se comunicam e se inserem em um contexto social. Para Brougère (2001), apud Navarro (2009), a brincadeira é uma relação interindividual de cultura – através da brincadeira a criança explora o mundo, suas possibilidades e se insere nele da forma que ela vai aprendendo ser mais confortável, ser mais ela mesma desenvolvendo suas capacidades cognitivas, motoras e afetivas.

A fim de que o desenvolvimento da criança nas fases da infância possam ocorrer da melhor forma possível, é preciso que as instituições de ensino infantil respeitem essas pontuações e ofereçam diferentes oportunidades de aprendizagem à criança: elas devem incluir brincadeiras em seu currículo, mas não um “brincar” aleatório. As brincadeiras devem ter planejamento, materiais adequados, espaço próprio e as crianças devem ser incentivadas a participar pela professora.

Os encadeamentos do ato de brincar no desenvolvimento infantil

De acordo com o Dicionário Online de Português (2019), brincar é “divertir-se, folgar: as crianças gostam de brincar. […]”; é sinônimo de: entreter, distrair, folgar, trebelhar, divertir, galhofar e ainda recrear. O “brincar” é muito presente em nossa vida – e deveria estar presente na vida de todas as crianças para garantir o pleno desenvolvimento das mesmas.

Para Fantacholi (2011), através das brincadeiras as crianças podem desenvolver capacidades importantes como o foco/atenção, memória, a imitação, a imaginação; o desenvolvimento da criança acontece através de trocas recíprocas que se estabelecem durante sua vida.

Zanluchi (2005, p. 89)  apud Fantacholi (2011), reafirma que “quando brinca, a criança prepara-se a vida, pois é através de sua atividade lúdica que ela vai tendo contato com o mundo físico e social, bem como vai compreendendo como são e como funcionam as coisas.” Mesmo que na ficção que ela cria quando brinca, a criança durante a brincadeira entra no mundo dos adultos, assim, sua resposta para determinadas situações pode ser mais “adulta” e madura do que o esperado – é ela aprendendo e repetindo o comportamento à sua volta.

Ressalta-se que a brincadeira é essencial para o desenvolvimento infantil na medida em que a criança pode transformar e produzir novos significados. Nas situações em que a criança é incentivada, é possível observar como ela ressignifica objetos e o meio em que vive, expressando mais do seu caráter em formação e do seu próprio desenvolvimento.

O papel do professor

Durante seu tempo de atuação com a criança. “o educador precisa estar preparado para utilizar todos os tipos de brincadeiras e todos os materiais que dispõe para ter uma gama maior de estratégias a sua disposição”. (CAPUTI e BOZZO, 2007). Eles devem devem resgatar atividades de brincar de maneira global, utilizando com um antecedente da aprendizagem que virá como a alfabetização.

Quando utiliza-se jogos e brincadeiras na própria alfabetização, é sabido que as crianças se interessam mais e, por isso, tendem a aprender mais rápido.

De acordo com Caputi e Bozzo (2007),

“O êxito do processo ensino-aprendizagem depende em grande parte da interação professor-aluno, sendo que nesse relacionamento, a atividade do professor é fundamental.
O professor deve antes de tudo ser um facilitador da aprendizagem, criando condições para que as crianças explorem seus movimentos, manipulem materiais, interagem com seus companheiros e resolvam situações-problemas.” (CAPUTI E BOZZO, 2007).

A cada dia que a criança vive, são impostas à novas experiências que fazem com que ela possa aprender vivenciando aquilo novo, construindo o conhecimento a partir da leitura que ela faz da realidade em que vive. Cabe ao professor entender a realidade de cada um dos alunos, ver suas necessidades, buscar alternativas de interação e de intervenção, quando e se necessário.

É importante que o professor não faça das brincadeiras apenas uma questão de competição entre as crianças, para que elas possam desenvolver sua auto confiança, respeitando suas limitações e aprendendo suas habilidades enquanto participa das atividades (CAPUTI E BOZZO, 2007).

A brincadeira para a criança é considerada ideal quando as atividades são agradáveis, e ela não considera uma obrigação o desafio imposto pela brincadeira (CAPUTI E BOZZO, 2007).

O professor tem que ter os objetivos, metodologias, e tudo o que ele espera alcançar com a brincadeira traçado anteriormente para auxiliar no desenvolvimento das tarefas; é importante desenvolver a brincadeira do ponto de vista das crianças, pois elas pensam diferente dos adultos. Caputi e Bozzo (2007) ressaltam ainda que, “o brincar não pode ser aleatório e desprovido de regras e conteúdos, pois o brincar pelo brincar não se mantém”.

As brincadeiras pedagógicas e que estimulam a imaginação das crianças são essenciais para o processo de aprendizagem das mesmas; serão criadas situações em que as crianças desenvolverão papeis sociais essenciais tanto para a compreensão das relações afetivas que ocorrem em seu meio, como para a construção do conhecimento acadêmico em si.

Nos dias atuais, a informática exerce um papel de facilitadora ao difundir o conhecimento de maneiras acessíveis e fáceis, mas esta relação entre o usuário e a máquina distancia a relação entre as pessoas. Cada vez mais as crianças passam horas assistindo vídeos aleatórios na internet ou jogando jogos que muitas das vezes nem são apropriados para a sua faixa etária.

O professor deve exercer o papel de resgatar as brincadeiras antigas, buscar as raízes dos jogos de interação para que as crianças possam se divertir e aprender interagindo umas com as outras.

Na fase da pré-escola, a criança consegue lidar com a representação. Caputi e Bozzo (2007) afirmam que é neste momento que começam aparecer as brincadeiras envolvendo o imaginário, o faz-de-conta, onde qualquer item inanimado (como um pedaço de madeira) pode se tornar um brinquedo muito interessante para a criança (como um carrinho, um microfone, etc.); tudo depende da imaginação e da situação de brinquedo que a criança está envolvida.

Pode-se afirmar, segundo Caputi e Bozzo (2007), que “na pré-escola as crianças conseguem desenvolver melhor sua capacidade de aprendizagem com as brincadeiras e dinâmicas”.

Brincadeiras tradicionais brasileiras e suas influências

Nos anos 2000, o crescente aumento de crianças utilizando diversos tipos de mídias (através de televisão e telefones celular, tablets) fez com que cada vez menos as brincadeiras tradicionais tivesses espaço na vida dessas crianças.

De acordo com Rodrigues (2012), a origem dos jogos tradicionais é incerta, mas sabemos que eles fazem parte de nossa história.  Kishimoto (2003) apud Rodrigues (2012) afirma que:

“[…]compreender a origem e significado dos jogos tradicionais requer uma investigação das raízes folclóricas de nossa historia durante a colonização no Brasil, que com a chegada dos lusitanos, muitos costumes e tradições foram trazidos de Portugal, a arquitetura, a culinária o modo de se vestir, suas musicas, seus jogos e suas brincadeiras tradicionais como: pião, o jogo de botão, bolinhas de gude, e a amarelinha” (KISHIMOTO, 2003 apud RODRIGUES , 2012).

É essencial ressaltar-se, também, a influência de nativos (índios) e dos negros trazidos em navios negreiros nas brincadeiras tradicionais. Sabe-se que o forte vínculo desses povos com a terra e com a natureza fez com que suas brincadeiras tradicionais fossem fortemente vinculadas à vida ao ar livre.

Segundo Rodrigues (2012), é notável a influência que o Brasil sofreu de vários povos (miscigenação cultural). Cada povo contribui com um pouco de seus costumes e tradições, gerando essa mistura cultural que é característica marcante do povo brasileiro, com uma variedade de costumes e tradições, presente nas danças, no artesanato, nas brincadeiras e nos jogos tradicionais brasileiros, que surgiram da misturas entre o negro, o índio e o branco, formando assim nossa cultura popular brasileira tão rica e grandiosa, mas que precisam ser resgatada e difundida nas escolas entre nossas crianças.

Os jogos tradicionais praticados essencialmente durante a infância são uma forma especial de cultura folclórica, oposta a cultura escrita, oficial e formal. O jogo tradicional infantil é a produção espiritual do povo, acumulada através de um longo período de tempo. Esses jogos mudam no processo de esforço criativo coletivo (RODRIGUES, 2012).

As brincadeiras tradicionais praticadas pelas crianças durante o intervalo garantem a elas benéficos motores, cognitivos, afetivos, sociais, e o resgate cultural. A seguir serão apresentadas e descritas algumas dessas brincadeiras.

  • Pega-pega: De acordo com Rodrigues (2012), a origem deste jogo é indefinida, é uma atividade própria da cultura da criança que brinca sua presença entre nossas crianças e inquestionável, é a brincadeira mais popular entre os alunos do ensino fundamental I, durante o intervalo, fazendo assim parte da cultura infantil.

Seu nome varia de acordo com cada região, os nomes mais populares são “pega-pega”, “pique-pega”, e “o pegador”.

 É um jogo com características tradicionais, onde se escolhe um “pegador”, que terá como objetivo de pegar as outras crianças, às vezes o espaço é limitado, mais às vezes não á delimitação de espaço, esta regra fica por conta das crianças e do professor, assim como a escolha de quem será o primeiro pegador. Aquele que for pego passara a ser o pegador.

 Estratégias de fuga e de captura poderão ser criadas pelas crianças, como forma de melhor realizar o brinquedo. O professor pode também propor variações quanto às dimensões espaciais e as maneiras de captura e de fuga. (FREIRE, 2006 apud RODRIGUES, 2012).

Durante esta brincadeira se trabalha a cognição da criança, que trabalha diferentes habilidades como, a agilidade, velocidade, parada brusca, noção espacial, lateralidade esquema corporal, que são fundamentais para um bom desenvolvimento, além de proporcionar uma enorme satisfação para quem brinca:

Figura 01: Ilustração pega-pega.

 

 

Fonte: Google imagens, 2019.

Em termos cognitivos, esta brincadeira diz mais respeito ás relações espaciais estabelecidas pela criança, isto é, ao espaço utilizado para o brinquedo, o que implica a consideração dos seus próprios recursos motores e os dos seus colegas. (FREIRE, 2006, apud RODRIGUES, 2012).

  • Pique – esconde: Segundo Rodrigues (2012), é uma brincadeira antiga, que faz parte da cultura infantil, é também conhecida como “pira-esconde e 31(trinta e um)”.

É uma atividade que deve ser feita em grupos, onde se escolhe um que será a “mãe” ou “pegador”, a escolha fica por canta das próprias crianças que contará de 1 ate 31, ou ate um determinado numero já pré-determinado por elas.

A contagem é feita em qualquer lugar, em um muro, uma arvore, ou em uma parede qualquer, enquanto as demais pessoas se escondem, quando terminar de contar ele grita “lá vou eu”, e este terá que descobrir a onde as demais crianças se esconderam.

O objetivo de quem estar escondido é de chegar ate o local de onde a mãe estava contando, e dizer “bati”, para poder se salvar, caso a “mãe” bata primeiro este será a mãe na próxima rodada.

Este jogo exige da criança, agilidade, concentração, noção espacial, e agilidade.

Para Freire (2003) apud Rodrigues (2012), “o esconde-esconde e outras brincadeiras semelhantes podem permitir ao professor verificar o nível de desenvolvimento da criança, especialmente quanto à imagem corporal e á socialização”.

Figura 02: Ilustração pique – esconde.

 

 

Fonte: Google imagens, 2019.

  • Pique-cola: Esta brincadeira faz parte do cotidiano de muitas crianças, ela é uma espécie de variação do pega-pega, mais com algumas características próprias (RODRIGUES, 2012).

 Começa a atividade escolhendo-se que será o pegador ou “mãe”, delimita-se certo espaço para se ter um maior controle da atividade. Todos se espalham no local, o pegar dar certo tempo para que todos se organizarem, e logo em seguida ele sai atrás de seus colegas. O objetivo dessa brincadeira, é que o pegador corra atrás das crianças e deve “tocar” nelas, para que elas sejam coladas, ao serem coladas a criança não pode se deslocar ate que seja “descolada” por alguém que ainda não foi colado.

O pegador deve tentar colar todos os que brincam, o primeiro a ser colado passará a ser o pegador na próxima rodada. Essa brincadeira vai exigir da criança variações de velocidade, variedades de deslocamentos, parada brusca para pode escapar do pegador.

Para Gallahue (2005), as brincadeiras nada mais são do que “ modos básicos pelas quais as crianças tomam consciência de seu corpo e de suas capacidades motoras”. Conforme dito anteriormente, brincar também serve como um importante facilitador do crescimento cognitivo e afetivo da criança.

Figura 03: Ilustração pique – esconde.

 

 

Fonte: Google imagens, 2019.

  • Amarelinha: Segundo Rodrigues (2012), acredita-se que este jogo tenha sua origem em Portugal, e foi trazido para o Brasil pelos lusitanos durante o período da colonização. Sendo assim é um jogo tradicional, que foi passando de geração em geração e perduram ate os dias de hoje entre nossas crianças.

Esse jogo é realizado tradicionalmente com oito ou dez figuras geométricas “as casas”, em forma de retângulos e quadrados, que é desenhada no chão com giz. Joga-se executando saltos, e utiliza-se uma pedra para jogar, e cada vez que vai se avançando no jogo a pedra é lançada em uma “casa” mais a frente:

A exigência cognitiva da amarelinha não se refere apenas á ação da criança ao saltar de uma figura para a outra. Também o ato de lançar o objeto solicita coordenações motoras finas e muitos especiais, referindo-se particularmente á relação da criança com um espaço muito definido, que exige muita precisão. (FREIRE, 2006, p 128).

A amarelinha é uma das brincadeiras tradicionais mais brincadas durante o horário do intervalo das escolas, e praticado na maioria das vezes pelas meninas, mais e é uma brincadeira bastante aceita pelos meninos também que se divertem muito durante a atividade:

De acordo com Freire (2006) apud Rodrigues (2012), quando brincam de amarelinha, as crianças, principalmente quando já estão hábeis nesse jogo, executam uma quantidade enorme de saltos, aumentando sem duvida, sua força de salto, habilidade fundamental para a realização de inúmeras atividades importantes para o desenvolvimento infantil em todos os seus aspectos.

Esta brincadeira varia sua nomenclatura de acordo com cada região, onde recebe os mais diversos nomes como “macaca”, “sapata” e faz parte do dia-dia de muitas crianças, caracteriza-se como uma brincadeira popular tradicional, e proporciona a criança que brinca uma grande variedade de movimentos, e exige de quem brinca muita atenção, e ajudam no desenvolvimento cognitivo da criança, na coordenação espacial, no equilíbrio, as noções de lateralidade, atenção, as noções lógicas.

Figura 04: Ilustração amarelinha.

 

 

Fonte: Google imagens, 2019.

  • Elástico: Para Rodrigues (2012),  É uma brincadeira que ainda está presente na infância de muitas crianças, faz parte principalmente do universo feminino infantil nas escolas.

Pode ser brincado de varias maneiras, isso vai depender da imaginação da criança. Normalmente brinca-se da seguinte forma:

Figura 05: Ilustração elástico.

 

 

Fonte: Google imagens, 2019.

Dado duas voltas no elástico, prende-se aos pés de duas crianças com as pernas abertas, e quem joga primeiro, tem que saltar para dentro do elástico, e depois para fora sem pisar nele, conforme se vai passando pelas etapas, o elástico vai subindo dos pés, passa para a canela, passando para o joelho, e deste pra a coxa, e assim sucessivamente ate chegar ao “ceuzinho” que é a etapa mais difícil da brincadeira, onde se segura o elástico com as mãos em cima.

As crianças colocam suas próprias regras, na brincadeira como saltar com um pé só, ou girando, por exemplo.

As contribuições de brincar de elástico para o desenvolvimento da motricidade da criança são diversas melhoras do equilíbrio, devido às seqüências de saltos que são exigidos para a realização da tarefa, trabalhando assim as capacidades físicas como a força, resistência, e flexibilidade.

Considerações finais

Brincadeiras tradicionais ainda existem na rotina de muitas crianças devido a inserção dessas brincadeiras em sua rotina devido à sua freqüência nas escolas. Os professores contribuem diretamente para que esses jogos permaneçam presente em nossa cultura.

Ressalta-se que os jogos tradicionais proporcionam partes do desenvolvimento da criança que games online (por exemplo,) não podem garantir. Segundo Rodrigues (2012), as brincadeiras permitem que elas exercitem o corpo, gera melhor consciência corporal, melhora a motricidade, a cognição e ajuda na socialização.

Referências

BRAGA, Ana Regina Caminha. A importância de brincar para a educação. 2017. Disponível em: <http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/a-importancia-de-brincar-para-educacao/>. Acesso em 30 de janeiro de 2019.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF, dez 1996.

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF, dez 1990.

FANTACHOLI, Fabiane das Neves. O Brincar na Educação Infantil: Jogos, Brinquedos e Brincadeiras – Um Olhar Psicopedagogico. 2011. Disponível em: <http://revista.fundacaoaprender.org.br/?p=78>. Acesso em 30 de janeiro de 2019.

CALDEIRA, Laura Bianca. O conceito de infância no decorrer da história. 2010. Disponível em: <http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/Pedagogia/o_conceito_de_infancia_no_decorrer_da_historia.pdf>. Acesso em 30 de janeiro de 2019.

CARCERONI, Denise. Fases do desenvolvimento Infantil. 2011. Disponível em: <http://criandocriancas.blogspot.com/2008/06/fases-do-desenvolvimento-infantil.html>. Acesso em 31 de janeiro de 2019.

CAPUTTI, A.P.C.; BOZZO,F.E.F. 2007. O papel do professor nos jogos e brincadeiras com crianças de 5 anos. Disponível em: <http://www.unisalesiano.edu.br/encontro2007/trabalho/aceitos/PO27269318808.pdf>. Acesso em 04 de fevereiro de 2019.

DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS. Brincar. 2019. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/brincar/>. Acesso em 04 de fevereiro de 2019.

NAVARRO, Mariana Stoeterau. O brincar na educação infantil. 2009. Disponível em: <http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2009/2693_1263.pdf>. Acesso em 04 de fevereiro de 2019.

RODRIGUES, Naiana Roberta Dias. 2012. As contribuições dos jogos tradicionais para o desenvolvimento integral da criança. Disponível em: <https://www.efdeportes.com/efd168/jogos-tradicionais-para-o-desenvolvimento-integral.htm>. Acesso em 04 de fevereiro de 2019.

Sheila Beatriz Pereira de Souza

Coqueiral - MG

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