Alfabetização e Letramento: Conceitos e Usos Nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental

RESUMO

Atualmente, discussões sobre Alfabetização e Letramento são frequentes, pois ainda suscitam dúvidas em relação aos conceitos e a maneira de aplica-los em sala de aula, por isso faz-se necessário uma pesquisa sobre estes conceitos para verificar a posição dos pesquisadores em relação a estes processos bem como a forma de apresenta-los aos alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental. Nas escolas há diferentes abordagens e métodos para o ensino da leitura e da escrita nas séries iniciais do Ensino Fundamental, algumas apoiam e trabalham apenas com um olhar para a codificação e decodificação do código alfabético, e outras priorizam o Letramento em detrimento da Alfabetização. Nota-se, então, que não existe consenso entre os educadores nas práticas pedagógicas em sala de aula, o que ocasiona fracassos no ensino/aprendizagem da leitura e da escrita por parte dos estudantes. Através de uma revisão bibliográfica de artigos em meio eletrônico além de livros relacionados ao tema proposto, foi possível constatar que, para os pesquisadores estudados, o conceito de Alfabetização e Letramento tem que estar bem definido para o professor, para que não haja sobreposições destes dois processos, além disso, ficou evidente que o trabalho em conjunto da Alfabetização e do Letramento são fundamentais para um aprendizado eficiente dos alunos. Concluiu-se, portanto que, diferentes métodos pedagógicos de aprendizagem bem como o trabalho em conjunto de Alfabetização e Letramento são essenciais para tornar os alunos pensadores críticos e protagonistas dos seus conhecimentos, além de serem capazes de atuar ativamente na sociedade em que estão inseridos.

Palavras-chave: Alfabetização. Letramento. Papel do Professor.

INTRODUÇÃO

           Em uma sociedade essencialmente dominada pela linguagem, na qual deve-se ter conhecimentos sobre vários assuntos e saber explicitá-los de forma coerente é fundamental para todo cidadão se sentir parte da sociedade em que está inserido. Atualmente, o sujeito ser apenas alfabetizado já não é o suficiente para que ele se adapte e se enquadre na sociedade da qual faz parte, visto que saber codificar de decodificar o código alfabético já não é suficiente para se viver em uma sociedade dominada pela linguagem. Há necessidade de se saber ler e escrever sobre diferentes assuntos com propriedade, pois isso fará com que o cidadão seja protagonista na vida social e na comunidade em que está inserido. Ao dominar esses processos, o cidadão será capaz de participar ativamente de questões culturais, políticas, econômicas, sociais, etc.

            Conforme menciona Soares (2001),

Há, assim, uma diferença entre saber ler e escrever; ser alfabetizado, e viver na condição ou estado de quem sabe ler e escrever; ser letrado (atribuindo a essa palavra o sentido que tem literate em inglês). Ou seja: a pessoa que aprende a ler e a escrever — que se torna alfabetizada — e que passa a fazer uso da leitura e da escrita, a envolver-se nas práticas sociais de leitura e de escrita — que se torna letrada — é diferente de uma pessoa que não sabe ler e escrever — é analfabeta — ou, sabendo ler e escrever, não faz uso da leitura e da escrita — é alfabetizada, mas não é letrada, não vive no estado ou condição de quem sabe ler e escrever e pratica a leitura e a escrita (SOARES, 2001, p. 36). (grifos do autor).

            Tendo em vista que a discussão sobre Alfabetização e Letramento ainda suscita muitas dúvidas entre professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental de como eles devem trabalhar em sala de aula o processo de Alfabetização, perguntas como: qual o melhor método para um ensino eficaz e produtivo? São frequentes entre os educadores, e muitos deles acabam por confundir os conceitos sobrepondo o Letramento em relação à Alfabetização, como se fossem o mesmo processo. Sabedores de que ambos os processos são igualmente importantes na aquisição da escrita, separá-los ou dar ênfase a apenas um deles, é um grande equívoco dos educadores, mas de que forma trabalhá-los? Como decidir qual o processo mais eficaz em sala? Juntá-los ou separá-los?

            Ainda hoje, alguns livros didáticos abordam o processo de Alfabetização separado do Letramento, ou seja, isso faz com que professores tenham imensa dificuldade em escolher o método mais adequado para aplicar entre seus alunos. Além disso, saber lidar com as diferentes bagagens culturais e conhecimentos de mundo que cada aluno traz quando chega na escola é determinante no desenvolvimento das práticas pedagógicas exercidas pelo professor em sala de aula.

            Trazer essa reflexão a respeito do processo de Alfabetização e Letramento como práticas indissociáveis é proporcionar ao professor uma base de estudos técnicos para embasar suas escolhas de trabalho em sala. Fazer com que estes processos fiquem o mais claro e objetivo possíveis para os professores, é dar-lhes a oportunidade de se auxiliarem em estudos sólidos e que atendam às necessidades e anseios por respostas que fazem parte do cotidiano dos educadores a cada vez que este assunto entra em pauta.

No intuito de identificar na literatura pesquisada como os autores definem o letramento e a alfabetização, bem como sua concepção acerca do alfabetizar/letrando, além de compreender qual o papel do professor diante da prática indissociável, interdependente e simultânea da alfabetização/letramento com alunos das séries iniciais, foi realizado uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo em que foram consultadas principalmente obras e artigos de Magda Soares (2001, 2003, 2007), além de leituras de artigos de outros autores que abordam o tema apresentado neste trabalho, tais como Leda Tfouni (1995), Luiz Carlos Cagliari (1989, 1998).

Foram realizadas pesquisas tanto em meio eletrônico quanto em obras literárias impressas que abordam este tema. Neste sentido, se pretende refletir sobre os conceitos de Alfabetização e Letramento, bem como de que forma os autores tratam sobre este tema, se defendem a junção dos processos ou a separação deles. Além disso, refletir sobre o papel do professor no processo de Alfabetização e Letramento.

            Em um primeiro momento será feito uma ampla discussão sobre cada um dos processos sob a perspectiva dos autores, e num segundo momento discorrer-se-á sobre o papel do professor no processo de Alfabetização e Letramento e em seguida as considerações finais.

O QUE É ALFABETIZAÇÃO E O QUE É LETRAMENTO?

Estudos sobre Alfabetização e Letramento já há algum tempo vem sendo abordado por diversos pesquisadores, tendo em vista que se apropriar da leitura e da escrita é diferente de apenas aprender a ler e a escrever, ou seja, a compreensão deste processo por parte dos educadores torna-se indispensável para uma prática pedagógica de qualidade.

Existe a necessidade dos educadores entender o que é a Alfabetização e o que é o Letramento para que possam, em sala de aula, aplicar atividades que proporcionem ao aluno um aprendizado pleno e satisfatório na aquisição da leitura e da escrita, tornando-o, assim, um sujeito capaz de compreender o mundo, se expressar e interagir na sociedade e, com isso, sentir-se parte importante da sociedade em que está inserido. Ter a consciência de que o acesso ao plano da escrita é em sua grande parte responsabilidade da escola, implica saber lidar com as múltiplas possibilidades de uso da leitura e da escrita pelo aluno, pois conforme diz Soares (2001) é importante que o sujeito tenha,

[…] habilidades de interpretar e produzir diferentes tipos e gêneros de textos, habilidades de orientar-se pelos protocolos de leitura que marcam o texto ou de lançar mão desses protocolos, ao escrever: atitudes de inserção efetiva no mundo da escrita, tendo interesse e informações e conhecimentos, escrevendo ou lendo de forma diferenciada, segundo as circunstancias, os objetivos, o interlocutor […] (SOARES, 2001, p. 92).

É indispensável que o professor alfabetizador saiba diferenciar ambos os conceitos, pois isso facilitará no processo de ensino dos alunos, bem como entender que, apesar de serem processos distintos, trabalhar separado esses dois conceitos em sala de aula é o primeiro passo para o fracasso em tornar os alunos sujeitos protagonistas na prática social da leitura e da escrita. Além disso, a escola deve apoiar os professores quando estes levam para sala de aula atividades que façam sentido para os alunos e que de forma concreta some para a aquisição da leitura e da escrita proficientes. Fazer com que os alunos trabalhem de forma ativa nas atividades propostas, bem como proporem atividades que lhes sejam atrativas, é um caminho fundamental para o aprendizado pleno.

Seguindo essa perspectiva, a escola deve proporcionar momentos de interação entre alunos e a utilização de diferentes gêneros textuais, para que eles se habituem no contato com esses gêneros. Ademais, realizar reflexões acerca da língua, além de propor atividades que contemplem ao mesmo tempo a leitura e a produção textual através de materiais diversos que são facilmente encontrados no cotidiano como jornais, revistas, receitas, manuais, livros, cartas, mensagens eletrônicas, charges, tiras, etc. Esses momentos são importantes no processo de aprendizagem, já que ao fazer com que os alunos interajam entre si e que consigam elaborar trabalhos em conjunto, diferentes experiências são compartilhadas entre estudantes e professor. Para Cagliari (1998),

O processo de alfabetização inclui muitos fatores e, quanto mais ciente estiver o professor de como se dá o processo de aquisição de conhecimento, de como uma criança se situa em termos de desenvolvimento emocional, de como vem evoluindo a sua interação social, da natureza da realidade linguística envolvida no momento em que está acontecendo a alfabetização, mais condições terá o professor de encaminhar de forma produtiva o processo de aprendizagem (CAGLIARI, 1998, p. 89).

Seguindo nos pensamentos de Soares (2007, p. 22), “etimologicamente, o termo Alfabetização significa: levar à aquisição do alfabeto”, ou seja, ensinar a ler e a escrever. Levando em consideração o apontamento de Soares, inferimos que, o processo de Alfabetização é a apropriação do código alfabético, através de atividades disponibilizadas aos alunos no processo de aquisição da leitura e da escrita. Além disso, “em síntese: alfabetização é o processo pelo qual adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e para escrever, ou seja, o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte da ciência da escrita”. (SOARES, 2003, p. 91). 

            Analisando o que menciona Soares, depreende-se que é necessário apresentar aos alunos o sistema de escrita utilizado, ou seja, o alfabético, no qual o aluno aprenderá suas regras e que cada letra produz um som e que juntando as letras é possível a formação de palavras. Após o entendimento deste sistema e dominado o processo de leitura e de escrita, o aluno poderá ser chamado de Alfabetizado.

            Sabendo o que é a Alfabetização, é fundamental que se tenha esclarecido o que é o Letramento, segundo Soares (2001, p. 75),

O que o letramento é depende essencialmente de como a leitura e a escrita são concebidas e praticadas em determinado contexto social; letramento é um conjunto de práticas de leitura e escrita que resultam de uma concepção de o quê, como, quando e por quê ler e escrever (grifos do autor).

                É preciso repensar as práticas pedagógicas, pois para Freire (1996, p. 39), “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”, ou seja, somente quando o educador toma consciência de que é necessário manter-se atualizado nas novas perspectivas apresentadas e novas abordagens sobre o ensino da Alfabetização, ou ainda trazer as “velhas” abordagens para dentro da realidade vivida em sala de aula, é que se construirá uma base sólida e verdadeiramente produtiva do ensino. E ainda, segundo o que defende Freire (1987) o educador ciente do ensino intimidador/opressor deve tornar o processo de aprendizado não bancário e não improdutivo, ou seja,

A educação que se impõe aos que verdadeiramente se comprometem com a libertação não pode fundar-se numa compreensão dos homens como seres “vazios” a quem o mundo “encha” de conteúdos; não pode basear-se numa consciência especializada, mecanicistamente compartimentada, mas nos homens como “corpos conscientes” e na consciência como consciência intencionada ao mundo. Não pode ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas relações com o mundo (FREIRE, 1987, p. 38).

Entender que ensinar apenas o que está nas cartilhas disponibilizadas para as escolas e, além disso, trazer como exemplos situações de fala ou escrita que não condizem com a realidade vivida pelos alunos, em casa com a família, entre amigos, etc., tornará o ensino desestimulante para o aluno. Muitos dos livros didáticos trazem como exemplo para se trabalhar em sala o uso de livros literários antigos que utilizavam palavras que hoje em dia não cabem mais, palavras que não se utilizam no dia a dia (salvo em ocasiões de escrita muito elaboradas).

            O professor tendo a consciência de que o processo de aprendizagem, muitas vezes, é tido pelo aluno como algo fora de sua realidade, algo difícil de ser alcançado, é dever do educador tornar atrativa as atividades em sala, proporcionando aos estudantes diferentes maneiras de lidar com uma mesma situação de fala e de escrita ou com diferentes situações de fala e de escrita.

            Conforme diz Tfouni (1995, p. 20), “enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.” Ou seja, o indivíduo que dominar a escrita e leitura sabendo usá-las com propriedade será considerado Letrado.

Corroborando com as ideias de Tfouni, Soares (2003, p. 44) diz que, letramento é o estado ou condição de quem se envolve nas numerosas e variadas práticas sociais de leitura e de escrita. Além disso, Soares (2003, p.47), menciona a importância de se trabalhar simultaneamente a Alfabetização e Letramento dizendo que, […] o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado. (grifos do autor)

Complementando a ideia de alfabetizar letrando de Soares (2003) e evidenciando a necessidade de se compreender e diferenciar o processo de aprendizagem da leitura e da escrita, Smith menciona que,

[…] há diferenças fundamentais entre habilidades e conhecimentos empregados na leitura e aqueles empregados na escrita, assim como há diferenças consideráveis entre os processos envolvidos na aprendizagem da leitura e os envolvidos na aprendizagem da escrita (SMITH 1973, p.117 apud SOARES, 2001, p. 67-68).

Trazer essa reflexão a respeito do processo de Alfabetização e Letramento como práticas indissociáveis é proporcionar ao professor um aporte de estudos técnicos para embasar suas escolhas de trabalho em sala e, além disso, deixar claro aos educadores que, não se pode sobrepor alfabetização sobre o letramento ou vice e versa como se tem notado em práticas adotadas por alguns professores, pois ambos são igualmente importantes. Trabalhar apenas um desses conceitos em sala é prejudicar consideravelmente o processo de aprendizagem do aluno, pois conforme diz Soares (2003),

Porque alfabetização e letramento são conceitos frequentemente confundidos e sobrepostos, é importante distingui-los, ao mesmo tempo que é importante aproximá-los: a distinção é necessária porque a introdução, no campo da educação, do conceito de letramento tem ameaçado perigosamente a especificidade do processo de alfabetização; por outro lado, a aproximação é necessária porque não só o processo de alfabetização, embora distinto e específico, altera-se e reconfigura-se no quadro do conceito de letramento, como também este é dependente daquele (SOARES, 2003, p. 90).

Dessa forma, se faz fundamental apresentar os conceitos de Alfabetização e Letramento como processos diferentes, contudo, devem ser trabalhados concomitantemente, pois para muitos defensores do Letramento a simples assimilação do código alfabético não faz com que a criança desenvolva o seu intelecto, porque há necessidade de se estimular o pensamento crítico, para que o sujeito seja capaz de falar, ler e escrever sobre diferentes assuntos e atuar de forma segura na sociedade em que se insere.

Para corroborar com o que vem sendo mencionado, Soares 2001 (apud. Bhola, 1979, p. 38) diz que,

[…] não apenas o processo de aprendizagem de habilidades de leitura, escrita e cálculo, mas uma contribuição para a liberação do homem e para seu pleno desenvolvimento. Assim concebido, o letramento cria condições para a aquisição de uma consciência crítica das contradições da sociedade em que os homens vivem e dos seus objetivos; ele também estimula a iniciativa e a participação do homem na criação de projetos capazes de atuar sobre o mundo, de transformá-lo e de definir os objetivos de um autêntico desenvolvimento humano.

            Saber trabalhar de forma simultânea o processo de Alfabetização e Letramento, sem que suas diferenças sejam ignoradas, é essencial para um ensino de qualidade, conforme mostram alguns autores citados.

PAPEL DO PROFESSOR EM SALA DE AULA              

            Nos dias atuais há uma imensa preocupação em relação ao índice de reprovação dos alunos nas escolas, mas, por causa disto, o que realmente importa, que é a apropriação dos conhecimentos necessários para uma boa formação escolar, é deixado de lado.

As diferentes possibilidades que o professor tem de lidar com o processo de Alfabetização em sala, faz com que ele opte por se limitar a ensinar o código alfabético, e não se preocupar em desenvolver nos alunos motivação para o questionamento e para interpretações de quaisquer assunto ou ele trabalha juntamente com o processo de Alfabetização o processo de Letramento, o que proporciona aos alunos a possibilidade de perguntar, argumentar e questionar. 

Ensinar uma criança a ler e escrever não é simples nem fácil, pois cada aluno tem suas dificuldades e limitações. Deixar a criança à vontade no ambiente escolar, proporcionar-lhe métodos que contribuam para um aprendizado concreto e gradativo, é crucial para que os alunos atinjam os objetivos propostos pelo professor/alfabetizador.

Em uma sociedade dominada pela linguagem, o papel do professor no desenvolvimento da aprendizagem do aluno, é indispensável para que o aluno tenha conhecimento das funções sociais que envolvem o saber ler e escrever com proficiência, ou seja, saber lidar com as diferentes situações que lhes serão apresentas no dia a dia na sociedade em que está inserido.

De que maneira começar as atividades em sala, nem sempre é tarefa fácil para os professores, saber reconhecer em cada aluno suas características, quais propostas irá ministrar em sua aula, quais práticas, métodos pedagógicos são mais adequados para a turma, são decisões que se constroem ao longo do ano letivo. A cada nova atividade, um novo aprendizado tanto para o aluno quanto para o professor.

É vital que o professor alfabetizador tenha em mente seu papel essencial no processo de aprendizagem dos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, pois são os educadores que, poderão ou não, concretizar um ensino de qualidade para seus alunos. A intensa busca por conhecimento e entendimento das diferentes formas de alfabetizar e letrar, é fundamental para que o professor saiba como lidar em sala de aula o processo de Alfabetização e Letramento.

            O professor é o responsável por fazer com que os alunos se interessem pelas atividades de leitura e de escrita. Atividades como contar histórias oralmente para que posteriormente estas mesmas histórias sejam escritas de forma coletiva entre professor e alunos, é uma maneira de praticar a leitura e a escrita de forma concomitante, e também o processo de Alfabetização. Já o processo de Letramento ocorre na interação entre os alunos, na conscientização do que estão escrevendo, para quem escrevem, de que forma o texto é escrito, o que querem mostrar/defender com aquele texto.

            É sabido que o processo de leitura começa bem antes dos alunos entrarem numa sala de aula, eles já fazem leituras do mundo antes mesmo de saber ler ou escrever. Desde muito cedo as crianças são expostas a imagens, desenhos, livros com gravuras, etc., por isso que o professor tem um papel significativo nesse processo de inserção dos alunos no mundo das letras.

            A importância de, além de alfabetizar, letrar os alunos, é essencial para que eles dominem a linguagem e sejam protagonistas na vida social, pois conforme diz Soares (2001, p. 37),

Socialmente e culturalmente, a pessoa letrada já não é a mesma que era quando analfabeta ou iletrada, ela passa a ter uma outra condição social e cultural – não se trata propriamente de mudar de nível ou de classe social, cultural, mas de mudar de lugar social, seu modo de viver na sociedade, sua inserção na cultura – sua relação com os outros, com o contexto, com os bens culturais torna-se diferente. (grifos do autor).

            Muitos estudiosos que defendem o Letramento dizem que apenas a apropriação do sistema da escrita não é o suficiente para o desenvolvimento do raciocínio lógico, do intelecto do sujeito. Dessa forma, é importante que o professor trabalhe em sala de aula além do ensino do código alfabético o ensino do raciocínio aos alunos. Estimulá-los não só a ler e escrever, mas também a questionar, a duvidar, a indagar o que é lido, e não aceitar tudo o que lhes é apresentado sem antes ter sido plenamente debatido, compreendido.

            O conteúdo terá sentido para os alunos quando perceberem que ele pode ser utilizado no cotidiano, que essa prática os ajudará no convívio em sociedade e fará com que o indivíduo seja capaz de interpretar o mundo e a sociedade em que está inserido. Proporcionar aos alunos acesso aos diferentes gêneros textuais existentes, é fundamental para que o aluno esteja preparado caso seja necessário a utilização de qualquer gênero textual em determinada situação do dia a dia.

            Saber escrever um bilhete para a mãe, fazer a lista do supermercado, mandar uma cartinha para o colega de aula parabenizando-o pela passagem de seu aniversário, todas essas circunstâncias são comuns no cotidiano dos alunos, por isso a necessidade de se trabalhar textos que fazem sentido para os educandos, para que eles se apropriem tanto do código alfabético quanto das diferentes possibilidades de uso e de interpretações da linguagem. Utilizar textos fora do contexto da realidade dos alunos é estar fadado ao fracasso, pois ao não se identificarem com as atividades propostas, não terão um bom aproveitamento escolar.

            Além do já mencionado, ainda há questões como o preconceito linguístico que deve ser discutido em sala pelo professor, pois certamente em uma única sala de aula existe diferentes formas de fala, sotaques, ou seja, heterogeneidade em sala, o que futuramente refletirá na escrita e no aprendizado, bem como na vida dos alunos. Segundo Cagliari (1989, p. 82-3),

A escola também deve mostrar aos alunos que a sociedade atribui valores sociais diferentes aos diferentes modos de falar a língua e que esses valores, embora se baseiem em preconceitos e falsas interpretações do certo e do errado linguístico, têm consequências econômicas, políticas e sociais muito sérias para as pessoas.

            Soares (2001) (apud. Scribner, 1984, p. 9) ainda diz que,

A necessidade de habilidades de letramento na nossa vida diária é óbvia; no emprego, passeando pela cidade, fazendo compras, todos encontramos situações que requerem o uso da leitura ou a produção de símbolos escritos. Não é necessário apresentar justificativas para insistir que as escolas são obrigadas a desenvolver nas crianças as habilidades de letramento que as tornarão aptas a responder a estas demandas sociais cotidianas. […

            Mais uma vez é apresentado o papel fundamental do professor e da escola em garantir que os alunos tenham acesso aos diferentes níveis e usos da língua tanto oral quanto escrita, pois é cobrado diariamente estes conhecimentos básicos para um bom convívio em sociedade. Para uma prática pedagógica de qualidade e produtiva, os professores precisam estar atentos as necessidades de cada aluno, mesmo sabendo que, muitas vezes, atender um a um de seus alunos nem sempre é possível, pois as condições em sala de aula não permitem.

            Conforme diz Soares (2001, p. 74), “o letramento é considerado como responsável por produzir resultados importantes: desenvolvimento cognitivo e econômico, mobilidade social, progresso profissional, cidadania.” Ou seja, quanto mais gêneros textuais forem apresentados aos alunos, quanto mais os alunos forem expostos a diferentes tipos de textos, mais eles conseguirão se apropriar dos ensinamentos que estão sento apresentados, e ainda maior será a probabilidade desses alunos serem bem-sucedidos em sua vida profissional e social. Albuquerque e Santos (2005, p. 97) dizem que,

Propiciar aos aprendizes a vivência de práticas reais de leitura e produção de textos não é meramente trazer para a sala de aula exemplares de textos que circulam na sociedade. Ao se ler ou escrever um texto, tem-se a intenção de atender a determinada finalidade. É isso que faz com que a situação de leitura e escrita seja real e significativa. 

            Esse acesso aos diferentes gêneros textuais consiste em práticas que possibilitem o ensino em conjunto de Alfabetização e Letramento, pois segundo Soares (2001, p. 92) a união dos processos,

[…] implica habilidades várias, tais como: capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos para informar ou informar-se, para interagir com os outros, para imergir no imaginário, no estético, para ampliar conhecimentos, para seduzir ou induzir, para divertir-se, para orientar-se, para apoio à memória, para catarse…[…]

            Apresentar ao aluno diferentes modos de leitura, de interpretação, da possibilidade dele “viajar” enquanto lê ou enquanto ouve uma história lida oralmente pela professora, é proporcionar-lhe subsídios para que se torne um cidadão consciente de suas capacidades e das inúmeras possibilidades que a apropriação da leitura e da escrita oferece na vida em comunidade, tornando-se assim, um sujeito capaz de exigir seus direitos frente à sociedade.

            Deixar que o aluno construa seus conhecimentos proporcionando-lhe condições para tal é papel do professor como mediador do conhecimento, e o papel da escola é providenciar os meios necessários para que esse professor tenha condições de dar uma aula de qualidade para seus alunos. 

            Fazer apenas a codificação e decodificação do código alfabético ainda é uma prática comum em sala de aula, mas não é o suficiente para um aprendizado pleno, nem mesmo ficar apenas na utilização de cartilhas para as atividades. Mostrar aos alunos as infinitas formas em que um texto pode ser apresentado, não só na grafia das palavras, mas também como figuras que podem ser interpretadas, é fundamental para um aprendizado pleno e satisfatório.

            Ainda na ideia de Letramento, mas com base no que pode e deve ser feito em sala de aula pelo professor, Soares (2003 p. 15) menciona que, “letramento é a imersão da criança na cultura escrita, participação em experiências variadas com a leitura e a escrita, conhecer e interagir com os diferentes tipos e gêneros de material escrito”, ou seja, é preciso além de alfabetizar, letrar a criança para que ela se torne um cidadão participativo na sociedade em que está inserido. Sujeito capaz de tomar decisões e fazer discussões sobre diferentes assuntos em meio a sua comunidade ou em qualquer lugar da sociedade.

            O trabalho com música também é uma maneira de alfabetizar, pois além da interação entre alunos, também há possibilidade de diferentes tarefas como escrever a música que se ouviu, completar as frases da música. Ademais, leituras na biblioteca da escola é um excelente exercício com os alunos, pois além da escrita, gravuras podem ser mostradas para incentivar a criação de uma história. A utilização de jogos também é uma forma divertida e prazerosa para ensinar ao aluno as cores, os números, as letras do alfabeto etc. 

            Trabalhar o lúdico com as crianças, deixar que elas façam descobertas através da leitura, proporcionar que a criança construa ou desconstrua um texto, uma história, é uma das tarefas do professor. Portanto, é fundamental que o professor e a escola não deixem que os alunos saiam do ambiente escolar sem esses conhecimentos tão necessários para a formação de sujeitos competentes no uso da linguagem.

            A falta de competência do aluno, no uso da Linguagem, refleti de maneira negativa na escola, porque o aluno não será capaz de interpretar questões simples ou complexas de qualquer disciplina, seja ela de um problema de matemática, uma questão de física, uma pergunta de química, etc.

            O trabalho feito de forma coletiva e democrática entre aluno e professor, faz com que se consiga efetivar uma metodologia de trabalho coerente e que de fato colabore para o aprendizado dos alunos, pois o ensino puramente mecanizado se torna um fardo para os alunos, e isso ajuda para que se tenha cada vez mais jovens e adultos analfabetos funcionais.

METODOLOGIA

            Para a realização deste trabalho foi feita uma pesquisa bibliográfica em obras impressas que abordam o tema dessa pesquisa, bem como leituras em meio eletrônico de artigos relativos à Alfabetização e Letramento. O intuito dessa pesquisa é verificar como cada autor trata sobre este assunto e fazer uma análise entre eles. Conforme menciona Fonseca (2002),

A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites. Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto. Existem porém pesquisas científicas que se baseiam unicamente na pesquisa bibliográfica, procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura a resposta (FONSECA, 2002, p. 32).

Com o intuito de encontrar respostas para os questionamentos envolvendo o tema da pesquisa, foi escolhida a pesquisa bibliográfica para a elaboração deste trabalho, pois conforme Marconi e Lakatos (2015),

A pesquisa pode ser considerada um procedimento formal com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. Significa muito mais do que apenas procurar a verdade: é encontrar respostas para questões propostas, utilizando métodos científicos. (MARCONI E LAKATOS, 2015, p. 43).

            Para que o trabalho tenha embasamento teórico suficiente para estar bem elaborado, é necessário que diferentes obras sejam consultadas e confrontadas na hora de realizar a pesquisa, já que segundo Marconi e Lakatos (2015),

Toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes, quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregadas. […]

O processo indireto serve-se de fontes de dados coletados por outras pessoas, podendo constituir-se de material já elaborado ou não. Dessa forma, divide-se em pesquisa documental (ou de fontes primárias) e pesquisa bibliográfica (ou de fontes secundárias). (MARCONI E LAKATOS, 2015, p. 43). (grifos do autor).

Além do já mencionado, é imprescindível que fique bem definido do que trata a pesquisa bibliográfica,

A pesquisa bibliográfica trata-se de levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto. (MARCONI E LAKATOS, 2015, P. 43 e 44).

Corroborando com o mencionado por Marconi e Lakatos, Fachin (2006) diz que,

Entende-se por levantamento bibliográfico todas as obras escritas, bem como a matéria constituída por dados primários ou secundários que possam ser utilizados pelo pesquisador ou simplesmente pelo leitor. Uma das etapas da pesquisa bibliográfica é o levantamentos de livros, periódicos e demais materiais de origem escrita que servem como fonte de estudo ou leitura. (FACHIN, 2006, p. 122). (grifos do autor).

            Ao escolher este método, sabe-se que a pesquisa bibliográfica é, por excelência, uma fonte inesgotável de informações, pois auxilia na atividade intelectual e contribui para o conhecimento cultural em todas as formas do saber. (FACHIN, 2006, p. 119).

            Além do mais, pesquisas em meio eletrônico têm se tornado cada vez mais presente na vida acadêmica, já que a grande maioria dos estudantes possui acesso à internet e por ser uma ferramenta de busca muito ágil o que facilita na hora de realizar as pesquisas. Segundo Fachin (2006),

Atualmente, o uso da internet na atividade estudantil, ampliou-se de maneira entusiástica sob a forma de pesquisa e até mesmo de estudos nas diversas áreas pedagógicas, principalmente nos centros urbanos, onde o acesso aos computadores e a este tipo de informação é mais fácil. (FACHIN, 2006, p. 124).

Resumindo o que foi mencionado até o momento sobre a pesquisa bibliográfica, Fachin (2006) fala que,

A pesquisa bibliográfica conduz o estudioso a uma reflexão crítica em busca do saber, de modo a relacionar o passado com o presente, assim como o permite lançar-se ao futuro. Pode ser realizada independentemente ou como parte de outros tipos de pesquisa, ou seja, concomitantemente com outras pesquisas. Entretanto deve-se seguir um planejamento que envolve várias etapas, como levantamento bibliográfico, identificação, localização, e através de várias técnicas específicas para elaboração de fichas e fichários, entre outras. (FACHIN, 2006, p. 135).

            Inferir-se que uma pesquisa bibliográfica bem elaborada e com um aporte teórico significativo, é fundamental para que se tenha um trabalho de qualidade e relevante para a comunidade acadêmica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Tomando como base os autores mencionados neste trabalho, pôde-se perceber que ainda há muita discussão a ser realizada sobre o processo de Alfabetização e Letramento. Os autores reconhecem a especificidade de cada um dos processos e enfatizam a necessidade de se reconhecer muito bem cada um deles, mas ao mesmo tempo, trabalha-los em conjunto.

            Estudos e pesquisas sobre esses dois processos no meio acadêmico também deveria ser pauta, pois quanto mais pesquisas sólidas e quanto mais cedo os conceitos forem tomando uma forma mais concreta, mais fácil será para as escolas e professores tomarem decisões quanto aos métodos a serem utilizados.

            Estudos sobre o que é Letramento ainda é muito recente, pois somente em meados dos anos 80 é que se teve os primeiros registros dessa palavra nos livros como o de Mary Kato em 1986. E por ainda ser um conceito com traços não totalmente bem definidos é que muitas vezes se percebe interpretações erradas sobre este conceito, justamente por ainda não apresentar uma definição concreta.  Ou seja, ter bem delineado o que é Alfabetização e o que é de fato o Letramento é fundamental para que não haja um resultado inadequado na interpretação dos conceitos e seus usos.

            Uma das protagonistas nos estudos sobre Alfabetização e Letramento é Magda Soares que apresenta de forma clara sua posição em relação aos dois processos, defendendo que seus usos devem ser indissociáveis. Ao longo deste artigo foi possível constatar que não só Magda Soares, mas também outros autores mencionados, estão cientes de que para um aprendizado pleno, os processos de Alfabetização e Letramento devem ser trabalhados de forma concomitante, sem que um sobreponha o outro, tendo em vista que ambos são fundamentais para tornar os alunos protagonistas de seus conhecimentos.

            Sabendo-se que as séries iniciais são o alicerce para um aprendizado sólido, é necessário que os professores tenham um olhar mais atento aos processos que envolvem o ensino, pois é através das práticas pedagógicas realizadas pelo professor em sala de aula que se terá um ensino proficiente e eficaz. Ademais, a escola também tem um papel essencial neste processo, bem como toda sociedade que, nessa nova perspectiva de Alfabetizar/Letrando, deve contribuir para o desenvolvimento cognitivo das crianças.

            Mais estudos são necessários para que se consiga de forma concreta estabelecer um método eficiente e que contemplem ambos os processos de ensino, já que eles são fundamentais para que os alunos atinjam resultados satisfatórios. Continuar na busca por definições, respostas e um melhor entendimento sobre o processo de Alfabetização e Letramento, deve ser prioridade no trabalho do professor. Considerando-se que quanto mais se dominar um determinado assunto, mais eficaz será o resultado do trabalho desenvolvido.

            Sendo assim, conclui-se que a utilização de diferentes métodos de aprendizagem em sala de aula, em especial o emprego de diferentes atividades lúdicas bem como variados gêneros textuais, pode sim representar um ensino de qualidade se trabalhados em conjunto a Alfabetização e Letramento, pois isso fará com que os alunos se tornem cidadãos competentes no uso da linguagem.

REFERÊNCIAS

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SOARES, M. Alfabetização e letramento. 5ª ed. São Paulo: Contexto, 2007.

TFOUNI, L. V. Letramento e alfabetização. 6. ed. São Paulo: Cortez, 1995.

[1] Aluna graduada em Gestão Pública pela Uninter; graduada em Letras-Redação e Revisão de Textos pela Universidade Federal de Pelotas e Pós-graduada em Alfabetização e Letramento pela Uninter.

Suelen Aires Boettge

Pelotas - RS

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