Alongando a Vida

O quão importante é fazer alongamentos? Quais benefícios isto acarreta ao bem estar do individuo ?

O Alongamento 

É extremamente importante para a educação física brasileira conhecer os termos da área e procurar estabelecer consenso entre eles, ou pelo menos reconhecer suas diferenças nas situações apresentadas. Por exemplo, no livro “Los Estiramentos” elaborado por BLUM (1998), o termo estiramento foi traduzido de “stretching” e significa, segundo o autor, estender, flexibilidade, mobilidade, elasticidade, estirar e alongar, etc. A pluralidade de termos associados por BLUM (1998).

Alongamento não se restringe somente a uma propriedade muscular (GAJDOSIK, 2001). A natureza viscoelástica da unidade músculo-tendí-nea sugere que o alongamento deverá resultar em maior flexibilidade de uma articulação (TAYLOR, DALTON, SEABER & GARRET, 1990). Isto é reforçado por ASTRAND & RODALH (1987).

Flexibilidade

A flexibilidade apresenta várias definições, a saber: é a capacidade de realizar movimentos em certas articulações com amplitude de movimento adequada (BARBANTI, 2003); o dicionário Dorland (1999) define flexibilidade como a qualidade de ser flexível e facilmente flexionada sem tendência para se romper; segundo HEYWARD (1991), é a capacidade de uma articulação mover-se com facilidade em sua amplitude de movimento.

De acordo com CORNU, MAIETTI; LEDOUX (2003), a flexibilidade é avaliada ao testar o ângulo articular passivo (rigidez articular passiva) e o ângulo articular alcançado pela contração.

Assim, a flexibilidade é expressa e testada referente à articulação, o que gera alguma confusão na literatura. Por exemplo, a flexibilidade dos músculos isquiotibiais pode ser referida como o alcance do movimento em flexão de quadril ou extensão do joelho, porque os músculos cruzam duas articulações. Referir flexibilidade a um músculo que não cruza a articulação não permite o entendimento e a diferenciação de qual componente está causando limitação (HARVEY & CRAIG, 2000).

Os Benefícios do Alongamento

Quando uma pessoa inicia um programa de flexibilidade, os possíveis benefícios são potencialmente ilimitados. A qualidade e a quantidade desses benefícios são determinadas por dois fatores. O primeiro desses fatores corresponde aos fins do indivíduo (as metas ou objetivo). O segundo fator, os meios, são os métodos e técnicas para atingir os objetivos do indivíduo (ALTER, 1999).

Um dos grandes benefícios encontrados em um programa de flexibilidade é a obtenção do relaxamento, pois um aumento da tensão muscular pode resultar em efeitos colaterais como diminuição da percepção sensorial, aumento da pressão sanguínea, diminuição do suporte sanguíneo muscular, o que acarretará em produção elevada de resíduos tóxicos que se acumularão nas células devido à falta de oxigênio e de nutrientes, resultando em fadiga, a presença de contraturas e tensão muscular e incapacidade do músculo em absorver choques e resistir ao estresse, além de impedir a realização de vários movimentos (ALTER, 1999). A força, a frequência e a duração do alongamento devem ser especificados na prescrição de exercícios. Todos estes fatores exercem um papel ao se determinar tanto a eficiência do alongamento quanto tendência à sobrecarga e o potencial de lesões. Um alongamento eficiente alcança o comprimento do tecido mais longo. A resposta contrátil ao alongamento deve ser evitada porque isto poderia resultar em encurtamento reativo do tecido que está sendo alongado, particularmente quando aplicado o alongamento muscular.

A velocidade excessiva do encurtamento evoca resposta contrátil. Dessa forma, o conceito de segurar um alongamento prolongado suave deve ser claramente comunicado ao paciente. Um músculo é colocado em alongamento até o ponto de não sentir a dor de retesamento e é mantido neste ponto (SHANKAR, 2002).

Conclusão

Por fim, é possível comprovar o quão benéfico é o alongamento diário para o ser humano, independente do sexo e da idade que ele esteja, pois preveni lesões e alivia estress.

Referencias

ALTER, M. J. Ciência da flexibilidade. 2. ed. São Paulo: Artmed, 1999.

ANDREWS, J.;HARRELSON, G.; WILK, K. Reabilitação física das lesões desportivas. Rio deJaneiro:Guanabara Koogan, 2000.

CANAVAN, P. K. Reabilitação em medicina esportiva um guia abrangente. 1. ed. São Paulo:Manole, 2001.

CHAFFIN, D. B.; ANDERSSON G. B. J.; MARTIN B. J. Biomecânica ocupacional. Belo Horizonte: Ergo Editora LTDA, 2001.

CHAITOW, L. Técnicas neuromusculares modernas. 1. ed. São Paulo: Manole,2001.

CORMACK, D. H. Fundamentos de histologia 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1996

GRAY, M. Les Blessures du footballeur, Amphora, Paris,1980.

HALAR, E. M. ; BELL, K. R. Imobilidade alterações e efeitos fisiológicos e funcionais da inatividade nas funções corporais. IN: Tratado de medicina de Reabilitação, v.2,. Manole, SP, 2002.

HAMBERG, J.; BJORKLUND, M.; NORDGREN, B.; SAHLSTEDT, B. Stretchability of the rectus femoris muscle: investigation of validity and intratester reliability of two methods including x-ray analysis of pelvic tilt. Archives of Physical Medicine & Rehabilitation, Philadelphia, v.74, p.263-270, 1993.

HARVEY, D.; CRAIG, M. Measuring fl exibility for performance and injury prevention. In: AUSTRALIN SPORTS COMMISSION. Physiological test for elite athletes. Champaign: Human Kinetics, 2000.

HEYWARD, V. H. Design for fi tness. Minneapolis: Burgess, 1991.

HOFFMAN, M. D. SHELDAHL , KRAEMER, W. J. Exercício Terapeutico. IN: Tratado de Medicina de Reabilitação, v.2, Manole, SP, 2002.

TAYLOR, D. C.; DALTON, J. D.; SEABER, .V.; GARRET, W. E. Viscoelastic properties of muscle-tendon units. The American Journal of Sports Medicine. Baltimore, v.18, n.3, p. 300-309, 1990.

Ademir Afonso Peres

Pelotas - RS
Estudante de Terapia Ocupacional da Faculdade Federal de Pelotas/Rs , Pelotense e apaixonado pela profissão que escolhi .

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