Conceitos de Dança – História, Estilos e Metodologia

Esse trabalho é elaborado, pelo estudo de artigos e livros de dança do (Cursos Avante), e também por algumas experiências vividas por mim, como dançarino e professor de algumas academias na Cidade de Santo Antônio de Jesus – BA , vindo visar suas histórias, estilos, e suas metodologias de ensinamento. Buscando melhorar nosso trabalho e postura como professores de dança, para cada vês mais crescermos na nossa ária.

"NÃO É O RITMO NEM OS PASSOS QUE FAZEM A DANÇA,

MAIS A PAIXÃO QUE VAI NA ALMA DE QUEM DANÇA!"

(ALGUSTO BRANCO)

HISTÓRIAS DA DANÇA

DANÇAS PRIMITIVAS:

As danças primitivas eram executadas pelos homens das cavernas e seus movimentos ficaram registrados na arte rupestre, isto é, em desenhos gravados em rochas e nas paredes das cavernas.

9000 e 8000 a.c. – ERAS PALEOLÍTICA E MESOLÍTICA:

Nessa eras, a dança estava diretamente relacionada à sobrevivência, no sentido de que os homens, vivendo em tribos isoladas e se alimentando de caça e pesca e de vegetais e frutos colhidos da natureza, criavam rituais em forma de dança que impediriam eventos naturais de prejudicar essas atividades.

6500 a.c. – PERÍODO NEOLÍTICO

Nesse período, o homem deixa de ser nômade e fixa residência em um lugar deter-minado. Ele começa a plantar para comer e a criar animais para seu próprio consumo, surgindo, assim, a agricultura e a pecuária.

Os rituais e oferendas em forma de dança têm o sentido de festejar a terra e o preparo para o plantio, de celebrar a colheita de fertilidade dos rebanhos.

A identificação, pela dança, com os movimentos e as forças naturais representa uma forma de o homem se sintonizar com o ritmo da natureza, auxiliando-o na programação de suas ações.

DANÇAS MILENARES:

5000 a.c. – EGITO

Nessa época, as danças no Egito tinham um caráter sagrado e eram executadas em homenagem aos deuses. Os mais homenageados eram a deusa Hathor, da dança e da música, e o deus Bés, que é considerado o inventor da dança; a ambos era atribuído um poder sobre a fertilidade.

Muitas outras danças, sempre relacionadas aos deuses egípcios, eram executadas. Por isso são chamadas de danças divinas ou sagradas. Para o deus Amon acontecia a procissão da “barca sagrada”, na qual bailarinos acrobatas apresentavam suas proezas.

As danças apresentadas por ocasião das festas religiosas e dos funerais também eram consideradas sagradas. Existiam também as danças profanas, que aconteciam por ocasião dos banquetes em honra aos vivos ou aos mortos, e também para entregar recompensas a funcionários ou por ocasião de elevação de cargo.

2000 a.c. – ÍNDIA

Na Índia as danças têm origem na invocação a Shiva (deus da dança). Com suas danças e músicas, os hindus procuravam uma união com a natureza.

Os vários estilos de dança, sempre relacionados a deuses, tinham o mesmo princípio, o de que “o corpo inteiro deve dançar”. Por isso, as danças indianas apresentam movimentos muito elaborados de pescoço, olhos, boca, mãos, ombros e pés. Cada gestos tem um significado místico, afetivo e espiritual.

A dança indiana não vê fronteira entre a vida material e a vida espiritual, pois, para os hindus, corpo e alma não estão separados. Na Índia, a dança ainda hoje é ligada ao misticismo e a religião.

DO SÉCULO VII a.c. AO SÉCULO III a.c. – GRÉCIA

A dança na Grécia, como no Egito e na Índia, sempre integrou rituais religiosos, mesmo antes de fazer parte das manifestações teatrais. Os cidadãos gregos, que acreditavam no poder das danças mágicas, usavam máscaras e dançavam para seus inúmeros deuses.

Um das divindades gregas mais conhecidas é Dionísio, deus da fertilidade e do vinho. A dança era muito valorizada entre os gregos. Para eles, o ideal de perfeição estava na harmonia entre o corpo e espírito, que deveria aparecer em um corpo bem moldado, adquirido graças ao esporte e à dança. Segundo o filósofo Sócrates (469-399 a.c.), a dança forma um cidadão completo. Platão (428-347 a.c.) e Aristóteles (384-322 a.c.) consideravam a dança e a ginástica como uma iniciação para a luta e para a educação dos cidadãos.

DE 476 A 1453 – IDADE MÉDIA

Chamada de “idade das trevas” pelos humanistas do renascimento, a Idade Média foi, para a dança, um período contraditório. Nessa época, a igreja tornou-se autoridade constituída. Manifestações corporais foram proibidas, uma vez que a dança foi vinculada ao pecado. Os teatros foram fechados e eram usados apenas manifestações e festas religiosas. A Igreja, porém, não conseguiu interferir nas danças populares dos camponeses, que continuaram a fazer suas festas nas épocas de semeaduras e colheita e no início da primavera.

Para não afrontar a igreja, essas danças eram camufladas com a introdução de personagens como anjos e santos.

SÉCULOS XI E XII

Esse período é marcado pela peste negra e outras doenças epidêmicas que assola-ram a Europa, causando muitas mortes. As pessoas, desesperadas, dançavam freneticamente para espantar a morte. Essa dança ficou conhecida como dança macabra ou dança da morte.

A dança macabra participava da história, na maioria das vezes em frente à “boca do inferno” do cenário, como representação do castigo para remissão do pecado ou do flagelo da peste enviada por Deus.

SÉCULOS XIII E XIV

Artistas ensinavam à nobreza uma dança lenta, a basse dance, assim assim chamada por causa dos trajes pesados usados pelas castelãs, diferente das roupas usadas pelas camponesas, que lhes possibilitavam pular, rodopiar e dançar a haute dance.

Entre as danças executadas pela corte na idade média está a polonaise, originada das danças de camponeses poloneses que aconteciam na frente das igrejas e que vai ser, mais tarde, no século XIX, inserida em alguns balés.

RENASCIMENTO – SÉCULO XV E XVI

A dança se desenvolve, particularmente em Florença, na Itália, no palácio da família Médici, onde, nas festas, eram apresentados espetáculos chamados de trionfi – triunfos, que simbolizavam riqueza e poder.

1459 – Em uma festa de casamento, foi apresentado o primeiro triunfo considerado balé.

1500 – no carnaval de Veneza, foi encenado um dos triunfos mais suntuosos, no qual os dançarinos usavam máscaras bordadas com fios de ouro e pedras preciosas, leques de plumas e mantos de seda adamascada.

1548 – Nessa época, o espetáculo era uma mistura de canto, dança e poesia e constituía uma passa tempo para o rei e a corte.

1581 – O primeiro “balé da  corte”, intitulado de Le Ballet Comique de La Reine (O Balé Cômico Da Rainha – neste caso, o termo cômico deve ser entendido no  sentido de  “dramaturgia de uma comédia”), foi um grande espetáculo, que durou seis horas, com participação de carros alegóricos e efeitos cênicos.

A dança, nessa época, era quase exclusivamente masculina, mas, nesse balé, come-çou a haver a participação de algumas damas da corte, formando o que se pode chamar de primeiro corpo de baile (grupo de bailarinos que realizam movimentos iguais)  da história da dança.

SÉCULO XVII

1653 – O reio Luís XIV (1638-1715) proporciona um grande desenvolvimento para a dança. Exímio bailarino, criou vários personagens para si próprio, como deuses e heróis. Sua grande aoarição foi como “rei-Sol”, aos catorze anos de idade, no balé real A Noite.

1661 – Luís XIV fundou a Academia Royale de la Danse. A chamada “Comédia Balé” veio para substituir o “Balé da Corte”.

1669-1700 – A dança saio dos salões palacianos e chegou aos palcos dos teatros, ainda como mera coadjuvante de alguns trechos de óperas. Esses espetáculos mar-caram o início do seu desenvolvimento e de sua autonomia como arte. O movimento assinalou a presença de coreógrafos e teóricos de dança, que passaram a ensinar em academias abertas a alunos de todas as classes sociais. A exigência de uma técnica refinada para um profissional da dança fez com que Pierre Beauchamp (1636-1705), músico e coreógrafo da Academia Royale de la Musique et de la Danse, criasse as cinco posições básicas de pés para balé.

SÉCULO XVIII

O BALÉ – ARTISTAS QUE INFLUENCIARAM A DANÇA NO SÉCULO XVIII

O balé nasceu da união das acrobacias dos profissionais e da leveza e graça da dança das festas da aristocracia.

1713 –  Luís XIV criou uma companhia de dança, com vinte bailarinos, para a famosa Ópera de Paris. A vestimenta dos bailarinos também está ligada ao desenvolvimento da técnica da dança.

1726 – Marie-Anne Cupis de Camargo (1710-1770), La Camargo, grande bailarina da época, foi a primeira a ser erguida por máquinas e enriqueceu a dança com movimentos verticais.

1738 – O czar Pedro, o Grande (1672-1725), fundou a Escola Imperial Russa, no teatro Imperial Mariinski, hoje Kirov, berço de uma tradição que fez a glória do balé russo.

1760 – Jean-Georges Noverre (1727-1810) publica as famosas Lettres Sur La Danse (Cartas Sobre a Dança), um manifesto válido até hoje, no qual é defendida uma dan-ça espontânea, com roupas leves e rostos expressivos, buscando exprimir idéias ou paixões.

1786 –  Foi montado o balé La Fille Mal Gardée (A filha Mal Vigiada), seguindo fielmente as idéias de Noverre. Trata-se de um balé-pantomima, que usa muitos gestos e expressões faciais, com muita dramaticidade.

1789 – Durante a Revolução Francesa, a Dança, que era financiada pela corte francesa, parou de se desenvolver por causa de problemas econômicos. O centro de interesse passou a ser a Itália, onde o napolitano Salvatore Vigano (1769-1821) inspirou-se nos princípios de Noverre para criar seus balés.

SÉCULO XIX – BALÉ ROMÂNTICO

1820 – Carlos Blasis (1795-1878), italiano estudioso de escultura e da anatomia, escreveu Treatise on the Art of Dancing (Tratado sobre a Arte da dança), onde resumiu e codificou o que se conhecia até então sobre dança. Acrescentou à estética de Noverre uma técnica mais elaborada.

Tanto Noverre quanto Blasis declararam que é de grande importância para um bailarino conhecer a pintura e a escultura a fim de refinar sua percepção artística, para elaboração dos gestos e passos de dança.

1830 – O balé romântico se desenvolve na França e se estende por toda Europa. O balé criava um mundo de ilusão, esboçava o ideal das concepções românticas, os ideais da bailarina romântica, sublime, provocaram uma grande modificação da técnica de dança, introduzindo as sapatilhas de ponta.

Os coreógrafos enriqueceram as evoluções do corpo de baile, no qual os bailarinos dançavam movimentando-se em diversas direções no palco e não ficavam mais como molduras, que formavam figuras geométricas sem grandes deslocamentos no espaço.

ARTISTAS QUE INFLUENCIARAM A DANÇA NO SÉCULO XIX

1832 – O italiano Felipe Taglioni (1777-1871), grande mestre de balé, apresentou um balé considerado o carro-chefe do romantismo, La Sylphide (A Sílfide). As bailarinas vestiam saias brancas de tule, os chamados “tutu”, dando maior claridade e leveza à cena. A figura principal foi interpretada pela bailarina Marie Taglioni (1804-1884), filha de Felipe, primeira a usar sapatilhas de ponta inventadas por seu pai, incorporando-as naturalmente à sua dança.

A importância de Felipe Taglioni na história da dança deve-se, também, à renovação de vestuário. A segunda estrala da dança romântica foi Fanny Elssler (1810-1884), que estreou na Ópera de Paris aos 24 anos. Bailarina de grande vivacidade e muito sensual, contrastava com o estilo leve de Marie Taglioni.

A italiana Carlotta Grisi (1819-1899), outra grande bailarina desse período, fez seus primeiros estudos no Teatro Scala de Milão dirigida por Carlos Blasis.

1837 –  Carlos Blasis fundou a Academia de Dança de Milão.

1841 – O poeta e crítico da Ópera de Paris, Théophile Gautier (1811-1872), criou, especialmente para Carlotta Grisi, o balé Giselle, obra considerada o grande exemplo do balé romântico.

O BALÉ NA RÚSSIA

Na Escola Imperial de Dança do Teatro Mariinski, em São Petersburgo, grandes mestres, como o francês Maius Petipa (1818-1910) e o italiano Enrico Cecchetti (1850-1928), encontraram um campo fértil para seus ensinamentos.

Na década de 1890, Petipa montou três grandes balés sob a partitura de Piotr Llyich Tchaikowsky (1840-1893), que são remontados até hoje: A Bela Adormecida no Bosque (1890); O Quebra-Nozes (1892) e O Lago dos Cisnes (1895).

1900 – O bailarino e coreógrafo Mikhail Fokine (1880-1942) aderiu às ideias de Noverre, que defendia a fusão harmoniosa das artes: música, pintura e artes plásticas. Criou, em 1904, com música de Camille Saint Saens (1835-1921), o célebre “pas seul” – solo: A Morte do Cisne, que a bailarina Anna Pavlova (1881-1931) imortalizou.

SÉCULO XX

O século XX se anuncia como o tempo do progresso, das descobertas científicas, da rapidez, de expansão de fronteiras, da modernidade.

A dança, por participar dessa dinâmica, vai buscar novas formas, e podem ser observadas duas grandes tendências: o apego aos códigos clássicos, remanejados de acordo com o gosto da época, no balé neoclássico, e a contestação daquelas antigas propostas pela dança moderna e contemporânea.

PESQUISADORES DO CORPO QUE INFLUENCIARAM A DANÇA NO SÉCULO XX

Três pesquisadores da arte do corpo elaboraram teorias que deram base à dança moderna, Essas teorias não constituem, propriamente, a forma coreográfica, mas um trabalho de corpo e um estudo do movimento.

As pesquisas de François Delsarte influenciaram diretamente os trabalhos dos dançarinos modernos, como Isadora Duncan, Ruth St. Denis e Ted Shawn.

Émile Jaques-Dalcroze (1865-1950), músico suíço cusa pesquisa parte de uma reflexão sobre o ensino da música, Como músico, ele contastou que, para se aprender música, ficaria mais fácil se o corpo se integrasse aos movimentos rítmicos. Seu trabalho também contribuiu principalmente para o estabelecimento das funções da dança  moderna alemã.

Rudolf Laban (1879-1958), nascido na Bratislava, no então império austro-húngaro, viveu na França, Suíça e Alemanha e emigrou para a Inglaterra. Ocupou um lugar fundador na história da dança moderna e sua influência é mais direta e imediata do que a de Delsarte ou e Dalcroze.

DANÇA MODERNA:

Nesse período da história da dança, o que vai separar o clássico do moderno não é simplesmente a técnica, mas, também, o pensamento que norteou suaelaboração. Nos Estados Unidos e na Europa apareceram novos modos de dançar bastante diferentes da tradição clássica em relação aos espaços utilizados, concepção de dança e movimentos do corpo.

Duncan e Fuller fizeram sucesso principalmente na Europa. Ruth St. Denis e seu companheiro Ted Shawn (1891-1972) criam uma escola de dança na qual se formaram os primeiros grandes mestres da dança moderna nos Estados Unidos. Muitos modernos mantiveram as estruturas formais estabelecidas pelo balé clássico, porém alguns foram em direção a uma técnica de dança mais livre, ou seja, não seguindo uma determinada técnica e conquistando maior liberdade para a escolha dos movimentos.

OS PRIMEIROS MODERNOS

1880 – Löie Fuller (1862-1928) iniciou sua carreira ainda no século XIX, quando dançava em shows de revista nos Estados Unidos, sua primeira coreografia foi um espetáculo solo, Serpentine Dance (1890).

1904 – Isadora Duncan foi à Rússia e provocou grande sensação, influenciando Mikhail Fokine (1880-1942) em uma nova forma de pensar o balé. Isadora é considerada uma revolucionária, com grande ousadia, por dançar com músicas tocadas em concertos.

1915 – Ruth e Ted fundaram uma companhia de dança, a Denishawn, onde se formaram muitos dos bailarinos modernos, como Martha Graham (1894-1991) e Doris Humphrey (1895-1958).

1927- Martha Graham, discípula da escola Denishawn, afastou-se da quela escola para iniciar sua própria carreira, sendo considerada por historiadores a grande profetisa da dança moderna, pois conquistou um verdadeiro espaço coreográfico para essa modalidade de dança.

1928 – Doris Humphrey (1895-1958), companheira de escola de Graham, saiu da Denishawn School e fundou uma companhia de dança nos moldes do pensamento moderno. Humphrey teorizou o equilíbrio e o desequilíbrio do sorpo humano com quedas e recuperações.

1957 – Mary Wigman (1886-1973) produz, na escola de Berlim, a Sagração da primavera, conseguindo um grande conhecimento do público com sua violenta carga expressionista.

“BALLETS RUSSES” – COMPANHIA BALÉS RUSSOS

1909 – A companhia Balés Russos, criada e dirigida pelo empresário e mecenas Sergei Diaghilev (1872-1929), chocou os parisienses com suas cores e sons fortes e “selvagens”. Essa companhia imortalizou Vaslav Nijinski (1890-1950) como grande bailarino.

1912 – Nijinski, encorajado por Diaghilev, criou o balé, L’Aprésmidi d’un Faune ( A Tarde de um Fauno).  Outra obra polêmica criada por Nijinski foi (A Sagração da primavera) em (1913).

1914 – Eclode a Primeira Guerra Mundial. Os Balés Russos não viajam mais pelo mundo, porém continuam a produzir novas coreografias. Em (1917), é criada a obra Parade, e em (1929), Diaghlev morre em Veneza e com ele o tempo glorioso e arrojado da Companhia dos Balés Russos.

DANÇA NEOCLÁSSICA: EXPOENTE:

1920 – A bailarina e coreógrafa Marie Rambert (1888-1982) fundou em Londres sua própria companhia. Seus bailarinos e coreógrafos alimentaram o Royal Ballet, criado em 1956 por Ninette de Valois (1898-2001) para a rainha Elizabeth II.

1933 – O coreógrafo russo George Balanchine (1904-1983), que havia trabalhado com Diaghlev, viaja para os Estados Unidos e funda a Escola de Bailado Americana,que culminou no New York City Ballet (1948). Em (1948) sua primeira coreografia foi Sérénade, em (1948) seu trabalho é reconhecido com a criação do New York City Ballet, companhia oficial subvencionada pela prefeitura dessa cidade, que era alimentado com bailarinos da escola de Balanchine.

DÉCADAS DE 1940 E 1950

Na França, Roland Petit (1924) e Maurice Bejart (1927-2007) são dois grandes coreógrafos dessas décadas. Suas obras pertencem ao neoclássico, tendo em vista que nenhum deles questiona a linguagem coreográfica herdada da dança tradicional clássica. Roland Petit destacou-se por seus gostos requintado e por suas preferências pelo gestual espalhafatoso do music hall americano.

Em (1946) criou, junto com Jean Cocteau (1889-1963), com música de Beach, uma de suas mais conhecidas coreografias, Le Jeune Homme et La Mort (O jovem e a Morte), o talento de Petit foi mostrado, também, em Carmen.

1957 – Maurice Bejart reinventou A Sagração Da primavera, em (1960) , sua coreografia para Bolero De Ravel, onde o papel principal é de uma bailarina, rodeada por homens, foi um grande sucesso.

DÉCADA DE 1960

Na Alemanha do pós-Segunda Guerra Mundial, as cidades destruídas pelos bombardeios começavam a reconstruir seus teatros e uma atividade coreográfica se desenvolve, ao mesmo tempo em que surge o chamado “milagre econômico alemão”. Em (1961) para a modernização do balé na Alemanha são recrutados coreógrafos de outros países, como o africano radicalizado na Inglaterra John Cranko (1927-1973), que toma a direção do Balé de Stuttgart.

TRANSIÇÃO PARA DANÇA CONTEMPORÂNEA

DÉCADAS DE 1940/50 – Alguns coreógrafos passam a questionar os modos de se construir a dança, criando uma verdadeira revolução no mundo d dança moderna, na fronteira entre a dança moderna e a contemporânea está o coreógrafo e bailarino Merce Cunningham.

Cunningham buscou novas fórmulas e com seus parceiros, o compositor John Cage, uma das mais interessantes figuras do mundo da música contemporânea, e o artista plástico Robert Rauchenberg, um dos expoentes da pop-art, constrói uma nova estética para a dança, lançando os princípios da dança contemporânea.

DANÇA CONTEMPORÂNEA:

A dança contemporânea não impõe modelos rígidos; os corpos dos artistas não têm um padrão preestabelecidos, bem com os tipos físicos. São gordos, magros, altos, baixos e de diferentes etnias. A maioria desses trabalhos incorpora novos movimentos e não mais os movimentos convencionais do balé ou das técnicas de dança moderna.

Surge um novo estilo, fora dos parâmetros antigos nos quais acontecimentos se sucedem linearmente, agora a narrativa é fragmentada.

DÉCADA DE 1960

As ideias de Cunningham e de Cage exercem grande influência na revolução que ocorreu nas artes em geral em Nova Iorque e principalmente na dança, com o grupo do Judson Dance Theater.

DÉCADA DE 1970

A febre da dança contemporânea foi se alastrando e marcou o começo de um grande intercâmbio entre os bailarinos e coreógrafos franceses e estadunidenses. A coreografia contemporânea francesa costuma revelar um interesse na conexão com a literatura ou o cinema.

1973 – A bailarina Pina Bausch, nascida na Alemanha e considerada um expoente na dança-teatro contemporânea, torna-se direitora do Balé da Ópera de Wuppertal. Seu trabalho chama-se Tanztheater (dança-teatro), movimento que se origina na época de Rudolf Laban e Kurt Joss, que foi um dos mestre de Pina.

As obras de Pina Bausch mostram, por exemplo, pessoas comuns andando nas ruas, pois treinamento, repetido à exaustão, faz parecer que os movimentos são “naturais”. Em 2001, criou Água, repleta de referências ao Brasil, ao mesmo tempo exaltando e criticando os clichês (estereótipos, padrões, caricaturas) de nosso país: “as belezas naturais”; “o povo brasileiro”, “o samba”.

1978 – Foi criado, em Angers, na França, o Centre National de Danse Contemporaine (CNDC), importante centro de referência mundial.

DÉCADA DE 1980

1980 – Formou-se um novo grupo de pesquisa coreográfica na Ópera de Paris, do qual participaram os estrangeiros Karole Armitage, Lucinda Childs, David Gordon e Paul Taylor, e os franceses Dominique Bagouet, Jean-Christopher Paré, Jaques Garnier e Jean Guizerix.

1980 – A coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker faz uso de procedimentos minimalistas em suas coreografias.

1981 – A bailarina Maguy Marin cria a coreografia May B, com diálogos e testos apresentados durante a dança e inspirada em peças do teatrólogo Samuel Backett.

1983 – A coreografia Rosas danst Rosas marcou o início da companhia Rosas, dirigida por Keersmaeker, que, em sua composição, além da estrutura minimalista, utilizou técnicas de espirais, dando maior vigor e velocidade aos movimentos dos bailarinhos.

DANÇAS URBANAS E SEUS ESTILOS

Street Dance é um rótulo que os americanos criaram para identificar os estilos de dança que surgiram nos guetos e centros urbanos. Muito pensam que Street Dance é um único estilo de dança, mas na verdade é apenas um termo que engloba vários estilos de dança. A primeira vez que o termo surgiu foi nos anos 30 com o surgimento do Tap Americano (Sapateado).

Os negros americanos, influenciados pelo sapateado clássico Irlandês, criaram uma dança nova com a técnica percussiva dos sons dos pés somada a estrutura e movimentação corporal das danças africanas, uma vez que estas eram sua herança cultural. Por ser uma dança Urbana e que não tinha mais relação com o clássico deram o rótulo de Street Dance.

Depois do Tap se estabilizar na América e se tornar uma dança popular entre anos 30 e 60 nada de novo apareceu e o  termo Street Dance ficou em desuso. Somente em 69 esse termo ressurgiu quando Don Campbellock criou a dança Locking. Em seguida nos anos 70 várias outras danças surgiram nos Estados Unidos com a mesma origem, uma dança Urbana e popular.

Apesar de Street em português significar "rua", para os americanos ela não tem exatamente essa conotação, porque, neste caso, Street Dance significa "Dança Urbana do Povo" que não veio acadêmico. Não quer dizer exatamente que ela foi inventada ou dançada nas Ruas.

Entre os estilos de dança urbana, apenas o B. Boying foi criado exatamente nas ruas, durante as Block Partys (testas de rua), que deram origem à Cultura Hip Hop. Os demais estilos de dança tiveram diferentes ambientes para sua criação como Clubs (danceterias), programas de TV, concurso de talentos estudantis etc.. É das ruas porque veio de pessoas que vivem nas cidades.

Nos dias de hoje quando se diz Street Dance ou Dança Urbana Americana você entende por:
Locking, Wacking/Punking, Vogue, Up Rocking, Popping, Waving, Scare Crow, Animation, King Tut, Boogalooing, B. Boying, Hip Hop Freestyle, House Dance, etc.

ESTILOS DE DANÇAS URBANAS:

LOCKING – (Originalmente conhecido como Campbellocking) é um estilo de dança funk e street dance, que hoje é também associado ao hip hop. Baseia-se em movimentos rápidos e distintos de braço e mão combinado com movimentos mais relaxados de quadris e pernas. Os movimentos são geralmente amplos e exagerados, frequentemente rítmicos e muito bem sincronizados com a música. Locking é uma actuação muito virada para o espectáculo, sempre interagindo com a plateia, sorrindo… alguns movimentos são bastante cómicos por natureza.

O nome é baseado no conceito de “bloquear” os movimentos, o que significa que existe um congelamento de um movimento rápido e “bloqueio” em uma determinada posição, mantendo essa posição por alguns instantes e depois continuar na mesma velocidade de antes. Um Locker é um dançarino de Locking. Lockers normalmente vestem-se com um estilo próprio, como roupas coloridas com listas e suspensórios.

O início do Locking pode ser atribuído a um homem, Don Campbell. No final dos anos 60, ele uniu várias danças da moda acrescentando movimentos próprios (nomeadamente o “Lock”) quando actuava. O verdadeiro Lock foi criado por acidente: Don Campbell não sabia fazer um movimento chamado de “Robot Shuffle” e parou num ponto específico. Ele não foi capaz de realizá-lo fluentemente, pois ele não se conseguia lembrar qual o passo que devia tomar. A tal paragem tornou-se popular e Don adicionou-a nas suas actuações. A dança resultante foi chamada Campbellocking, que mais tarde foi encurtado para Locking. No início dos anos 70 surgiram um conjunto Grupos de Locking, nomeadamente o grupo de Campbell – The Lockers.

POPPING – É um estilo dentro das danças urbanas, e um dos estilos de dança funk original, criada na cidade de Fresno, Califórnia, em 1970 por Sam Solomon (Boogaloo Sam) . É baseado na técnica de rapidamente contrair e relaxar os músculos para causar um empurrão no corpo do dançarino, referido como um pop ou uma batida. Isto é feito continuamente ao ritmo de uma música em conjunto com vários movimentos e poses.

Sam, nascido em Fresno, pequena cidade da Califórnia (E.U. A.) foi o responsável pela criação do estilo Popping. O dançarino possuía, no início dos anos 70, seu grupo de Locking, quando em meados de 75 passou a criar seu estilo próprio, e seu grupo, antes chamado de Electronic Boogaloo Lockers, tornou-se Electric Boogaloos. O passo do popping mais conhecido do mundo (segundo algumas pesquisas), o Backslide, que Michael Jackson popularizou e que a mídia divulgou com o nome errado de Moonwalk (outro passo do Popping).
O Boogalooing: criado também por Boogaloo Sam é caracterizado principalmente pela liderança de calcanhares, joelhos, quadris, sendo seguidos por tronco, pescoço, sempre utilizando movimentos circulares. O Waving: movimentos ondulados contínuos por todo o corpo.

BREAKDANCE – As primeiras manifestações surgiram na época da grande crise econômica dos EUA, em 1929, quando os músicos e dançarinos que trabalhavam nos cabarés ficaram desempregados e foram para as ruas fazerem os seus shows. O Break dance foi uma dança inventada pelos porto-riquenhos, através da qual expressavam sua insatisfação com a política e a guerra do Vietnam. Tinha inspiração entre outras coisas, em movimentos de artes marciais, como o Kung Fu, por exemplo.

O Breakdance espalhou-se entre as gangues de Nova Iorque, que por volta do final da década de 60, respondiam à opressão social com violência brutal (era comum o confronto armado). Por tradição norte-americana os grupos étnicos não se misturavam, daí existirem gangues hispânicos e gangues negros. Nos anos 80, o breakdancing foi a expressão de um fenômeno mundial.

Destacaram-se grupos como os Rock Steady Crew, os Dynamic Rockers ou os NYC Breakers, nomeadamente através de filmes como por exemplo "Flashdance"(1983) ou "Beatstreet" (1984). O Breakdance é executado através de gestos bruscos e por vezes acrobáticos, dos quais se destacam os movimentos ondulatórios do corpo, a rotação do corpo apoiado apenas na cabeça ou nas costas, os movimentos das pernas tipo moinho de vento ou o arrastamento dos pés.

KRUMPING – O Krumping, conhecido inicialmente como Clown Dancing ou Clowning (a dança do palhaço), que mais tarde se torna um estilo de Krump, o Krump Clown, é marcado por movimentos de estilo livre e expressivos e o uso de pinturas faciais.

Seu primeiro representante foi Thomas Johnson, um ex-traficante, que ficou conhecido como Tommy, o Palhaço (Tommy the Clown). O estilo se originou em 1992, mais precisamente no bairro de South Central em Los Angeles na Califórnia, numa época em que muitos motins ocorriam nas ruas e também uma onda de violência atacava a cidade! A partir daí, Tommy utilizava a dança para animar festas de aniversário. Logo começou a ter fãs que o seguiam e rapidamente o movimento se espalhou por toda a Califórnia. O estilo tornou-se amplamente conhecido com o lançamento do documentário Rize, de autoria do fotógrafo David LaChapelle, em 2005. E sem contar na expansão do estilo Buck Style, criado por Ceasare la ron Willis, que se auto denomeia Tight Eyez, que aprimorou e modificou os movimentos de Tommy the Clown, formando assim o novo estilo.

O Krump geralmente é apresentado em competições. Sua característica é ser não-violento, apesar de rápido e de incluir contato físico entre os dançarinos em movimentos agressivos que lembram uma luta real. Além disso, é uma dança tolerante, onde homens, mulheres, obesos e crianças são aceitos igualmente.

O Krump não é muito conhecido no Brasil, porém existem muitos dançarinos conhecidos no mundo do krump. Marlon dos Santos Marques Barreto (conhecido como marlon-x), Guilherme de souza (conhecido como Neguinho) e Marcelo (conhecido como Celo – Aka the god) são exemplos.

WAACKING/PUNKING – Waacking surgiu originalmente no ano de 1971 no underground gays club de Nova York mas a cultura da dança nasceu em Los Angeles, um estilo de dança vertical que se desenvolveu na Costa Oeste nos anos Soul Train, com a interpretação gay do locking. É uma eletrizante forma de dança,com enfase em movimentos complexos e altamente dinâmicos dos braços e mãos que se assemelham a implantação de Locking no pulso, mas mais exagerado e prolongado e ressaltam sensualidade e força ao mesmo tempo.

Este estilo de dança também incorpora angular afiada poses, que é chamado Vogueing, um estilo comumente feito em conjunto com wacking. Waacking é mais freqüentemente feita por homen e mulheres e agora ele pode ser dançado com um leque de gêneros musicais da casa de Hip Hop. Este estilo de dança também é comumente incorporado em conjunto com outras formas de dança, tais como Locking e House.Apesar de ganhar popularidade apenas nos últimos anos, waacking estabeleceu mundialmente como uma forma de dança urbana.

É divertido, cool, enérgico e adequado para qualquer entusiasta de dança que quer tentar algo novo. Estilo criado dentro dos conceitos do Locking, ou seja, não tem como você separar essas danças. Locking é praticamente o "pai" do waacking,é necessário saber muito de locking pra entender e se aprofundar no waacking, é o mesmo que Waving dentro do universo do Popping, ou Lofting Dentro do House Dance.

Waacking é uma versão gay do Locking, pode parecer engraçado mas é o que aconteceu, uma comunidade gay desenvolveu o estilo dentro dos conceitos do Locking,depois as mulheres e até mesmo dos membros dos The Locker's aderiram o estilo, como Shabba Doo por exemplo. Shabba Doo foi quem ensinou Lollipop sobre Waacking/Punking, e hoje ela é ainda o maior nome desses estilos, Punking começou com um tipo de brincadeira onde as pessoas gostavam nos Clubes de imitar os casais brigando então,nesse caso Punk vem de bater de espancar.

No início as pessoas dançavam juntas para sempre imitar os casais brigando sem se tocar mas depois de um tempo começou a se dançar separado, então foi quando o Waacking se misturou. Sendo se, assim quando se faz os passos dando socos em cima da cabeça ou no ar, etc .. Isso é Punking, mas não se esqueça que Punking anda junto e que também nem todos os movimentos são Waacking. As duas danças se tornaram uma só.

FUNK STYLES – Funk Styles ou Funk Dances é o nome utilizado para definir as danças de rua, mais especificamente as street dances criadas na costa oeste dos Estados Unidos da América.

O criador desse termo foi Popin Pete, membro do grupo Electric Boogaloos. Em uma entrevista para uma revista, em 1996, ele utilizou esse termo para separar essas danças do movimento hip hop, onde originalmente elas não nasceram. A mídia foi a ferramenta de desinformação, e divulgava, na época, que tudo havia surgido do hip hop, originário da costa leste dos EUA.

RAGGA JAM – Ragga Jam nasceu Com Laure se interessando pelo ragga e investigação as referências: Chaka Demus and Pliers, Shabba Ranks. Desenvolvendo suas próprias coreografias para as músicas ragga. Adapta os movimentos do modern e jazz à este ritmo, há os movimentos do hip hop e as danças africanas.
O Ragga (uma dança de rua afro-jamaicana extraída no Reggae, seguidamente misturado ao Hip Hop) o Jam (mistura de diferentes movimentos que vão do Afro-Ragga ao Hip-Hop, enriquecido por atitudes jazz), o Ragga Jam da mesma maneira que o Hip-Hop, esta nova técnica de expressão corporal, famosa a cultura e o espírito da rua.

Porém o Ragga nasceu sob o sol das ilhas. Com ao final, uma mensagem de esperança, que dá ao Ragga um aspecto mais caloroso, sensual e feliz, a primeira dança urbana acessível todas as mulheres. Laure quis uma dança destinada em primeiro lugar às mulheres (adaptado seguidamente para os homens, numerosos a apresentar-se aos seus cursos de Ragga Jam) ela codificou-o e adaptou para celebrar a cultura e o movimento ragga. As suas características: sensualidade, atitudes, readaptação de certos movimentos hip hop enriquecidos de atitudes Ragga.

HOUSE DANCE – House Dance é uma fusão da era pós-disco. Um monte de seus movimentos e que teve lugar em certos lugares-chave, o Jack e um número de clubes depois disso. Era uma dança baseada na comunidade tão pontos vocais foram cercado pela música e dj, mas muitos dos bailarinos que não estavam à procura de criar, acabou se tornando uma parte desse vocabulário da dança.

A principal fonte na casa movimento da dança steams diretamente da música e os elementos dentro da música, tais como Jazz, Africano, Latin, Soul, R & B, Funk, Hip Hop, etc A outra fonte é o povo, os indivíduos e suas características, etnias, origem, etc. Você tem pessoas de todas as esferas da vida festejando sob o mesmo teto. Assim, você tem a troca de informações (linguagem corporal) casa de dança é uma dança social antes destas competições.

Na dança casa há uma ênfase nos ritmos sutis e riffs da música, e o footwork os segue de perto. Esta é uma das principais características que distingue a dança house dance que foi feito para disco antes de casa e saiu dançando atual que é feito para música eletrônica como parte da cultura rave.

Principais contribuintes para a cena de dança casa em Nova York incluem Ejoe Wilson, Brian "Footwork" Green, Tony McGregor, Marjory Smarth, Lojas Caleaf, "Brooklyn" Terry Wright, Shannon Mabra, Tony "Sekou" Williams, Shannon Selby (aka Shan S) , Voodoo Ray, Chris Sawyer, e muitos outros. Alguns noteables antes deles como o Bravo, Kris Karate, Archie Burnett, bem como Lofters incontáveis ??e chefes de garagem que dançavam em locais como Paradise Garage, Studio 54 e The Loft.

KIZOMBA – A Kizomba, enquanto dança, é uma evolução da umbigada da Massemba, em que os casais se abraçam para acompanhar o compasso das músicas mais lentas e cadenciadas. Com a modernização e o contacto dos angolanos com a cultura portuguesa e o exterior, sobretudo os viajados marítimos angolanos que traziam discos de música estrangeira, nos anos cinquenta, a sociedade luandense tornou-se permeável à absorção dos ritmos vindos de fora: G.V., tango, merengue e baladas da Música Popular Brasileira, responsáveis pela aproximação dos casais na dança, dando origem às famosas passadas, que teve grandes expoentes: Mateus Pelé do Zangado, João Cometa, Joana Pernambuco, Adão Simão, entre outros exímios dançarinos.

Com o encerramento das principais gravadoras, depois da independência de Angola, em 1975, o “zouk” acabou por dominar as festas (kizomba), e parte substancial das emissões musicais das estações radiofónicas de Luanda.
Encontro rítmico do semba com o zouk, o género kizomba acabou por dominar o gosto dos jovens, nos anos 80.

Embora tributário das técnicas de construção textual de Paulo Flores e dos préstimos, a nível dos sintetizadores, de Ruca Van-Dúnem, Eduardo Paím é considerado um dos fundadores do género kizomba.

Não se deixa aqui de referir que os projectos musicais Kijila I, II e III, resultantes do reencontro de Eduardo Paim, em Portugal, com Ruca Van-Dúnem , Ricardo Abreu e Luandino, podem ser considerados um marco importante na formação da estrutura rítmica do género kizomba.

METODOLOGIA DE ENSINO

TÉCNICA E CRIATIVIDADE:

A busca pela estética e pela perfeição técnica faz com que a dança perca o seu sentido expressivo e passe a ser a pura mecânica de execução de movimentos, destruindo a liberdade na dança e limitando as capacidades imaginativas e criativas dos alunos. Alguns profissionais propõem um ensino de dança baseado na reflexividade, no qual o corpo é visto como uma rica fonte de conhecimento e que, quando não objetificado, pode ser o lugar para reflexão crítica, propondo desvincular a rigidez técnica em busca de uma libertação na dança e de um respeito à diversidade dos corpos.

O ensino deve sempre buscar o desenvolvimento da criatividade e expressividade, almejando uma maior proximidade entre educação e dança. As aulas de técnicas de dança são extrema-mente valorizadas e os estilos trabalhados seguem técnicas codificadas e sistematizadas.

Os bailarinos buscam cada vez mais a perfeição técnica. O corpo tornou-se um instrumento a ser controlado e dominado, buscando sempre superar os limites físicos. Na maioria das aulas de dança, principalmente técnica, os alunos devem executar sequências de movimentos criadas pelos professores ou coreógrafos e que têm como objetivo chegar a uma forma estética de acordo com o método trabalhado.

Essa busca pela estética e pela perfeição técnica faz com que a dança perca o seu sentido expressivo e passe a ser a pura mecânica de execução de movimentos. O ensino de técnica destrói a liberdade na dança e limita as capacidades imaginativas e criativas dos alunos. Diante desse quadro, alguns profissionais propõem um ensino de dança no qual o corpo é visto como uma rica fonte de conhecimento e que, quando não objetificado, pode ser o lugar para aa reflexão crítica.

A ideia não afasta o ensino da técnica, porém passa-se a pensar a dança valorizando as experiências pessoais e o processo criativo aliado ao fato de o corpo estar modelado pela sociedade na qual ele está inserido. Os pesquisadores dessa área afirmam que esse tipo de ensino possibilita o enriquecimento das qualidades críticas, criativas e morais dos alunos.

Para a Lei de Diretrizes e Bases n. 9394/96, a Arte é reconhecida como disciplina escolar. O papel da arte e da dança nas escolas seria justamente o de possibilitar a transformação continua da existência, mudar referências, proporcionar novos e múltiplos olhares sobre o mundo.

Entendemos como fundamental abordar o que Sadalla et al. (2000) definem como “sabedoria docente”, que é a junção de todos os conhecimentos adquiridos pelo professor durante a sua vida, portadora de crenças, concepções, ideias, modos de ação, procedimentos e hábitos, é que justificam as ações.

CONCEPÇÃO DE ENSINO:

Como já foi apontado inicialmente, a maioria dos cursos de dança tem preservado uma visão tecnicista do ensino, onde corpo é visto como objeto e a execução dos movimentos está vinculada a uma perfeição técnica e estética.

Acredita-se que não é necessário ensinar sequencias de passos prontos criadas pelos próprios professores, mas, sim, partir da movimentação dos alunos. Porém, pudemos perceber que, a maioria demonstra que o ensino de dança deve unir conhecimento técnico e expressividade.

A dança deve unir os dois aspectos míticos: apolíneo e dionísico, ou seja, a dança deve trabalhar a sensibilidade, a expressão e suas possibilidades de ampliação e a comunicação corporal para a livre flutuação das emoções; ao mesmo tempo em que não se afasta da técnica e de conteúdos formais. A dança libera o aspecto lúdico, a alegria, o prazer, a imaginação criadora, fatores que dão consciência às vivências corporais.

É importante ressaltar que nem sempre o trabalho técnico está sendo identificado. Cabe ao professor saber a necessidade e a estratégia para utilizá-lo, a execução de sequencias de passos é proporcionar o conhecimento de mais uma possibilidade de movimento, não apenas aqueles criados pelos próprios alunos. É necessário que os alunos tenham o corpo tecnicamente preparado para que eles possam executar os movimentos que quiserem e consigam, assim, se expressar, as sequencias de passos devem promover o desafio ao aluno.

Justifica-se de que o trabalho técnico proporciona ao aluno trabalhar a concentração e atenção para o movimento. Além disso é importante que os alunos conheçam algumas técnicas, isso não significa que eles tenham que executar os movimentos com uma perfeição técnica, mas sim conhecer e vivenciar algum tipo de vocabulário no corpo.

Entretanto, sendo o aluno um profissional da dança, é necessário que ele saiba reproduzir movimentos, pois essa deve ser uma das competências do bailarino. É preciso lidar com o ensino de técnicas, sem impedir o aflorar da criatividade e da expressividade, pois o excesso de técnicas pode fazer com que fiquem esquecidos “os pensamentos, as necessidades e os sentimentos das pessoas, o que pode ocasionar-lhes uma falta de sentido para continuar dançando”.

O conteúdo centrado na realidade e no contexto dos alunos deve ser transformado pelo professor de forma consciente e problematizadora para que o aluno entenda a dança como um processo individual, coletivo e social no qual todos podem produzir saberes e conhecimentos.

O relacionamento professor-aluno é fundamental no processo ensino-aprendizagem. Nesta interação, é importante que o professor trabalhe tentando contagiar os alunos par o conhecimento, a dança é um conhecimento tão importante quanto qualquer outro conhecimento presente na escola.

O objetivo do ensino de dança na escola é o aluno vivenciar a dança como arte. Então, as atividades de dança devem ser trabalhadas com o foco na expressividade dos alunos por meio do corpo, o professor não deve se prender a perfeição técnica dos movimentos, mas sim, estimular a subjetividade da dança.

O trabalho com estilos e técnicas devem ter por objetivo levar a pessoa a tomar consciência de sua própria potencialidade. Para atingir esse objetivo, o professor de dança deve observar e preservar as potencialidades dos alunos. É necessário que o professor observe a realidade corporal dos alunos, e trabalhe com as linguagens das crianças, permeando com o conteúdo que ele quer abordar. As aulas de dança nas escolas também tendem a se resumir em ensaios de coreografias para mostrar nos eventos da escola.

CONCEPÇÃO DE TRABALHO COM O CORPO:                                                                            

Ao longo da história da dança, foram estabelecidas regras rígidas com relação à estética corporal dos profissionais da área. Há um biótipo físico que deve ser seguido. Ás bailarinas clássicas exigia-se, como exige até hoje um corpo magro (até mesmo esquelético), longilíneo, sem muitas curvas que denunciassem a mulher dentro do tutu. As exigências aos profissionais passaram a fazer parte do discurso de todos os que atuam na ária, em estilos e linguagens de dança diferentes. Em uma sala de aula, pouco importa quem queira dançar profissionalmente, as meninas que ali estão, têm de ser brancas, magras, de quadris estreitos e coxas finas.

Não há uma exigência quanto a um tipo físico ideal, é importante ressaltar que existem modelos de corpo ideal, porém, o tipo físico não é um pré-requisito para a dança. Isso porque quando observamos o corpo no contexto da dança, podemos perceber diferentes valores da cultura de onde ele provém. Isso mostra que além das diferentes histórias de vida, o corpo, está marcado por um contexto social.

Na tradição ocidental, o corpo na dança é discutido em termos de tamanho, forma, técnica, flexibilidade e sua vida orgânica. Um objeto biológico e fisiológico. Ao contrário, venho propondo uma visão de corpo, primeiro como um objeto marcado pelos valores e significados culturais da nossa época, um veículo de compreensão da opressão, da resistência e da liberação.

As histórias, as experiências e valores dos alunos passam a ser o foco para o ensino. O corpo passa a ser o lugar para a reflexão crítica na medida em que recebe do ambiente diferentes sentidos significados e os devolvem ao mundo recriados e transformados.

A interação dos alunos nas atividades das aulas de dança ensina a expressão e a comunicação de diferentes corpos e propicia a aceitação e valorização da diversidade.

 

Everton Souza Vilas Boas

Santo Antônio de Jesus - BA

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