Constelação Familiar, Terapia da Aceitação, do Perdão e do Amor

A vida humana tem por base os relacionamentos, sejam no âmbito familiar, de amizade, trabalho ou social. Por conta disso, os maiores sofrimentos vivenciados pelos seres humanos resultam dos relacionamentos, muitas vezes levando indivíduos, famílias a uma vida inteira de dores, desajustes e grandes dissabores, em razão de desentendimentos, especialmente, entre marido e mulher, pais e filhos, entre irmão e aí vai…

Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão, através dos seus estudos trouxe a luz e solução a estes problemas, na maioria das vezes dramáticos e que atinge toda a humanidade, estruturando a terapia da Constelação Familiar.

Assim, a luz se faz quando o Terapeuta (Bert Hellinger) esclarece as leis, as quais os relacionamentos estão sujeitos dentro dos grupos de convivência, especialmente no âmbito familiar, suas responsabilidades e consequências. Esclarece que o emaranhado, na maioria das vezes, vem de um passado remoto e reflete nos relacionamentos de hoje, de tal forma que leva indivíduos a adoecerem fisicamente, bem como a desajustes familiares. O melhor de tudo é que ao olhar onde encontra-se a causa do desequilíbrio, entender que tudo o que se faz é por amor, incluir e manifestar respeito aos envolvidos, equilibra-se o sistema familiar, o presente se ajusta e doenças são curadas. Sintetiza Robert Jacob sobre a importância das descobertas de Helling:

“A descoberta e a descrição, recentes e atuais, desses processos de vínculo e emaranhamento anímico através da consciência constituem, talvez, juntamente com os caminhos de solução reconciliadores e integradores, o principal mérito de Bert Hellinger.” (SCHNEIDER, 2007)

Ou seja, a terapia esclarece o sistema familiar desde um passado remoto, até o presente, apontando os desequilíbrios e, na sequência, pela força fenomenológica, na maioria das vezes, as amarras são desfeitas e o amor doente volta a fluir.

Falar do processo fenomenológico é bastante confortável, já que existem inúmeros vídeos e textos na internet falando do assunto. Muitas visões diferentes, nomenclaturas diversas para explicar o mesmo fenômeno, a mesma energia. Bert Hellinger descreve o processo fenomenológico na Constelação Familiar:

 “No caminho do conhecimento fenomenológico, expomo-nos, dentro de um determinado horizonte, à diversidade dos fenômenos, sem escolher entre eles e nem avaliá-los. Esse caminho do conhecimento exige, portanto, um esvaziar-se, tanto em relação às idéias preexistentes quanto aos movimentos internos, sejam eles da esfera do sentimento, da vontade ou do julgamento.” (HELLINGER, 2002)

 

Desta forma permitindo que a força fenomenológica, esta energia comum a todos, que é individual, mas também é do grupo, possa agir para a resolução do desequilibrio dentro do sistema familiar.

Constelação Familiar com Grupo de Pessoas – na Prática

Para se realizar a terapia com grupo de pessoas é necessário que o terapeuta, o cliente (pessoa que vai constelar) e as pessoas que estejam dispostas a participar, estejam em sintonia. Todos em busca da verdade para a cura em relação ao que o cliente quer constelar. Para isso, antes de iniciar a terapia, o terapeuta precisa buscar sua interiorização e o esvaziamento de suas intenções e imagens, como, também, deve esclarecer e auxiliar o cliente e o grupo a fazerem o mesmo. Assim, deixando agir a força do fenômeno durante a Constelação.

O Assunto

O terapeuta conversa com o cliente buscando apenas o essencial para iniciar a constelação, o que o cliente deseja e as pessoas imediatamente envolvidas. Quanto menos representantes para iniciar e quanto menos o terapeuta e o grupo souber da família, melhor.

A Escolha dos Representantes

Sabendo o que será constelado, o terapeuta deve auxiliar o cliente no sentindo de que ele se conecte consigo mesmo e que faça a escolha do representante pelo sentimento e não pela aparência externa. O cliente deve olhar nos olhos das pessoas do grupo que estão dispostas a participar e dentre elas escolher uma para representar o membro de sua família que foi previamente definido com o terapeuta. Colocando as mãos nos ombros da pessoa escolhida, conduz a mesma posicionando-a conforme seu sentimento interno. Assim fará com quantos representantes o terapeuta entender necessário para o sucesso da constelação.

O Desenvolvimento

Observando os representantes, seus posicionamentos e posturas, o terapeuta já pode perceber se faltam membros da família a serem representados, então deve solicitar mais esclarecimentos do cliente e inserir os que perceber necessários, sem que ninguém fale nada. Deve solicitar que o cliente sente-se e então observa os movimentos dos representantes, permitindo que a força da alma daquela família aja mostrando as dores e desequilíbrios do sistema. Sobre o movimento dos representantes Robert Jacob descreve:

“O que há de extraordinário nas constelações familiares é primeiramente o próprio método. É singular e fascinante observar, quando um cliente coloca em cena pessoas estranhas para representar seus familiares em suas relações recíprocas, como essas pessoas, sem prévias informações, vivenciam sentimentos e usam palavras semelhantes às deles e, eventualmente, até mesmo reproduzem os seus sintomas.” (SCHNEIDER, 2007)

Demonstrando a força extraordinária que envolve os “personagens”, daquele sistema, vivenciados pelos representantes.

O terapeuta deverá intervir somente quando necessário, falando com respeito algo que venha a agregar para o entendimento dos membros representados. Se acaso o andamento paralisar, então, o terapeuta deve intervir, buscando mais informações junto ao cliente e, se necessário, introduzir mais representantes, deixando-se levar pela força da constelação, conforme relata Robert Jacob:

“O terapeuta nada pode planejar. Terapeuta, representantes e cliente, tanto quanto possível sem prévias ideias, intenções, expectativas, medo ou considerações benevolentes, expõem-se a um processo cujo resultado é incerto, buscando uma solução que não se conhece por antecipação.” (SCHNEIDER, 2007)

Finalização

A Constelação termina quando acontece um entendimento entre os representantes, quando todos se sentirem libertos dos sintomas e sentimentos que perceberam ao iniciar a mesma. Quando a ordem do amor for restabelecida.

Quando a Constelação Deve Ser Interrompida

Existem dois momentos em que a Constelação deve ser interrompida, são eles: ao colocar os representantes para constelar se faz necessário que o cliente esteja conectado consigo mesmo, portanto, se o terapeuta, que acompanha atentamente, observar que isso não vem ocorrendo, deve interromper e auxiliar na conexão interna do constelado. Outro momento em que deve ocorrer a interrupção é quando os representantes não conseguiram a conexão essencial. O terapeuta deve tentar a substituição dos representantes que apresentam-se fora de sintonia e, se forem a maioria, paralisar a terapia auxiliando-os na conexão consigo mesmo para só então recomeçar. Do contrário a Constelação caminhará para resultado insatisfatório, num beco sem saída ou terminará sem solução para o cliente. Bert Hellinger demonstra o que ocorre quando cliente e ou terapeuta, não conseguem uma postura centrada, neste termos:

“Pode parecer duro, mas o resultado da experiência mostra que cada compreensão que foi presenteada desta forma é incompleta e temporária, tanto para o terapeuta quanto para o cliente.” (HELLINGER, 2002)

O encerramento

O Cliente agradece os representantes e os acompanha até os seus lugares. O terapeuta deve evitar os comentários após encerrada a terapia, salvo se houver necessidade de algum esclarecimento. No entanto, é essencial orientar os participantes que soltem o que vivenciaram, desapeguem para que a energia da Constelação possa agir com toda a sua força, realizando o alinhamento sistêmico e o resultado, com certeza, aparecerá na vida do cliente.

O Amor

Ingrediente indispensável para uma terapia de sucesso, todos, especialmente terapeuta e participantes, precisam vibrar na sintonia do amor, para que a privacidade do cliente seja preservada e para que o mesmo se sinta seguro e acolhido. “O terapeuta precisa também se libertar de suas intenções e imagens a fim de que a colocação de uma constelação familiar tenha êxito.” (HELLINGER, 2002). Esta libertação somente acontece quando o terapeuta permeia suas ações com muito amor, dedicando total atenção na terapia, se entregando a energia do fenômeno. Bem como os representantes, numa forma legitima de amor, necessitam esquecer-se de si mesmo, como descreve Bert Hellinger, “Exige-se também dos representantes uma contenção interna de suas próprias idéias, intenções e medo.” (HELLINGER, 2002). Assim, o amor eleva as pessoas num nível de respeito, comprometimento e abertura para deixar fluir o processo fenomenológico.

O Desapego

Fundamental que todos estejam dispostos a soltar, esquecer seus conceitos prévios e entregar-se a força da alma daquele sistema familiar, sem julgamentos, para que a constelação termine quando o representante voltar ao seu lugar e assim, absolutamente, nada do que foi constelado saia daquele ambiente.

Considerações finais

Percebo a terapia da Constelação Familiar como gesto de puro amor, proporcionando paz, equilíbrio e cura à pessoa que se submete a terapia, bem como ao seu sistema familiar, ao terapeuta e grupo participativo. O amor está presente na dedicação do terapeuta e dos representantes, mas não só, também é nítido que ele perpassa toda a movimentação dos representantes, que vão compreendendo e aceitando a fragilidade do outro como a sua própria e o amor vai crescendo até explodir no respeito e no abraço caloroso. Levando pessoas a transformação imediata, presenciado em minhas breves experiências em constelações: como a menina que apresentou-se para constelar, com os cabelo revoltos, calças largas, tênis “surrados”, aparentando desleixo e no dia seguinte compareceu, com sapatos e trajes bem femininos, cabelos escovados, levemente maquiada e com brilho intenso nos olhos. Ou a senhora que declarou amar a dança, mas que em anos de casamento nunca havia ido a um baile com o marido, pois ele não gostava e surpreendentemente ao chegar em casa, após a constelar o mesmo a convidou para dançar e no espaço de um mês foram a um baile, pela primeira vez depois de casados. Além da cura, do equilíbrio do sistema familiar, da pessoa constelada e dos benefícios que trará para todo o sistema que hoje compartilha esta vivência planetária, várias pessoas que estão participando são beneficiadas e modificam sua visão de mundo, com um olhar amoroso. Desta forma, a vida em nosso planeta vai se transformando para o benefício de todos.

Referências

CAPELÃO, Danilo Duares. A Prática das Constelações Familiares – Uma Abordagem Terapêutica Fenomenológica. Disponível em: https://cursosavante.com.br/a-pratica-das-constelacoes-familiares-uma-abordagem-terapeutica-fenomenologica/. Acesso em:02.04.2019

HELLINGER, Bert. Constelações Familiares segundo Bert Hellinger. O Trabalho com as Constelações Familiares – Uma introdução de Bert Hellinger. (c) 2002 Virtuelles Bert Hellinger Institut

SCHNEIDER, Jacob Robert. A Prática das Constelações Familiares. Tradução Newton A. Queiroz. Editora Atman Ltda, 2007

Roseli Maria Bittencourt

Campos Novos - SC

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