Deficiência Auditiva: A Inclusão Social do Deficiente Auditivo.

 

O presente artigo tem como objetivo abordar a deficiência auditiva no aspecto geral na inclusão social, tendo em vista o foco nas relações inclusivas no ambiente educacional e profissional.

Este trabalho abordara a importância da inclusão de deficientes auditivos no âmbito social a partir de observações realizadas na cidade de São João Del Rei, Minas Gerais. Para isto foram colhidas informações sobre a estrutura e funcionamento de 1 escola estadual onde possui 1 aluno deficiente auditivo e 1 supermercado com 1 funcionário deficiente auditivo.

Nas ultimas décadas o aumento em estudos e pesquisas a respeito da inclusão de deficientes auditivos têm sido significativos para contribuições de educadores e familiares dos deficientes auditivos e também para a valorização do convívio com diferenças. Poker(2001) afirma que as trocas simbólicas provocam a capacidade representativa desses alunos, favorecendo o desenvolvimento do pensamento e do conhecimento, em ambientes heterogêneos de aprendizagem.

A deficiência auditiva

Entende-se deficiência auditiva ou surdez a pessoa com perda parcial ou total do sentido auditivo, tendo inúmeros fatores, a deficiência auditiva pode ser genética, hereditária, envelhecimento, exposição a ruído, infecções, complicações na gestação e traumas físicos.

A deficiência auditiva na infância pode apresentar um quadro educacional com dificuldades no desenvolvimento da linguagem oral quando não descoberta a deficiência ou quando não aconteça a intervenção ou reabilitação auditiva. Sendo descoberta de inicio, profissionais médicos e educacionais podem realizar trabalhos onde serão minimizadas as dificuldades no desenvolvimento da linguagem oral.

De acordo com a estimativa da "Organização Mundial da Saúde”, aproximadamente 466 milhões de pessoas no mundo convivem com dificuldades auditivas em 2018.

A deficiência auditiva é um tipo de privação sensorial, cujo sintoma comum é uma reação anormal diante do estímulo sonoro (Gagliardi & Barrella, 1986). A surdez é, portanto, caracterizada pela perda, maior ou menor, da percepção normal dos sons, havendo vários tipos de deficiência auditiva, em geral classificadas de acordo com o grau de perda da audição. Esta perda é avaliada pela intensidade do som, medida em decibéis (dB), em cada um dos ouvidos (Marchesi, 1996).

Um olhar para a inclusão no ambiente escolar

A inclusão das pessoas com necessidades especiais em geral é um desafio grande no Brasil, e a inclusão de pessoas com deficiência auditiva não é diferente, vários problemas são pertinentes em nosso país e falo especificamente em uma escola estadual de Minas Gerais, onde a falta de profissionais  habilitados em Libras e a falta de preparo é alarmante, causando e prejudicando o aprendizado, com as má aplicações de atividades.

A nossa função de educador, a função da gestão escolar junto com trabalhos realizados pela comunidade é de fazer adaptações no âmbito escolar de acordo com a realidade e necessidade de cada criança e aluno.

O sistema educacional de qualidade não tem rótulos, ele tem que ser de qualidade igualitária para todos os alunos sem distinção, o sistema educacional de qualidade é para todos os alunos, com ou sem algum tipo de necessidade especial.

Os alunos de uma escola observada trabalharam a historia “Eu Sou Mais Eu”, onde cada aluno apresentou suas habilidades, esse foi um projeto da semana das necessidades especiais.

Muitos deficientes auditivos sentem ser “excludentes” no ambiente onde deveria ser incluída, tornando o papel de familiares e professores a tarefa de orientar os demais. O professor tem papel fundamental de acolher, dar assistência, acreditar no deficiente auditivo, além do ensino aprendizado. Mesmo com sua especificidade, com suas limitações, todos tem o potencial de desempenho, basta acontecer um trabalho em equipe com as alterações no currículo e fazer a melhor adaptação para cada necessidade especifica.

Já aconteceram muitas transformações a cerca do desenvolvimento educacional das pessoas com deficiências auditivas, após as leis e decretos como a Constituição Federal (1988), a Declaração de Educação para Todos (1990), Declaração de Salamanca – Necessidades especiais em sala de aula (1994), LDB nº 9394/96, e Decretos e Legislações suplementares em nível estadual e municipal.

O cumprimento desses documentos tem que ser garantido pelos gestores educacionais, à diferença e respaldo começa nas instituições de ensino, uma escola de qualidade e inclusiva é aquela que da assistência e ajuda na construção de uma escola onde prevalece o ensino significativo, onde o aluno é parte social importante na inclusão.

Outro assunto pertinente é como lidar com a deficiência auditiva na escola, a aluno com deficiência auditiva deve ser incluído na escola desde a educação infantil ate o ensino superior, deve ser garantido desde a infância os materiais didáticos necessários para sua alfabetização e aprendizagem e os recursos desenvolvidos de acordo com sua necessidade, para assim acontecer resultados satisfatórios. É um direito de o aluno especial ter todo o suporte necessário para um ensino de qualidade e uma professora de Libras.

A escola comum precisa dispor de recursos que tornem viável o processo de inclusão, como por exemplo:
* Assessoria em relação à língua de sinais, se a criança tiver linguagem oral restrita e às estratégias adequadas para propiciar o diálogo, na linguagem oral e/ou escrita; 
* Material concreto e visual que sirva de apoio para garantir a assimilação de conceitos novos; 
* Contato com professores que tenham vivenciado situações semelhantes; 
* Orientação de professores da Educação Especial – itinerantes ou de salas de recursos. * Podem ser feitas reuniões para trocar experiências e esclarecer dúvidas.

Um olhar para a inclusão no ambiente profissional

Outro meio social que encontramos pessoas com deficiência auditiva, mas que ainda não tem um numero satisfatório de deficientes auditivos são os locais de trabalho. Pesquisando na cidade de São João del rei, encontrei poucos locais onde tem a presença de deficientes auditivos ou outras deficiências. Em especifico que me chamou atenção, foi em um supermercado onde tem um deficiente auditivo embalador de caixas, sua audição é comprometida somente no lado direito devido ao seu trabalho anterior de controlador de maquinas.

Mesmo sendo indiscutível a importância das contratações de profissionais com deficiência para a economia do Brasil a geração de emprego na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho contribui para trazer dignidade a essas pessoas. Ao inclui-las, não estamos apenas ofertando um salário, mas também a oportunidade de se reabilitar socialmente e psicologicamente.

A plena inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho está entre as metas do futuro Estatuto da Pessoa com Deficiência. Atualmente, a Lei 8.213/91 já obriga as empresas com 100 ou mais empregadas a preencher de 2% a 5% das vagas com trabalhadores deficientes. Apelidada de "lei de cotas", ela foi aprovada em 1991 e é considerado um dos marcos da legislação inclusiva, segundo a relatora do estatuto, deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). "A gente só tinha 100 pessoas com deficiência contratadas com carteira assinada. Hoje, estamos na casa dos 330 mil".

Para Orlandi (op. cit.), a língua faz parte desse “valor”: O reconhecimento e o investimento no apagamento da diferença, numa sociedade como a nossa, fazem parte disso que estou chamando movimento da identificação. Como tenho dito insistentemente, onde há censura (apagamento), há resistência, migração de sentidos, transferências obrigadas. (Orlandi, 2001, p. 205).

Referências

Gagliardi, C. & Barrella, F. F. (1986). Uso da informática na educação do deficiente auditivo: um modelo metodológico. Em Sociedade Brasileira de Psicologia (Org.), Anais da XVI Reunião Anual de Psicologia (pp. 120-123). Ribeirão Preto: SBP.

Marchesi, Α. (1996). Comunicação, linguagem e pensamento. Em César Call; Jesus Palácios & Álvaro Marchesi. (Orgs.), Desenvolvimento Psicológico e Educação (pp. 200-216). Porto Alegre: Artes Médicas.

ORLANDI, E.P. Identidade lingüística escolar. In: SIGNORINI, I. (Org.). Lingua(gem) e identidade: elementos para uma discussão no campo aplicado. Campinas: Mercado de Letras, 2001.

POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica e desenvolvimento cognitivo em crianças surdas: uma proposta de intervenção educacional. UNESP, 2001. 363p. Tese de Doutorado.

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/463686-INCLUSAO-NO-MERCADO-DE-TRABALHO-E-UM-DOS-DESAFIOS-DO-ESTATUTO.htmlv

Poliana Cristina da Silveira

São João Del Rei - MG

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