Docência no Ensino Superior: A didática e sua Importância

Através deste artigo mostraremos a importância do educador ter além de conhecimento na sua área de atuação ou de ensino, a necessidade de saber ensinar didaticamente seus alunos. Transmitindo seus conhecimentos de forma clara e sucinta, a fim de enriquecer sua aula com conhecimento, fazendo o aluno entender o conteúdo no momento da transmissão. A didática pode ser definida como um conjunto de atividades organizadas pelo docente visando o favorecimento da construção do conhecimento pelo estudante. LIBÂNEO (1990, p.25), denomina didática como “teoria do ensino” por investigar os fundamentos, condições e formas de ensino. Para haver reciprocidade e entendimento do aluno é sem dúvidas necessário que o educador saiba repassar seu conhecimento na forma de didática.

Libâneo (1990) ressalta abaixo sobre o termo “didática”:

“A ela cabe converter objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos. […] trata da teoria geral do ensino (1990, p. 26).”

CONCEITO DE DIDÁTICA

Segundo ALTHAUS (2004), a ação didática no ensino superior é pautada pelas tensões enfrentadas no cotidiano universitário e consolida-se pelo o que é inerente à extensão: “A autêntica ação de estender o conhecimento, via extensão universitária, operacionaliza-se por meio de uma práxis dialética (mediadora entre universidade-sociedade-universidade) de produção / reprodução crítica do conhecimento” (RAYS, 2003, p.3).

Esse mesmo autor ainda reforça afirmando que a escolha da didática se justifica pelo objeto de estudo: o ensino, e suas relações com o trabalho pedagógico. A autora AMARAL diz que:

“Diferentemente do que se propõe no ensino de alguma coisa, não temos aí o problema da especificidade do saber, delimitada em bases epistemológicas: delineia-se, com base no diferente, o que perpassa todas as situações. O papel da Didática, no caso, é o de percorrer os diferentes campos, auscultando as diferentes experiências, para levantar as semelhanças e promover o enriquecimento do próprio campo e dos outros campos.”. (2000, p.143)

A formação do professor/educador deve ser de caráter continuado, sendo um processo permanente, atualizante. Assim terá uma metodologia eficaz, sendo um transmissor de conhecimento, onde todos o compreenderão e aprenderão sua metodologia.

ENSINO OU APRENDIZAGEM

Muitos professores, ao se colocarem à frente de uma classe, tendem a se ver como especialistas na disciplina que lecionam a um grupo de alunos interessados em assistir a sua as aulas. Dessa forma, as ações que desenvolvem em sala de aula podem ser expressas pelo verbo ensinar ou por correlatos, como: instruir, orientar, apontar, guiar, dirigir, treinar, formar, amoldar, preparar, doutrinar e instrumentar.

Esses professores percebem-se como especialista em determinada área do  conhecimento e cuidam para que seu conteúdo seja conhecido pelos alunos. Segundo LEGRAND (1976):

“A sua arte é a arte da exposição”. Seus alunos, por sua vez, recebem a informação,que é transmitida coletivamente. Demonstram a receptividade e a assimilação correta por meio de “deveres”, “tarefas” ou “provas individuais”. Suas preocupações básicas podem ser expressas por indagações como: “Que programa devo seguir?”. “Que critério deverei utilizar para aprovar ou reprovar os alunos?”.

Há professores que vêem os alunos como os principais agentes do processo educativos. Se preocupam  em identificar as  aptidões, necessidade e interesses dos seus alunos com vistas a auxiliá-los na coleta das informações de que necessitam no desenvolvimento de novas habilidades, na modificação de atitudes e comportamentos e na busca de novos significado nas pessoas, nas coisas e nos fatos.  Atuando portanto, como facilitadores da aprendizagem, segundo a linguagem utilizada por Carl Rogers (1987):

 Os educadores progressistas, preocupados com uma educação para a mudança, constituem os exemplos mais claros de adoção desta postura. Seus alunos são incentivados a expressar suas próprias idéias, a investigar com independência e a procurar os meios para o seu desenvolvimento individual e social (ROGERS, 1987).

Muitos professores aprenderam seu oficio como os antigos aprendiam: fazendo. Os professores universitários não recebem preparação pedagógica especifica e menos ao longo da sua vida profissional raramente tem a oportunidade  de participar em cursos, seminários ou reuniões sobre os métodos de ensino e avaliação da aprendizagem. A pedagogia fica, portanto, ao sabor dos dotes naturais de cada professor.

O que de fato ocorre é que a grande maioria dos professores universitários ainda vê o ensino principalmente como transmissão de conhecimento através das aulas expositivas.

O professor, mais do que transmissor de conhecimento, é um facilitador da aprendizagem e precisa ter criatividade no momento de expor suas aulas.

CONCLUSÃO

Baseado no que foi estudado podemos verificar a importância da didática no ensino superior e que não basta somente o educador ter domínio da disciplina a ser lecionada, mas que também necessita saber transmitir seu conhecimento claramente.

De fato, os grandes desafios que se impõem à prática docente no ensino superior relacionam-se às possibilidades de articular as duas ações didáticas – ensinar e aprender – no contexto de sala de aula. Nem sempre quem domina conhecimentos para sua atuação profissional sabe transpô-los para uma situação de aprendizagem, por isso a significância de o educador estar sempre voltado a ensinar usando uma boa didática de ensino.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALTHAUS, Maiza Taques Margraf. Ação Didática no Ensino Superior: A Docência em Discussão. Rev. Teoria e Prática da Educação, v.7, n.1., p.101-106, jan./abr. 2004. Disponível em: . Acessado em Março de 2016.

AMARAL, A. Aula universitária: um espaço com possibilidades interdisciplinares. E: VEIGA, I. Pedagogia universitária: a aula em foco. Campinas: Papirus, 2000.

HOUAISS, Antonio, VILAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: objetiva, 2001.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1990.

ROGERS, Carl. Liberdade de aprender em nossa década. l 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, l980.

Deise Kipper

Três Passos - RS
Psicóloga Clínica e Organizacional / Consultora de Rh / CRP 07/27064

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