Educação Especial: Deficiências Múltiplas

Deficiência na Humanidade

São muitos os eventos, as circunstâncias e os fatos históricos que têm influenciado a evolução no campo das deficiências. Os registros demonstram que forças políticas expressas em ações pessoais, grupais ou institucionais contribuíram significativamente para os avanços nesse campo nos últimos tempos. O conceito de deficiência desenvolveu-se com a história, influenciado pelas diversas culturas que, a seu tempo, lhe emprestaram naturezas e significados diversos. Atualmente, em âmbito internacional, o movimento da escola inclusiva ganhou força após a Declaração de Salamanca (1994) que preconiza a escola para todos, sem discriminação, em ambiente integrado. O movimento desaconselha a segregação de alunos com necessidades especiais em instituições especializadas e defende que o sistema educacional deve organizar-se de tal modo, que inclua e dê respostas educacionais adequadas a todos seus alunos, inclusive os portadores de necessidades educacionais especiais.

 O movimento da escola inclusiva preconiza, ainda, que a educação desses alunos seja a mais normalizadora possível, isto é, utilize recursos, programas, serviços e tecnologias disponíveis para todos os demais, adaptando o currículo apenas no caso de necessidade evidenciada pelo aluno. Essa postura foi adotada por quase cem países representados em Salamanca, na Espanha (1994), em conferência internacional apoiada pela UNESCO. Reflete política que prioriza os direitos humanos, a igualdade de oportunidades para todas as pessoas e a participação efetiva dos portadores de necessidades especiais, na condição de cidadãos, na sociedade em que vivem. Os princípios que norteiam a atual linha de ação prevalecem desde a conferência e serão básicos para a Deficiência na humanidade 21 definição das políticas e das ações do milênio. Certamente, constituirão parâmetros para a postura dos cidadãos quanto aos portadores de necessidades especiais, vindo a influenciar as políticas governamentais, as ações sociais e as instituições que prestam serviços a essa população específica. Esse é um novo capítulo da História. As diferenças, ao invés de discriminadas, passam a ser aceitas e respeitadas, sem que se almeje tornar ou tentar tornar alguém “normal”. As pessoas portadoras de necessidades especiais devem ser tratadas como cidadãs, com direitos e deveres iguais.

 A História, entretanto, registra atitudes e ações muito distantes dos postulados atuais. As pessoas com deficiência viveram situações desde o extremo de consideradas divinas e superiores até situações de ameaça e consumação de morte. Patton, Payne & Beirne-Smith (1985) fazem uma divisão do percurso histórico das deficiências na humanidade, desde a Antiguidade até nossos dias e o classifica em nove períodos representativos das diversas posturas e atitudes socioculturais prevalecentes em cada um deles.

Embora a análise dos autores seja restrita ao contexto histórico da deficiência mental e às influências sócio-políticas que marcaram sua concepção, verificamos que se aplica às demais deficiências, uma vez que eram vistas como categorias “iguais”. Por essa razão, a análise dos autores será estendida às demais, sobretudo à deficiência múltipla, objeto do presente trabalho. Pessotti (1984) caracteriza a postura sociocultural de considerar os portadores de deficiências como semelhantes ou cidadãos de mesma categoria, quando relata: “Foi assim que grandes hospitais, como o de Bicêtre e a Salpêtrière em Paris, Bethlehem na Inglaterra e muitos outros

no resto da Europa se abriram para acolher, piedosa e cinicamente, em total promiscuidade, prostitutas, idiotas, loucos, ‘libertinos’, delinquentes, mutilados e ‘possessos’ que só na Salpêtrière perfaziam, em 1778, um total de 8000 pessoas.” (p. 25) Passamos a considerar os períodos classificatórios de Patton, Payne & Beirne-Smith (1985) e sua caracterização.

Antiguidade: até os anos 1700

As sociedades apresentavam atitudes e percepções variadas acerca das pessoas com deficiências, especialmente as portadoras de deficiência mental. Eram tratadas como demônios ou detentoras de dons, poderes ou revelações divinas. Os comportamentos sociais em relação a essas pessoas correspondiam, naturalmente, às visões prevalecentes em seu entendimento, ou seja, de medo, rejeição, respeito ou admiração. Durante a Renascença a concepção predominante revelava um caráter mais aberto, natural e “científico”. As forças sociais dominantes baseavam seus pressupostos numa postura filosófica humanista que situava de modo mais favorável a visão corrente das pessoas com necessidades especiais. Comprometidas e narra as condições deficitárias de Victor bem como seus progressos ulteriores.

O trabalho de Itard exerceu muita influência em pesquisadores talentosos e destacados que criaram um clima de otimismo e vieram a contribuir, de forma significativa, para o atendimento aos portadores de deficiência. Passou-se a pensar que as pessoas com deficiência poderiam ser tratadas, treinadas e reintegradas à comunidade como seres humanos produtivos. O otimismo foi exagerado para a época, como normalmente acontece com as novas ideias.

Aspectos de Desenvolvimento

O desenvolvimento das crianças de quatro a seis anos com deficiência múltipla realiza-se segundo os mesmos princípios e bases biopsicossociais das demais, que não apresentam deficiências. A forma como uma criança cresce e se desenvolve depende de variados fatores individuais, sociais e ambientais. Quando apresenta múltipla deficiência, as causas individuais podem ser diversas e os efeitos variados, sobre a personalidade e o comportamento. Essa diversidade deve-se a vários, incluindo o comprometimento das deficiências e a sua abrangência, às capacidades atingidas, bem como a forma de reação da família e da comunidade afirma situação.

 Quando a criança tem acesso à participação social e comunitária, recebe atendimento adequado e convive em ambiente em que não é rejeitada, suas possibilidades de desenvolvimento são favorecidas, mesmo que as deficiências sejam numerosas e limitantes. Um ambiente é favorável ao desenvolvimento e à aprendizagem quando é estimulante, encorajador, socialmente receptivo e afetivamente acolhedor.

Todas as crianças, independentemente da existência de deficiências, têm acesso a oportunidades de crescimento em ambiente assim estruturado. As capacidades cognitivas e afetivas das crianças têm sido muito consideradas ao longo dos últimos anos.

 Suas habilidades podem ser afloradas pelo contato dinâmico com o ambiente físico e social. Ainda manifestam desejo de aprender e interagir com sua realidade. Essa nova forma de pensar considera que a criança se desenvolve por meio de aprendizagem e aprende no seio da cultura que tem significado para ela desde seu nascimento.

 Dessa forma interage com elementos do ambiente que são culturalmente interpretados e que lhe são oferecidos como estímulo, ou seja, convive com Aspectos de desenvolvimento 18 elementos linguísticos, relações, pensamentos e afetos que estão a seu redor e responde a eles de acordo com seu potencial humano. Nessa interação, entram suas habilidades cognitivas, de atenção, percepção, memória, imaginação e outras.

Os conhecimentos que adquire nessa ação eu versus ambiente permitem-lhe desenvolver suas capacidades de pensar e agir no mundo físico e social. Para as crianças com deficiência múltipla, esses pressupostos são todos válidos.

 É importante oportunizar lhes uma interação rica com o ambiente, proporcionando-lhes, o mais cedo possível, contatos sociais com seus pares, com os adultos, com os objetos e situações, de modo a compreender e aprimorar sua realidade e o desejo de participar.

 Desse modo, a criança só se desenvolve porque aprende. Não se pode ignorar que a criança com múltipla deficiência apresenta limitações nessa interação com o ambiente. Suas condições individuais de desenvolvimento, aprendizagens anteriores, disposição atitudinal, capacidades cognitivas, entre outras, são elementos essenciais para aprender o novo e produzir conhecimentos.

 Por essa razão, é de suma importância que essas crianças recebam atendimento adequado para reduzir os efeitos de suas deficiências e prevenir o aparecimento de outras que possam ir associando-se às já existentes. Enquanto isso, todos os aspectos de interação e participação previstos genericamente para o desenvolvimento das crianças e que foram até aqui analisados, devem ser considerados e aplicados em sua experiência de aprendizagem. Na fase dos quatros a seis anos, as crianças já conquistaram muita independência de movimentos, podendo correr, saltar, subir, pular, atirar os objetos, alcançá-los, etc. O domínio adquirido da linguagem oferece muitas oportunidades de trocas sociais com adultos e companheiros.

 Desse modo, têm a sua disposição um campo vasto de atividades. Podem agir no ambiente de forma mais independente, explorar e alcançar novas descobertas e aprimorar suas habilidades sociais.

A formação do autoconceito tem lugar privilegiado nesse faixa etária. Com base nas observações de suas próprias 19 realizações, do comportamento dos seus pares e das opiniões da família e dos adultos significativos para a criança, ela começa a firmar a sua identidade, sua autoimagem.

 Quem sou eu? Essa pergunta tem um amplo significado nessa fase. O pensamento e a consciência da criança também estão em pleno desenvolvimento. A fantasia e a realidade têm espaço, em sua forma de interpretar o mundo a sua volta. A brincadeira, o brinquedo, o jogo, a imitação, a imaginação, são os ingredientes do desenvolvimento infantil e a forma de consolidar as experiências da criança e de sua cultura, bem como de exercitar suas capacidades latentes. Quando se tem em mente a criança com múltipla deficiência, alguns aspectos precisam ser considerados:  seu vigor físico, em alguns casos, pode estar comprometido pelos problemas de saúde, principalmente nas causas orgânicas;  os movimentos corporais e a mobilidade podem estar alterados ou limitados, quando a deficiência física está associada; • a exploração do ambiente e a formação de conceitos podem estar dificultadas pelas deficiências sensoriais, na ocorrência de cegueira ou surdez;

 A comunidade auditivo-oral pode estar inviabilizada ou dificultada, em decorrência de surdez ou de lesões cerebrais. Essas e outras condições podem estar presente quando uma criança convive com múltipla deficiência. Seu desenvolvimento requer atenção e apoio para que possa superar essas limitações e compensar suas dificuldades específicas. Apoiar uma criança em seu processo de desenvolvimento e aprendizagem implica respeitar sua fase evolutiva; atuar sobre suas emoções e afetividade, encorajando a, estimulando-a e acreditando em suas capacidades potenciais; favorecer sua autoestima e ajudá-la a superar possíveis sentimentos de inferioridade, por meio do reconhecimento de suas realizações e reais conquistas.

 É reduzido o número de crianças com múltipla deficiência que possuem um repertório tão pequeno e deficiências em níveis tão elevados que não lhes possibilitem atuar no ambiente de forma funcional. Infelizmente, a visão corrente que se tem de múltipla deficiência é equivocada, de modo que as pessoas subestimam as potencialidades e capacidades de seus portadores, movidas, muitas vezes, apenas pelas aparências. A experiência, no entanto, tem demonstrado o contrário. Essas crianças, quando atendidas e apoiadas adequadamente e desafiadas a participar, criar, construir e realizar, respondem de maneira promissora e realizadora, apesar das limitações. A ação educativa comprometida com a cidadania implica o reconhecimento da dignidade humana, da diversidade entre as pessoas e do convívio portado em valores éticos. É um desafio para a educação cumprir suas finalidades junto a todas as crianças, sem discriminação. Cabe aos educadores considerar que as crianças com deficiências se desenvolvem segundo processos e princípios similares aos de todos os demais, tendo que se levar em conta sua singularidade, como ser humano com características próprias.

 Devem as condições educacionais organizar-se de modo a respeitar as necessidade e ritmos próprios, de modo a contribuir para o aprimoramento pessoal dos alunos, ressaltando principalmente suas competências e experiências.

Educação Infantil

O reconhecimento das capacidades cognitivas, afetivas e interativas da criança fundamenta toda a ação educativa. Do mesmo modo, a convicção da interdependência entre o desenvolvimento e a aprendizagem. Os educadores estão cientes dessa influência na formação da consciência infantil. Crianças com múltipla deficiência podem e devem ter acesso aos objetos e às fontes socioculturais, bem como apoio a seu desenvolvimento e aprendizagem, nos moldes das demais não portadoras de deficiências.

 As instituições educativas que lhes propiciarem essas oportunidades constituem espaços em que, efetivamente, sejam garantidos os direitos de cidadania. A intervenção educativa é um recurso que promove o desenvolvimento infantil, pelo uso das estratégias cognitivas da criança na internalização dos conhecimentos socialmente elaborados, de acordo com a fase evolutiva. O papel da intervenção educativa é, portanto, básico no direcionamento para a aquisição de conceitos e de valores, bem como na organização de situações de aprendizagem que inspirem soluções criativas por parte da criança e que impulsionem seu desenvolvimento integral. O trabalho de educação infantil realiza-se por meio de ações planejadas, sistemáticas e intencionais, com o objetivo de educar, buscando a socialização da criança, o desenvolvimento de suas capacidades e sua inserção cultural e social.

Adaptações Curriculares

O currículo deve ter dinamicidade suficiente para atender às necessidades de todos os alunos, inclusive os que apresentam necessidades especiais.

 De modo geral, as Adaptações curriculares 23 crianças com múltipla deficiência, não precisam desenvolver um currículo diferenciado para sua educação. Podem beneficiar-se do regulamento adotado, flexibilizando-se de modo a considerar as capacidades e necessidades dos educandos. A participação da família na proposição desse currículo é da maior relevância, uma vez que o contexto familiar e comunitário complementa e consolida as aprendizagens escolares, além de constituir o espaço privilegiado para sua aplicação.

De um modo geral, o currículo delineia algumas habilidades esperadas para as crianças dessa faixa etária: o domínio da linguagem; o uso dos objetos cotidianos; a orientação no tempo e no espaço; o desenvolvimento da percepção, memória, pensamento e imaginação;

 o desenvolvimento de habilidades sociais e de convivência em grupo; o conhecimento do acervo cultural e científico, compatível com o desenvolvimento evolutivo da criança, entre outros (MEC, 1997, obra citada). A intervenção educativa deve levar em conta as capacidades das crianças, a qualidade de suas relações com os colegas e com os adultos e suas condições físicas. Na faixa dos quatro aos seis anos, o domínio da linguagem e a capacidade psicomotora do educando, permite-lhe mais desenvoltura nas interações com o ambiente físico e social.

 O currículo deve prever a introdução de novos conhecimentos e desafios pessoais, em acréscimo às habilidades anteriormente adquiridas pelas crianças. Os conteúdos devem ser organizados, ordenados e priorizados de acordo com as condições dos alunos e com os significados que representam para eles. Consideram as necessidades e possibilidades das crianças e seu contexto sociocultural.

Crianças com Múltiplas Deficiências Sensoriais (surdas-cegas)

A criança surda-cega na fase pré-escolar tem razões que justificam suas dificuldades nas relações espaço-temporais, que se encontram prejudicadas pela falta das pistas fornecidas pela visão e audição, resultando em dificuldades ou impossibilidades de captar informações ambientais. Nessa fase, de maneira espontânea, as crianças envolvem-se em atividades de expressiva movimentação e exploração do mundo físico e social. Privada de dois sentidos importantes, essas crianças estão sujeitas a dificuldades na percepção e integração com o ambiente circundante, porque o conhecimento dos objetos e das pessoas a seu redor requer proximidade física, que viabilize o contato e o manuseio dos elementos presentes no ambiente.

 A motivação natural para explorar é, portanto, mínima e deve ser estimulada pelos colegas, familiares, professores e pessoas que estão envolvidas em seu convívio. A falta ou insuficiência de visão e audição dificultam o estabelecimento e a manutenção de relações interpessoais, principalmente com as demais crianças de sua idade, requerendo uma intervenção que viabilize e estimule essas relações. Conquanto se possa pensar que as dificuldades dessas crianças sejam semelhantes, há muitas diferenças entre elas, mesmo quando a perda visual e auditiva seja do mesmo nível. Um aspecto importante a considerar é a possibilidade de que as outras vias sensoriais estejam, ou não, alteradas. É óbvio 38 que uma situação como essa torna a situação da criança muito mais agravada.

Uma concepção interativa de deficiência chama a atenção para a necessidade de se considerar os aspectos ambientais que podem agravar ou atenuar o nível de comprometimento das crianças. Se as possibilidades de participação e interação estão presentes, bem como o estímulo e o encorajamento à ação, essa criança demostra maior funcionalidade em seu ambiente e melhores expectativas de desenvolvimento e aprendizagem.

 Quanto ao aspecto educacional, os estudiosos asseguram que desenvolvem estilos de aprendizagem individuais que as ajudam a compensar sua múltipla deficiência. Desse modo, crianças surdas-cegas podem alcançar bom nível de aprendizagem escolar e desenvolvimento de habilidades adaptativas. Evidentemente, esses resultados requerem condições individuais favoráveis e condicionantes ambientais que viabilizam o seu êxito.

 O ambiente familiar e educacional deve ser, portanto, favorável ao desenvolvimento e à aprendizagem. As crianças surdas-cegas são consideradas mais comprometidas do que o são na realidade. Mesmo em ambiente especializado e preparado para seu atendimento educacional, podem ser confundidas e haver dificuldade de avaliação com relação às crianças que apresentam deficiência mental ou autismo. Deve observar-se que os programas educacionais precisam tornar-se compatíveis com as habilidades acadêmicas e a competência curricular do aluno. Não há sempre a necessidade de um currículo diferente, mas, de sua adequação. Os procedimentos educacionais devem resguardar as medidas de acesso ao currículo, ou seja, máquinas Braille, leitores ópticos, bengalas, material ampliado ou em relevo, entre outros, para que seja possível a eficiência do processo de ensino e aprendizagem.

Questões de Segregação/Integração Através dos Modelos de Atendimento

O período correspondente à educação infantil é muito propício para crianças com deficiência, porque as atividades acadêmicas são mais simples, e o enfoque é maior no índice sobre o desenvolvimento e a aprendizagem das habilidades psicomotoras, cognitivas e sócio afetivas. De igual modo, incentiva-se a vivência lúdica do brinquedo, das brincadeiras, dos jogos, dos exercícios da fantasia e da criatividade.

 Essas experiências educacionais são apropriadas para todas as crianças dessa faixa etária, independentemente de serem portadoras, ou não, de deficiências. O ideal é que as crianças estudem nas escolas regulares, para terem um convívio desafiador e estimulante, com uma diversidade de situações e de pessoas.

 Espera-se, no entanto, que o ambiente de aprendizagem seja realmente adequado a suas necessidades e potencialidades. Não adianta colocar as crianças juntas, se ficarem excluídas da participação efetiva em sala de aula. A escola precisa ser realmente inclusiva, ou seja, possa flexibilizar o currículo para dar respostas às demandas reais da criança.

Quando as deficiências múltiplas comprometem severamente a criança e as instituições educacionais regulares não estão estruturadas para seu atendimento, costumam indicar-se as escolas especializadas, até que seja possível e recomendável sua integração escolar. Mesmo quando as crianças estão atendidas em escolas inclusivas, desenvolvendo um currículo adequado, o apoio especializado faz-se necessário.

Esse apoio é diferenciado e contingente em relação às condições individuais identificadas do aluno. Alguns necessitam do apoio por tempo limitado, mas há educando com múltiplas deficiências que o exige durante toda a vida.

Felizmente, essa concepção não encontra mais espaço no âmbito educacional. Todas as pessoas têm perspectivas de desenvolvimento e aprendizagem. Os profissionais que defendiam o atendimento dessas crianças apenas pela área da saúde têm mudado suas convicções em favor da confiança nos bons resultados evidenciados pela ação educativa. As crianças com múltipla deficiência menos agravantes, podem beneficiar-se do ambiente integrador das escolas regulares. Existem resistências por parte das escolas, com a alegação de as crianças estarem despreparadas; no entanto, os esforços dos educadores e dos legisladores tendem a superar essas restrições. Espera-se que o novo milênio traga melhores oportunidades educacionais para esses alunos e fortaleça as perspectivas inclusivas da escola e da sociedade como um todo.

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Madalena de Oliveira Pinto

Pouso Alegre - MG

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