ENSINO DE GEOGRAFIA NAS ESCOLAS

ENSINO DE GEOGRAFIA NAS ESCOLAS

 

A intenção desse curso é abordar informações gerais e relevantes, de maneira articulada sobre a disciplina “Ensino de Geografia” que nada mais é, do que uma subárea, que compõe a grade curricular dos cursos de licenciatura em Geografia, e outras áreas de ensino como, por exemplo, a Pedagogia.  É importante lembrar quais as contribuições para a prática pedagógica dos docentes é possível ser adquirida com o “Ensino de Geografia”. Para isso, é válido dizer que se podem associar os conteúdos de Geografia ás metodologias de ensino, tanto as tradicionais quanto as mais atualizadas e recentes, para tratar desse tópico do curso.

O mais importante para a educação e para o educador em si, é desenvolver as pessoas e despertar na sociedade as bases necessárias para se construir a ética, a responsabilidade, a criticidade, a tolerância entre outros valores para a evolução dos seres humanos. Passamos por um processo constante de competição, processos científicos e avanços tecnológicos, pautados pela excelência, e que exige, maior capacitação dos professores a respeito da formação de cidadãos que futuramente se ingressarão no mercado de trabalho.

 

Para isso é importante que os profissionais da educação, especialistas e educadores se baseiem em um currículo de estudos e conteúdos para se nortearem enquanto pontes de conhecimentos no processo ensino aprendizagem.

Hoje existem entre eles, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) que procura construir referências nacionais comuns ao processo educativo para abranger as regiões brasileiras, criando melhores condições em que os professores possam lidar, da melhor maneira possível com os conteúdos de caráter micro e macro, ou seja, de forma local e global, sem que sejam prejudicados quanto à forma que irão lidar com tais questões, levando em consideração, como falado anteriormente, as regiões brasileiras e o que se aplica em cada uma delas.

Temos acesso também recentemente, á Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que vai definir os conhecimentos essenciais aos quais os estudantes brasileiros deverão ter conhecimento desde a Educação Básica, até  o Ensino Médio. Com isso os sistemas educacionais, as escolas e os professores terão um instrumento metodológico que os guiem com relação aos temas abordados na escola. 

A BNCC será mais uma ferramenta que vai orientar na elaboração do currículo e dos conhecimentos gerais e específicos de cada região do Brasil, levando em conta as diversidades de cada estado e as contribuições comuns do país. É válido destacar que tanto o PCN quanto a BNCC são um processo de reorganização de currículo válido tanto às escolas particulares quanto as escolas públicas.

 Com base nos dois sistemas curriculares apresentados, tanto os PCNs quanto a BNCC, é possível criar um planejamento de uma disciplina voltada para o “Ensino de Geografia” de uma forma bastante plural, o que se torna uma ferramenta positiva aos professores, que ao ter clareza da diversidade teórica que nesse caso a Geografia pode contribuir, será permitido ao professor que o mesmo tenha um leque amplo de possibilidades, para se aprender e ensinar as tendências geográficas e os conteúdos exigidos.

Os conhecimentos básicos dessa ciência são essenciais para a orientação dos professores, é importante para que formem seus conhecimentos enquanto docentes. Quanto mais conhecimento sobre uma ciência um professor tem, mais fácil será a compreensão de forma geral, e a articulação dos conteúdos e dos contextos científicos e históricos que uma disciplina e seus conteúdos abordam. Quanto melhor um professor se munir de ferramentas, maior será sua experiência para expor o material didático e maior será a compreensão dos temas, por parte dos alunos.

 Embora a escola sofra avanços em relação ao Ensino de Geografia, as formas tradicionais ainda são utilizadas de maneira bastante recorrente, quanto à formação de novos professores, nas universidades. O uso de referenciais teóricos, o uso de associação dos conteúdos e suas formas, e vários tipos de avaliação, por exemplo, nos distancia da ação como elemento crítico e principal do processo ensino aprendizagem e desestimula a participação do professor quanto estudante na academia, e provavelmente desestimulará seus futuros alunos em sala de aula, visto que a forma como aprendemos, normalmente será a forma como lecionaremos.

Quando era você sentado na sala de aula, como era ensinada a Geografia? Quais foram os métodos utilizados pelo seu professor para se fazer compreender os conteúdos geográficos? Eram simplesmente apresentados? Eram dialogados com base em suas experiências? Eram discutidos e abordados de uma forma critica? Era possível a refletir? 

Essas são perguntas que devemos nos fazer com relação a nossa postura na escola e na sala de aula, e com relação à forma como conduzimos nossa aula e nossa profissão.  É importante que se repita diariamente essas perguntas, para que se possa chegar a melhor maneira possível do nosso objetivo final enquanto educadores. Que possamos nos fazer ser compreendidos, que possamos estimular mentes criativas, habilidosas, e seres pensantes enquanto pequenos participantes que se tornaram ativos em nossa sociedade futuramente. As crianças que são formadas hoje nas escolas, serão jovens e adultos que tomarão as decisões num futuro que não mais caberá a nós decidir e conduzir.  Por isso a importância em se construir mentes pensantes e críticas.

Como ponto de largada para essa tarefa, surge o planejamento. É de extrema necessidade que o professor planeje suas aulas, para que eventuais problemas não venham a surgir. Com o planejamento, não significa que o professor chegará 100% ao resultado esperado, mas as chances que isso dê certo com o planejamento, serão de 90%. Através do planejamento como o nome já sugere, o profissional da educação pode se preparar para uma determinada função estabelecendo os melhores métodos que achar pertinentes para tal.

Segundo o professor e especialista em planejamento escolar, para entrevista á revista Nova Escola, Celso Vasconcellos, é impossível realizar um processo completo de ensino aprendizagem sem o planejamento. Visto que o planejamento é uma coisa inerente ao ser humano.  Quando falamos em processo de ensino e aprendizagem, estamos nos referindo a algo sério, que precisa ser planejado, com qualidade e intencionalidade. Planejar é antecipar ações para atingir certos objetivos, que vêm de necessidades criadas por uma determinada realidade, e, sobretudo, agir de acordo com essas ideias antecipadas e pensadas. 

Existem três questões básicas que precisam ser consideradas no Planejamento:

 

  1. Realidade na prática: Em qual sistema o professor está inserido, em qual escola, turma, qual a maturidade intelectual dos alunos que se faz presente em sala de aula e etc.;

 

  1. Finalidade da intenção: Aonde se quer chegar, para quê serve esse tema, quais são os objetivos, e quais são os resultados esperados com tal ação;

 

  1. Plano de ação: Que pode ser fruto da junção entre a realidade e a finalidade. Será como você executará as decisões tomadas e pensadas anteriormente, e de que maneira serão abordados os conteúdos.

A realidade, infelizmente, de maneira geral, é muito complicada, cheia de contradições e percalços ao longo do ano. Surgem problemas como o tempo da aula, geralmente curto, a falta de materiais didáticos, a indisciplina dos alunos, a falta de postura rígida entre os professores, a falta de comunicação entre a gestão escolar com os docentes, entre outros inúmeros fatores que prejudicam o andamento escolar.

Vale ressaltar que o planejamento vem de encontro com essas situações, a fim de sanar esses problemas. Tudo que é planejado com antecedência e com comprometimento se torna mais proveitoso, e as chances de dar errado diminuem. O importante é que não se percam essas três dimensões e, portanto, em algum momento, a avaliação, que é o instrumento que aponta de fato qual é a realidade do trabalho, vai aparecer, começando pelo planejamento ou não. 

 

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE GEOGRAFIA PARA FORMAÇÃO DO PROFESSOR

Sabemos que para um bom desenvolvimento da aula, um professor precisa conhecer por inteiro o conteúdo que está se propondo a ensinar.  Tratando-se de Geografia, a aprendizagem dos conteúdos específicos é fundamental, e sabe-se que os conteúdos mais específicos de Geografia, não são aprendidos como deveriam na fase em que o professor ainda é um aluno e quando passa pela universidade.

É certo que os conteúdos mais específicos, como por exemplo, escalas, legendas, mapas, conceitos geográficos (espaço, lugar, território, natureza), entre outros, são aprendidos pelo professor enquanto aluno quando o mesmo era criança, no ensino fundamental. Muitos professores afirmam ter dificuldade com relação a esses e outros assuntos, considerados básicos pela maioria, se tratando de Geografia, mas que na época em que precisava se preparar para tal, com a graduação, foi exposto pela academia de uma maneira mais geral.

 

Ressaltando que sim, precisamos de maneira geral, dos conteúdos aprendidos na universidade, como por exemplo, as didáticas e as metodologias, mas por mais competente que seja o docente da disciplina de Didática em Geografia na universidade, jamais este conseguirá trabalhar com os conteúdos e níveis de ensino necessários para que os futuros professores se desenvolvam o suficiente para a realidade que irão encontrar no ensino básico e médio.

Dado a quantidade de horas que um professor dispõe, levando em conta as formas que hoje estamos de ensino, esse profissional da educação precisa se portar de uma forma muito segura e autônoma para que desenvolva suas habilidades a cerca do conteúdo da melhor maneira possível. Como já falado anteriormente, a forma como aprendemos, na grande maioria será a forma como ensinamos, e nesse caso quanto mais segurança um professor possuir melhor será a forma como lidará com os percalços do dia a dia em sala de aula.

Vale dizer que a falta do conhecimento sobre os conteúdos específicos da Geografia, não é o único problema quanto à formação dos professores da área. Além dos vários fatores que influenciam nessa questão, destacamos esse aspecto dos conteúdos, por ser um dos maiores problemas. Espera-se que um professor de uma área qualquer, tenha conhecimentos, sejam gerais ou específicos, sobre o determinado tema.

Como o curso está voltado para o ensino de Geografia para as séries iniciais, é fundamental que um professor tenha relação com o teórico e a prática, e nesse caso deve ser encarado de forma mais profunda, e não basicamente aquisição dos conteúdos que serão ensinados em sala de aula, como sugere Callai(2002, p.255),

 

“Muitas das discussões que hoje se fazem estão se esquecendo de que se é professor de alguma coisa, e não de tudo ou de qualquer coisa. Depreende-se daí que não é exclusivamente uma questão de estratégias didáticas e posturas pedagógicas. Estes são sem dúvida, aspectos intrínsecos na formação do professor, mas os meios, os instrumentos que lhe permitirão o fazer docente é o conteúdo da ciência com que se trabalha”.

 

 

Seguindo esse sentido dado por Callai, a formação docente é algo formativo e não mecânico, baseado em métodos e técnicas desconexas sem base na realidade vivida em cada escola e em cada sala de aula. Esse é um processo de formação científico, político, ideológico e social que precisa ser entendido como um processo do todo e não somente das partes desagregadas.

Assumindo um papel de destaque, além dos conhecimentos específicos para a Geografia, é importante que um professor das séries iniciais, possua uma ousadia aliada ás diferentes técnicas de saberes. Nessa perspectiva, a formação do profissional está aliada ao processo de melhoria das práticas pedagógicas desenvolvidas em sua rotina de trabalho e em seu cotidiano escolar.  Além disso, a formação está amplamente relacionada com a ideia de aprendizagem constante, no sentido de provocar inovação na criação de novos conhecimentos que darão suporte teórico ao trabalho docente.

O professor é um profissional que precisa despertar nas pessoas a capacidade de aprender algo e se transformar com isto e seguindo esta lógica, entende-se que a formação do professor é indispensável para a prática educativa, a qual se constitui sua profissionalização cotidiana no cenário escolar.

Compreender a formação docente consiste na reflexão de que ser professor é ser um profissional da educação que trabalha com pessoas, e nesse caso com crianças das séries iniciais. Essa percepção induz o profissional da educação a um processo de formação constante, na busca pelo conhecimento e por meio dos processos que dão assistência à prática pedagógica.

 

Neste sentido, a educação é um processo de humanização e, como afirma Pimenta (2010), é um processo pela qual os seres humanos são inseridos na sociedade. Aqui, cabe lembrar Freire (1996), que expressa que o ensinar não se limita apenas em transferir conhecimentos, também no desenvolvimento da consciência de um ser humano inacabado em que o ensinar se torna um compreender a educação como uma forma de intervir na realidade da pessoa e do mundo.

 E ainda de acordo com Demo (2000), a pedra de toque da qualidade educativa é o professor visto como alguém que aprende a aprender, alguém que pensa, forma-se e informa-se, na perspectiva da transformação do contexto em que atua como profissional da educação

 

REFERÊNCIAS  

 

ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos; ALVES, Leonir Pessate. Estratégias de ensinagem. Processos de ensinagem na universidade. Pressupostos para as estratégias de trabalho em aula, v. 3, p. 67-100, 2004.

 

BONAMINO, Alícia; MARTÍNEZ, Silvia Alícia. Diretrizes e Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental: a participação das instâncias políticas do Estado. Educação & Sociedade, v. 23, n. 80, p. 371-388, 2002.

 

BRAGA, Cleonice Maria Barbosa. Aprender e ensinar Geografia: a visão de egressos do curso de Pedagogia da UEFS(Universidade Estadual de Feira de Santana). São Carlos: UFScar, 2006, p. 30;