Esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que dificulta o indivíduo a fazer a distinção entre as experiências reais e imaginárias, pensar de forma lógica, ter respostas emocionais normais e comportar-se normalmente em situações sociais. A doença pode estar ligada a alguns fatores genéticos e ambientais. O risco de desenvolver esquizofrenia sobe para 13%, se um parente de primeiro grau for portador da doença. Quanto mais próximo o grau de parentesco, maior o risco, chegando ao máximo em gêmeos monozigóticos. Se um deles tem esquizofrenia, a possibilidade de o outro desenvolver o quadro é de 50%. Quanto ao fator ambiental, estima-se que para o desencadeamento da esquizofrenia é necessário haver uma interação de fatores gerais que vão desde o nascimento (há um número maior de esquizofrênicos nascidos nos meses mais frios) até fatores dietéticos, mas sem uma resposta muito conclusiva e ela pode afetar tanto homens quanto mulheres. A esquizofrenia geralmente começa na adolescência ou na fase adulta jovem, sendo que nas mulheres tende a começar mais tarde e ser mais branda. Quando tem início na infância aparece depois dos cinco anos. A esquizofrenia infantil é rara e pode ser difícil diferenciá-la de outros transtornos de desenvolvimento da infância, como o autismo.

Emil Kraeplin denominou o transtorno de esquizofrenia como dementia praecox e sugeriu que ele tinha um início precoce e caracterizava-se por uma deterioração intelectual progressiva e irreversível. Sendo que para ele, a palavra esquizofrenia significa “cisão da mente” (esquizo = cisão, frenia = mente). Foi a partir dessas duas características que se derivou o nome do transtorno: Praecox referia-se ao início precoce do transtorno.

Dementia referia-se à deterioração progressiva que ocorre com relação à natureza do transtorno. Kraeplin sugeriu que os sintomas refletiam uma deterioração intelectual como a observada na selinidade e acreditava que o transtorno tinha uma base fisiológica.

O primeiro a utilizar o termo esquizofrenia foi o psiquiatra suíço, Eugen Bleuler em 1911, sobre os pacientes que tinham as características de desligados de seus processos de pensamentos e respostas emotivas. Bleuler não acreditava que o transtorno tinha um início precoce ou que ele inevitavelmente conduzisse à deterioração intelectual, ele usou uma definição mais ampla, incluiu muito mais indivíduos (mais velhos e mais novos, recuperados e crônicos) na classe diagnóstica e ofereceu um prognóstico mais otimista para os indivíduos diagnosticados como portadores de esquizofrenia.

Com relação à natureza do transtorno Bleuler sugeriu que o mesmo envolvia um colapso de fios associativos que conectavam palavras, pensamentos e sentimentos.  Tal colapso foi usado para explicar os sintomas observados na esquizofrenia. E a denominação desse termo “Esquizofrenia” deve-se a esse colapso de associações.

Acreditava que a causa do transtorno tinha uma base fisiológica e que os sintomas poderiam ser influenciados por uma base psicológica, como ele mesmo diz:

“Devemos concluir disto tudo que experiências físicas – usualmente de natureza desagradável – podem sem dúvida, afetar os sintomas esquizofrênicos. No entanto, é altamente improvável que a doença em si seja realmente produzida por tais fatores. Experiências e eventos psíquicos podem liberar os sintomas, mas não a doença”. (Bleuler, 1950, p. 345 in Holmes, 2001).

Na atualidade se aceita a ideia de Kraepelin de que o transtorno é progressivo e irreversível e consiste numa variedade de sintomas em diferentes combinações; e também com Bleuler de que o transtorno pode ter um início tardio e que ele deve ser denominado de esquizofrenia.

ESQUIZOFRENIA – A DOENÇA

A esquizofrenia é um distúrbio mental que apresenta como característica a perda da realidade, ou seja, a pessoa encontra uma dificuldade em diferenciar a realidade de um mundo subjetivo vivenciado internamente com suas próprias crenças, percepções e pensamentos incomuns, assim a realidade apresenta-se de uma forma diferenciada e seus pensamentos passam a ser creditados como verdade, sendo que na realidade não estão acontecendo, essas crenças são denominadas de delírios ou alucinações, como por exemplo, achar que está sendo perseguido, ouvir vozes, ter visões sem que haja um objeto real, entre outras, causando ao mesmo tempo uma anormalidade no relacionamento social e também laboral. (DSM-IV, 2002).

Conforme alguns artigos científicos, a esquizofrenia costuma se manifestar no início da vida adulta, porém pode também ocorrer casos na infância e adolescência, por ser uma fase conturbada, envolvendo transformações físicas e emocionais, novas responsabilidades. Afeta tanto homens quanto mulheres. A idade de início no homem é menor que na mulher, 15 a 25 anos e 25 a 35 anos respectivamente.

 Sendo que, geralmente atinge cerca de 1% da população mundial. Não possuindo uma causa especifica. É uma doença que causa uma alteração no funcionamento cerebral e uma desorganização na personalidade.

Seus sintomas e a gravidade podem variar de indivíduo para indivíduo, e variando também o tipo de esquizofrenia podendo ser diagnosticada como esquizofrenia paranoide, esquizofrenia indiferenciada, esquizofrenia  heberfrênica ou desorganizada, esquizofrenia catatônica, esquizofrenia residual..

O diagnóstico do tipo de esquizofrenia é fundamental para orientar a família ou cuidador e também atribuir o tratamento medicamentoso, que tem como objetivo principal controlar os sintomas, promover a possibilidade de reabilitação do sujeito para a vida, prevenir as recaídas, sendo assim a escolha correta do tipo de medicamento a ser administrado é fundamental para a melhora dos sintomas.

Pacientes com esquizofrenia em geral, são mais isolados, em parte por fatores da própria doença, mas também pelas dificuldades que a doença traz para as vivências cotidianas. Demonstram um déficit cognitivo generalizado, ou seja, eles tendem a ter um desempenho em níveis mais baixos do que controles normais em uma variedade de testes cognitivos. Apresentam múltiplos déficits neuropsicológicos em testes de raciocínio conceitual complexo, velocidade psicomotora, memória de aprendizagem nova e incidental e habilidades motoras, sensoriais e perceptuais. As alterações cognitivas seletivas mais proeminentes na esquizofrenia incluem déficits em atenção, memória e resolução de problemas.

TIPOS DE ESQUIZOFRENIA

  • Paranoide — com predomínio de alucinações e delírios, é a forma que mais facilmente é identificada. Os doentes de esquizofrenia paranoide são desconfiados, reservados, podendo ter comportamentos agressivos.
  • Heberfrênica ou Desorganizado — em que os sintomas afetivos e as alterações do pensamento são predominantes. As ideias delirantes, embora presentes, não são organizadas. Em alguns doentes pode ocorrer uma irritabilidade associada a comportamentos agressivos. Existe um contato muito pobre com a realidade. Com predominante pensamento e discurso desconexo.
  • Catatônico — caracterizado pelo predomínio de sintomas motores e por alterações da atividade, que podem variar desde um estado de cansaço e acinesia até à excitação.
  • Indiferenciado — que apresenta habitualmente um desenvolvimento insidioso com um isolamento social marcado e uma diminuição no desempenho laboral e intelectual. Observa-se nestes doentes uma certa apatia e indiferença relativamente ao mundo exterior.
  • Residual — em que existe um predomínio de sintomas negativos: os doentes apresentam um isolamento social marcado por um embotamento afetivo e uma pobreza ao nível do conteúdo do pensamento.

TRATAMENTO

O tratamento comum consiste em medicamentos antipsicóticos para controlar o episódio psicótico agudo e evitar novas crises, porém não são suficientes. O acompanhamento deve ser feito por uma equipe multiprofissional, com base numa boa relação com o paciente e a família e atendimentos frequentes. São necessárias também abordagens de terapia ocupacional, psicoterapia individual, grupal ou familiar para se obter melhor reabilitação e reintegração do paciente ao convívio social.   A orientação à família e o acompanhamento por equipes de apoio social e comunitárias também são medidas importantes para melhorar a eficácia do tratamento.

Nos casos mais graves, em que existe risco para a própria pessoa ou para os outros, pode ser necessário recorrer a internamento hospitalar involuntário, embora atualmente os internamentos sejam mais curtos e menos frequentes em relação ao passado.

FAMÍLIA

A família tem um papel tão importante tanto quanto o tratamento médico. Deve-se dar apoio à pessoa, não a deixando abandonar o tratamento e medicamentos, visar a aceitação da doença e a busca da recuperação. Entretanto para a família também não é fácil conviver com um familiar esquizofrênico e as críticas da sociedade; eles precisam também de apoio e orientação, para poder lidar melhor com os conflitos do dia a dia.

A intervenção familiar é uma alternativa indispensável no primeiro episódio esquizofrênico. Sabe-se que, no momento em que a família se depara com a nova situação, ocorre uma desorganização do grupo na tentativa de se adaptar, ocorrem medos e receios, pois quando um familiar adoece com a esquizofrenia, os demais desorientam-se, pois têm de lidar com dificuldades e exigências completamente novas, que são marcadas por muito estresse e confusão e por não saberem o que fazer para lidar com o problema. Se a família não for ajudada neste momento, sua adaptação pode resultar em modelos de relacionamento que contribuem pouco para a estabilização e melhora do paciente e, leva todo o grupo ao sofrimento mental. Uma adaptação mais positiva pode ser de grande valor para a recuperação e inclusão do doente mental e para a qualidade de vida de todo o grupo.

Portanto, é indispensável que a família possa receber orientações quanto as características da doença, para dar conta de cuidar e seguir com o tratamento de seu ente querido, e poder repassar informações sobre pessoas que tem transtornos mentais, para que com isso se reduza a discriminação e o preconceito.

CONCLUSÃO

A intervenção familiar é uma alternativa indispensável no cuidado do paciente esquizofrênico.  Destaca-se também que o paciente deve levar uma vida mais próxima a sua rotina possível.

Com isso então, ressalta-se a importância do incentivo e apoio aos pacientes com o intuito de desenvolverem atividades laborais, sejam em oficinas nos Centro de Apoio Psicossocial (CAPS) ou através de parcerias com outras instituições, independente de remuneração, mas visando a ressocialização dos pacientes e maior autonomia e independência destes, aliviando a sobrecarga também destes cuidadores.·.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DSM-IV – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Trad. Cláudia Dornelles; – 4.ed.rev. – Porto Alegre: Artmed, 2002.

HOLMES, David S. Psicologia dos Transtornos Mentais. 2ª ed. Porto Alegre: ARTMED S.A., 2001

 

Deise Kipper

Três Passos - RS
Psicóloga Clínica e Organizacional / Consultora de Rh / CRP 07/27064

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