Importância da Gestão da Qualidade na Indústria de Alimentos

Como consequência de um mercado cada vez mais competitivo e crescente valorização das necessidades dos clientes, muitas empresas estão implementando políticas de gestão da qualidade com o objetivo de garantir a satisfação de seus clientes (LOPES, 2014).

Na indústria de alimentos a importância da gestão da qualidade fica visível, uma vez que além do foco na satisfação que o produto proporciona aos seus clientes, a qualidade está diretamente relacionada à saúde e segurança alimentar. Além disso, uma eficiente gestão da qualidade causa um impacto diretamente nos custos e, consequentemente, na rentabilidade das empresas (TELLES, 2014).

 Gestão da Qualidade

Segundo Paladini (2000), na esfera industrial, a gestão da qualidade tem foco no processo produtivo, a partir de onde se pode gerar um produto perfeitamente adequado ao uso. A qualidade assim aparece no produto, resultado do processo. Várias são as evidências da importância da implementação do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) em indústrias de alimentos, como:

  • Consumidores e mercados cada vez mais exigentes por qualidade;
  • Conceitos como foco no cliente e melhoria contínua dos processos;
  • Diminuição da contaminação;
  •  Aumento da exigência do certificado do sistema de gestão da qualidade NBR ISO 9001 entre outros (CARPINETTI, 2012).

As principais razões que levam as empresas a tencionar pela certificação do sistema de garantia da qualidade são a necessidade de satisfação dos clientes e a melhoria contínua da qualidade dos seus produtos (DUARTE, 2012). A Gestão da Qualidade consiste no conjunto de atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização com relação à qualidade, abrangendo desde o planejamento, o controle, a garantia e a melhoria da qualidade, sendo que em todas as etapas pode-se estar presente a melhoria da qualidade. A partir desse conceito surge o conceito de Gestão da Qualidade Total (TQM – Total Quality Control) (PALADINI et al., 2012).

A aplicação da TQM dentro das organizações está vigorosamente associada à melhoria contínua, na qual é entendida como um processo de mudanças culturais e comportamentais e que podem ser colocados em prática através de sistemas, métodos ou técnicas gerenciais e/ou operacionais, que resultam na melhoria da organização e agregam valor (LOPES, 2014).

Normas ISO e sua importância

A ISO (International Organization for Standardization) é uma organização governamental internacional que reúne mais de uma centena de organismos nacionais de normalização. Apresenta o objetivo de promover o desenvolvimento da padronização e de atividades correlacionadas, visando tornar viável o intercâmbio econômico, científico e tecnológico. A padronização é importante para permitir a análise crítica e a consequente melhoria dos métodos e procedimentos das organizações, pois auxilia uma perspectiva concreta (documentos e registros) do que analisar e melhorar. Uma das formas de padronização é através da implementação das normas NBR ISO 9001 (MARSHALL JUNIOR et al., 2010). Segundo Lopez (2014), a padronização a nível mundial dos aspectos relacionados com a qualidade permite a adoção de um vocabulário comum entre as organizações, os seus clientes e fornecedores. Os requisitos da norma ISO 9001 – Sistema de Gestão da Qualidade, focam na orientação das empresas quanto à gestão da qualidade na busca pela melhoria contínua e consequentemente na manutenção da competitividade das empresas (ESPERANÇA et al., 2016). A partir dessa norma, a ISO criou-se um procedimento de certificação obtido através de um processo de auditoria de certificação emitido por um organismo de terceira parte devidamente acreditada, tendo como resultado a emissão de um certificado de conformidade que comprova que a organização tem em funcionamento um SGQ que cumpre com todos os requisitos da norma de referência (MENDES, 2007). Uma das características principais da norma NBR ISO 9001 é que seus requisitos além de influenciarem sobre a qualidade final do produto e sobre a satisfação do cliente, atuam também na redução do desperdício, no tempo de parada dos equipamentos, na ineficiência da mão de obra, resultando em um aumento da produção. Para a Indústria de Alimentos é importante também a implementação de normas que estabeleçam a segurança do alimento, ou seja, que não resulte em danos à saúde do consumidor. Assim, foi estabelecida a norma NBR ISO 22000- Segurança de Alimentos com o intuito de garantir um Sistema de Gestão da segurança de alimentos eficaz que considere todos os prováveis perigos de toda a cadeia produtiva (NOGUEIRA & DAMASCENO, 2016).

Ferramenta e programas para a gestão da qualidade

Conceitualmente, os programas e ferramentas são mecanismos simples para selecionar, implantar ou avaliar alterações no processo produtivo por meio de análises objetivas de partes bem definidas deste processo (PALADINI et al., 2012).

Ainda segundo o mesmo autor, os programas e ferramentas orientam a ação do usuário de forma a transformar a teoria em prática. Assim, esses recursos não geram, por si só, melhoria, e nem implantam alterações. Nesse contexto as ferramentas e os programas da qualidade exercem um papel importante, uma vez que, a partir da análise dos dados do processo, podem-se identificar problemas prioritários, observar e coletar dados, analisar e buscar as causas-raízes, planejar e programar ações e verificar resultados (CARPINETTI, 2012). De acordo com MARSHALL JUNIOR et al. (2010), o ciclo PDCA é o programa gerencial mais utilizado para a promoção da melhoria contínua. Pratica-se as suas quatro fases de forma cíclica e ininterrupta, como o objetivo de promover a melhoria contínua e sistemática na organização, consolidando a padronização de práticas. As quatro etapas do PDCA são:

• 1º – Plan – Nesta etapa planeja-se o aprimoramento do processo definindo as metas e os métodos que serão utilizados.

• 2º – Do – Nesta fase implementa-se o planejado. É preciso fornecer educação e treinamento para a execução dos métodos desenvolvidos na fase de planejamento. Ao longo dessa fase devem-se coletar os dados que serão utilizados na fase de verificação. • 3º – Check – É quando se verifica se o planejado foi consistentemente alcançado através da comparação entre as metas desejadas e os resultados obtidos. Normalmente, utilizam-se as ferramentas de controle.

• 4º – Act – Nesta fase deve-se agir corretivamente e buscar as causas do não atingimento das metas ou padronizar o processo que foi eficaz.

Referências

CARPINETTI, L. C. R. Gestão da qualidade: conceitos e técnicas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

DUARTE, C. I. P. Implementação do sistema de gestão da qualidade NP EN ISO 9001: 2008 numa indústria de produção de presunto. Tese (Doutorado da Faculdade de Ciências e Tecnologia). 2012.

ESPERANÇA, R. M. et al. Análise Comparativa dos Requisitos da Norma ISO 9001: 2008 com a DIS ISO 9001: 2015. Revista de Administração da Fatea, São Paulo, v. 11, n. 11, 2016.

LOPES, J. C. C. Gestão da qualidade. Tese (Doutorado – Universidade Europeia). 2014.

MARSHALL JUNIOR, I. et al. Gestão da qualidade. 10. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2010.

MENDES, M. F. O impacto dos sistemas QAS nas PME portuguesas. 2007. Dissertação (Mestrado – Universidade do Minho) Portugal, 2007.

NOGUEIRA, M. O.; DAMASCENO, M. L. V. Importância do sistema de gestão da qualidade para indústria de alimentos. Cad. Ciênc. Agrá., v. 8, n. 3, p. 84-93. 2016.

PALADINI, E. P. Gestão da Qualidade: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2000.

TELLES, L. B. Ferramentas e sistema de custo aplicados a gestão da qualidade no agronegócio.  Dissertação (Mestrado – Universidade Tecnológica Federal do Paraná). 2014

Anna Carolina Bacha de Holanda

Pouso Alegre - MG

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