Informática na educação – ferramenta de apoio ao ensino e de estruturação do profissional do futuro

Resumo: A informática na educação se apresenta como uma inovação nas metodologias educacionais, fazendo uso da tecnologia no ambiente das escolas e trazendo o universo digital para o dia a dia das crianças e adolescentes. Esse artigo procura salientar que, além disso, a inclusão digital, mesmo precoce, ajuda a formar o perfil do profissional do futuro, tendo em vista as transformações decorridas dos avanços tecnológicos no mercado de trabalho; mostrando através da breve história da informática e sua evolução os fatores que levaram a informática a se tornar parte intrínseca do nosso cotidiano. Motivo pelo qual escolas, educadores e alunos devem estar preparados para lidar com a máquina e conseguir extrair dela o seu melhor, ao passo em que ambos crescem e evoluem juntamente com a tecnologia.

Palavras-Chave: Informática na Educação, inclusão digital, formação profissional.

Abstract: The computer science in the education comes as an innovation in the educational methodologies, making use of the technology in the atmosphere of the schools and bringing the digital universe day by day for the of the children and adolescents. That article tries to point out that, besides, the inclusion digital, same precocious, helps to form the professional's of the future profile, tends in view the elapsed transformations of the technological progresses in the job market; showing through the abbreviation history of the computer science and your evolution the factors that took the computer science becoming intrinsic part of our daily one. Motivate for which schools, educators and students should be prepared to work with the machine and to get to extract of her its best, to the step in that both grow and they develop together with the technology.

Keywords: Computer science in the Education, digital inclusion, professional formation.

1. Introdução

Seria inconcebível, nos dias atuais, que as engrenagens do nosso Mundo Globalizado trabalhassem sem a informática. A rapidez necessária no processamento de informações não seria possível sem os avanços tecnológicos. Vemos-nos hoje cercados pela tecnologia – na indústria, no comércio, nas telecomunicações, em nossas próprias casas e nas escolas. Nossas crianças e adolescentes estão cada dia mais cedo tendo o primeiro contato com o mundo digital. Novos termos para o vocabulário, novos métodos educacionais e um vertiginoso aumento de informação a ser assimilada em curto espaço de tempo. A informática é atualmente, parte tão intrínseca no panorama sócio-econômico, que todos nós, direta ou indiretamente somos afetados.

Novas profissões surgiram, outras simplesmente se tornaram obsoletas. Todas essas transformações são decorrentes de uma evolução que acompanha o homem, desde a descoberta do fogo em tempos remotos até a criação da máquina de calcular pelo francês Blaise Pascal em 1644. Em meados de 1830 o matemático inglês Charles Babbage criou a primeira calculadora automática controlada por um programa – a máquina diferencial, considerada por muitos como o primeiro computador (ZAMBALDE; ALVES, 2002).

Toda invenção ou descoberta se concretizou a partir de um conceito anterior, assim o homem foi capaz de criar e recriar, aprimorando seu conhecimento e trazendo inovações para as futuras gerações. Passados 175 anos, percebemos que os computadores se tornaram agentes de um universo de transformações na sociedade, onde a informação é o bem mais valioso, e onde as distâncias se tornaram irrelevantes.

No Brasil a informática chegou em 1924, quando a International Business Machines (IBM) foi autorizada a operar no país; em 1939 a primeira fábrica da IBM foi inaugurada no Rio de Janeiro. Nessa época a informática era caracterizada pela importação da tecnologia de países como os Estados Unidos. Somente grandes empresas, universidades e órgãos governamentais tinham acesso aos chamados computadores de grande porte. Na década de 70 o volume de vendas justificou a instalação das primeiras montadoras multinacionais. Nessa mesma época começou a desenvolver-se uma competência tecnológica nacional, a partir do trabalho de algumas universidades, como e Universidade de São Paulo (USP), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). “Em 1972, foi construído na USP o primeiro computador nacional, o Patinho Feio” (Larousse, 1988; Dantas, 1988).

O desenvolvimento da informática no Brasil deu-se de forma rápida e o mercado brasileiro se adequou de forma rápida aos avanços tecnológicos. Em pouco mais de meio século, o Brasil conseguiu alcançar um lugar de destaque no cenário mundial de informática. Mundialmente os computadores estão no mesmo patamar de hardware e software e atualmente a grande demanda no mercado é do que chamamos de peopleware – mão de obra especializada e capaz de trabalhar com os computadores de forma a tirar deles o melhor aproveitamento possível. Com a globalização da economia, os avanços na informática e nas telecomunicações, com a Internet ganhando cada vez mais espaço, novos empregos surgiram e estão surgindo a cada dia. Para tanto é necessário que nossos futuros profissionais estejam ambientados com a tecnologia, com o que será parte de suas vidas. Nas escolas a relevância de se ter os computadores se dá no âmbito didático e de formação profissional, tendo em vista todas as transformações ocorridas na sociedade nesse século, onde as máquinas se incorporaram em todos os segmentos da indústria, comércio e telecomunicações. Criou-se uma nova forma de se executar todas as tarefas, mais fácil e dinâmica, onde a capacitação profissional ainda é escassa. Como sinônimo de novos tempos, a informática mudou e vem mudando o cotidiano das pessoas, e nossas crianças e adolescentes, como numa forma de adaptação natural aos acontecimentos, precisam se preparar para o novo tempo da informação e da tecnologia.

2. Aspectos da Educação no Brasil

A educação no Brasil ainda se encontra muito inflexível, com cargas horárias, calendários, conteúdos preestabelecidos que visivelmente impedem que o aluno estimule a criatividade, a reflexão e a descoberta das novas tecnologias. É necessário implantar nas crianças e adolescentes a necessidade do aprendizado da informática, de forma que o aprender se torne menos maçante. As crianças se encantam rapidamente pelos computadores e suas cores, sons e imagens, o que torna o seu uso atrativo. A realidade da educação no Brasil está longe de ser a ideal para o novo contexto educacional: as escolas ainda se encontram precariamente equipadas para a chamada inclusão digital. É claro que estamos passando por um desenvolvimento, o que demanda tempo e investimentos altos em equipamentos, no treinamento e atualização dos profissionais da educação.

Todas essas iniciativas demonstram o interesse do governo federal em tornar a escola compatível com a atualidade e fazer com que a sociedade caminhe lado a lado das mudanças tecnológicas que estão ocorrendo no cenário mundial. Implantando o parque de informática, treinando profissionais para lidar com a tecnologia abrindo um leque de possibilidades para atrair a atenção dos alunos com o apelo áudio-visual que a informática permite e com a disseminação da cultura tecnológica – aliando a tecnologia, a rapidez da informação ao contexto sócio-cultural da escola; de forma que o computador seja, assim como o quadro-negro e o giz partes intrínsecas da escola.

3. Informática na Educação no Brasil

A Informática na Educação no Brasil teve início e 1980 com a criação pela Secretaria Especial de Informática (SEI) da Comissão Especial n.º 01: Informática na Educação com a finalidade de ser um segmento de apoio ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) e à SEI, assim poderiam colher subsídios e gerar normas e diretrizes para o novo campo que se abria na Educação. Em 1981 e 1982 foram realizados os primeiros Seminários de Informática na Educação que deram origem ao Projeto EDUCOM¹ em 1983. O MEC é, desde então encarregado de dar continuidade nos projetos relacionados à Informática na Educação.

A princípio, a Informática na Educação seria pautada pelos valores culturais e pedagógicos da realidade brasileira. O que mostra que se apostava na potencialidade do mercado de informática no País, o que implicava na formação e capacitação de mão de obra para atender essa potencialidade (que na época era trazido de empresas estrangeiras). Foram assim criados cursos de curta duração, de graduação e pós-graduação na área de Informática, permitindo independência da mão de obra estrangeira, preparando o País para a nova tecnologia.

Em 1983 a Secretaria Geral do MEC apresenta as Diretrizes e Bases para o Estabelecimento da Política de Informática no setor Educação, Cultura e Desporto. Apresenta a referência para a Política de Informática, visando capacitação tecnológica para o desenvolvimento econômico e social, uma evolução no tratamento da Informática no Brasil, que passou a ser vista não somente como parte de experimentos acadêmicos, mas sim como parte de uma evolução econômica e cultural.

Em 1985 o MEC elaborou o Plano Setorial de Educação e Informática, que visava investir recursos em cursos de reciclagem de profissionais tanto de nível médio quanto superior, objetiva também reequipar os laboratórios das escolas e universidades e informatizar as bibliotecas. Em 1986 o MEC criou o Programa de Ação Imediata em Informática na Educação de 1º e 2º graus propondo o desenvolvimento de pesquisas, treinamentos, visando a produção, aplicação e disseminação da tecnologia de Informática no País.

Em 1987 foram realizados o Primeiro Concurso Nacional de Software Educacional e o primeiro Projeto Formação de Recursos Humanos em Informática na Educação (FORMAR). Em 1991, o presidente Fernando Collor, promoveu o desmonte da política de informática. Analisando os primeiros anos do desenvolvimento da Informática na Educação, percebemos que os programas criados não conseguiram atingir seus objetivos, pois a capacitação obtida não era suficiente para atender a demanda do mercado – de forma que as empresas financiaram a formação de profissionais de alto nível; apesar de ter sido mais coerente que a formação de base, ou seja, para a formação de crianças, adolescentes e educadores no intuito de melhorar a qualidade do ensino pouco se fez. Aspecto que tornou a informática tão elitista.

Durante os anos noventa vários problemas ocorreram no desenvolvimento da Informática na Educação, principalmente devido à precariedade do ensino na rede pública e ao descaso dos governantes quanto à qualidade na educação.

Os educadores envolvidos no Projeto EDUCOM apostaram numa nova proposta pedagógica com o uso da Informática na Educação, onde compartilhar, construir e aprender com a tentativa e o erro fossem os princípios de uma nova metodologia de ensino. Foi introduzida a Linguagem de Programação LOGO, que abriu um leque de possibilidades diante da educação tradicional, permitindo ao aluno usar a criatividade.

Em 1997 foi criado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO) para promover a introdução da Informática no ambiente educacional. Esse programa é desenvolvido pela Secretária de Educação a Distância (SEED) em parceria com as secretarias Estaduais e Municipais de educação.

O PROINFO foi responsável pela criação do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) que é responsável pela capacitação dos educadores para a utilização dos computadores como ferramenta didática. Possuem infra-estrutura de hardware e software necessária para promover a inclusão digital.

No ano 2000 foi criada a Universidade Virtual Pública do Brasil (UNIREDE), que nasceu objetivando implantar um conjunto de aplicações estratégicas voltadas para a recuperação do ensino superior público, disseminando a educação assistida por meios interativos através da Internet.

Nos últimos anos, com a criação e a implantação dos NTEs nos municípios, a Informática na Educação tomou um caráter mais sério, as escolas públicas contam com laboratórios de informática, quase sempre com acesso a Internet, os professores tem recebido treinamentos para se adequarem a essa nova realidade, onde é possível aliar o uso dos computadores às disciplinas, tornando o aprendizado adequado ao novo contexto, recuperando nas crianças e adolescentes o interesse pelas disciplinas. Faltam ainda algumas características que permitam que os alunos tenham acesso a conhecimentos específicos no manuseio do computador, tendo em vista as necessidades que esse próprio aluno terá no futuro ao ingressar no mercado de trabalho. É claro que os investimentos no setor devem permitir a manutenção do parque de informática das escolas, a aquisição de novos computadores, de uma quantidade maior de máquinas e que cada vez mais os educadores tenham conhecimentos de informática, pois a falta de conhecimento por parte do professor limita o aprendizado do aluno. Estamos vivendo um momento em que o conhecimento do professor deve ir além da disciplina que ele leciona, ele precisa saber lidar com essa nova ferramenta educacional.

4. Os Educadores Nesse Novo Contexto Educacional

No nosso modelo educacional, o professor se apresenta como uma figura central no processo de ensino, detentor do conhecimento e responsável por transmiti-lo aos alunos. Com todas as transformações ocorridas desde a chegada dos computadores às escolas, os educadores se viram obrigados a se adaptarem a esse novo contexto. Por mais que o professor seja capacitado didaticamente, o conhecimento técnico é na maioria das vezes uma grande barreira ao processo de introdução da informática no dia a dia das escolas.

Para que os profissionais da educação sejam capacitados para as novas tecnologias são realizados treinamentos pelos NTE que possuem profissionais de informática capacitados para ministrar cursos para os educadores de forma a permitir que eles estejam preparados para se utilizar dos recursos computacionais disponíveis nas escolas.

Quando falamos sobre educadores, não nos referimos somente aos professores, mas sim a todos os responsáveis pelo processo pedagógico – os diretores também são responsáveis por este processo e atuam como multiplicadores dos conhecimentos obtidos durante os cursos e treinamentos.

A realidade das escolas públicas se reflete diretamente na qualidade do ensino. Mesmo com os programas como o PROINFO, os investimentos com a educação não tem sido significativos no que diz respeito aos professores. Notadamente os educadores se apresentam insatisfeitos com as condições de trabalho, com os baixos salários e com as salas superlotadas. Há uma grande dificuldade de se garantir que os programas criados pelo governo federal alcancem todas as unidades de ensino e principalmente os profissionais da educação. Para reverter-se essa situação foram criados os NTE, que apesar de sua importância para a disseminação da informática para os professores, ainda tem se mantido muito distantes efetivamente dos professores, pelos problemas que as escolas públicas estaduais tem, pelas dificuldades enfrentadas pelos professores e pela falta de conscientização de toda a sociedade da importância de se ter inserido no ambiente educacional a informática.

É muito importante que os educadores estejam preparados para se utilizar dos recursos computacionais em suas aulas, e é importante também que eles estejam conscientes da importância de se ter intimidade com os computadores de forma a extrair deles o melhor possível dentro do ambiente de ensino.

Sabrina Horácio Torres

Duque de Caxias - RJ

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