Noções Básicas em Saúde Pública e Saúde Coletiva

 Saúde pública  e Saúde Coletiva : Esses dois termos são  facilmente confundidos pelo público leigo,  que  não  consegue distinguir as diferenças  sutis, porém determinantes existentes entre  eles.        Saúde Pública  diz respeito ao diagnóstico e tratamento de doenças, E a tentativa de assegurar que indivíduo tenha, dentro da comunidade, um padrão  de vida que lhe assegure a manutenção  da saúde. Já o conceito  de saúde  coletiva surgiu  para  designar  os novos  conteúdos e projeções da disciplina que resultou do movimento sanitarista latino-americano e da corrente da reforma sanitária no Brasil.

Medicina, Saúde e População 

A preocupação  com a saúde  da sociedade  remota  desde a antiguidade,  a necessidade  de criar um conceito sanitário que abrangesse essas necessidades  foi se desenhando  ao longo dos anos. 

Atualmente  entre os inúmeros termos que permeia a saúde  da sociedade como um todo, podemos  citar a saúde  pública e a saúde  coletiva como os termos mais recorrentes.

Embora a saúde  coletiva sempre tenha sido o objetivo de intervenções,  Rosen  demonstra que é  no momento da consolidação  doa Estados  nacionais modernos, com o mercantilismo  e o absolutismo,  que as populações passam a ser consideradas em si mesmo uma riqueza  a ser preservada  e multiplicada. Cabe ao poder público, então,  contar o número  de súditos,  conhecer  sua condição  de vida – incluindo  as taxas de natalidade  e de mortalidade – É agir para promover  o crescimento  e a saúde  da população. 

No Brasil, as intervenções  sobre a saúde da coletividade ganham força  durante a República  Velha, como estratégia  de saneamento dos espaços  de circulação da economia  cafeeira. É  a época  de Oswaldo  Cruz  e das campanhas  sanitárias , em que se destacam  as medidas  de saneamento  voltadas  à  erradicação  da Febre  Amarela urbana e a vacinação obrigatória  contra a varíola. 

A partir do Estado Novo, as campanhas se institucionazam  em programas de saúde  pública e, depois de 1953, no Ministério  da Saúde.  Nessa época  , relacionada inicialmente à  exploração  da borracha  natural,  na Amazônia,  durante a 2" Guerra Mundial,  o modelo norte-americano  de organização  de programas  de saúde é  adotado pelo governo  brasileiro  com a criação  do Serviço  Especial  de Saúde  Pública . 

Todos  esses  movimentos  de ideologias e intervenções  sobre a saúde  das populações,  ainda que longínquo na história,  são  importantes  para a discussão  que, nos anos 70, no Brasil,  leva a ideia de saúde  coletiva.  O mais importante  de todos,  como inspiração  politico-ideologia, é,  certamente,  a Medicina  Social , concebida durante  as revoluções  de 1848, na Europa,  que identifica  na estrutura social  classista o principal  determinante da condição  de saúde da   coletividade. 

Nessa discussão,  a referência  aos movimentos  históricos  e, em especial , a Medicina  Social, é  motivada  pela  difusão,  no Brasil,  de duas outras ideologias  sanitárias,  articuladas nos Estados Unidos, nos anos 1950 e 1960, que são  vitais  para a crítica  à  Saúde  Pública e a concepção  da Saúde  Coletiva: a Medicina  ou a Saúde  Comunitário. 

A Medicina  Preventiva surge, nos Estados Unidos,  nos anos de 1950, a partir  da percepção de uma crise da prática  médica, decorrente  do Crescimento  da especialização e dos custos  da atenção e das dificuldades  de expansão  da cobertura.  Comi resposta  de viés liberal, procura manter  afastada a possibilidade de intervenção  estatal na organização dos serviços  de saúde,  prometendo  melhorias na prática  médica  através  de mudanças na educação médica. Assim,  as reformas defendi se têm a um projeto  pedagógico,  e não a uma reforma da organização  da assistência,  Na prática,  a grande  inovação é  a criação,  nas faculdades  de medicina,  Dos departamentos  de medicina preventiva, responsáveis pelo ensino  da epidemiologia e da bioestatistica, , de ciências  da conduta como a psicologia e a socióloga e da administração  de serviços de saúde.  

Propôe-se dessa forma, a superar o neologismo, o individualismo e o hospitalocentrismo de formação,  buscando desenvolver nos estudantes  de medicina uma visão completa-biopsicossocial-do indivíduo. 

A prática  da saúde  coletiva  requer do profissional  uma atitude que vai além  da observação,  diagnóstico  e prescrição  de tratamento ao paciente, este como indivíduo isolado. Essa atit6 meramente prescritos é  inclusive criticada  pela pesquisadora e professora da escola de enfermagem  da USP, Rosa Maria Godoy Serpa de Fonseca.  Segundo  ela, ouvir o paciente é  muito  mais importante  do que apenas prescrever remédios e procedimentos. 

Cabe ao profissional da saúde  coletiva analisar o processo  saude-doenças de uma dada coletividade ,considerando o contextosocial  historicamente determinado em que ela se insere.  Essa análise  dará  a ele condições  de intervir na realidade, promovendo  mudanças  e melhorias naquela comunidade.

Reiterando  A diferença  entre esses dois conceitos, a pesquisadora Emico Yoshikawa  Egry  observa que saúde  coletiva não  é  apenas mais um novo termo, um neologismo, como tende a pensar o público leigo, E sim uma concepção  completamente  diferente  de saúde  pública. 

Toda saúde pública é coletiva, mas nem toda saúde coletiva é pública. 

Maria Silvani Fernandes

Várzea Alegre - CE

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