Pressupostos Teóricos e Metodológicos da Educação Especial

Sabemos que a figura do professor em uma escola que trabalha numa perspectiva de Educação Inclusiva é de essencial relevância, todavia, não podemos menosprezar o papel do gestor escolar frente a este processo. Mesmo porque, a educação inclusiva traz à emergência de se prever e prover uma escola que atenda a todos os alunos, sem nenhum tipo de discriminação, com o compromisso de toda comunidade escolar estar envolvida, de forma a contribuir com a transformação destes espaços educativos.

      Tendo em vista a importância da gestão no processo de construção de escolas inclusiva, este estudo teve como objetivo identificar por meio de revisão da literatura da área especializada, as recomendações referentes ao papel dos gestores pedagógicos no que concerne a inclusão de alunos com NEE no ensino regular, com destaques à organização de escolas inclusivas.

Pressupostos teóricos e metodológicos da Educação Especial

      Muito embora a legislação vigente e os documentos normativos estejam impulsionando, ou mesmo norteando a organização de sistemas educacionais inclusivos, é mister destacar que sem mudança de postura, que deve ser desenvolvida por todos os protagonistas que fazem parte da comunidade escolar, será quase impossível tornar tais políticas efetivas. Haja vista que não se trata de uma simples inserção de alunos com NEE nos sistemas regulares de ensino, mas sim, de uma reestruturação em relação à cultura, a prática e as políticas vivenciadas nas escolas, de modo que estas respondam à diversidade de alunos.

      Durante séculos, os estabelecimentos de ensino regular foram considerados espaços educativos, destinados aos alunos que necessariamente se enquadravam nos padrões de normalidade estabelecidos ideologicamente por uma sociedade excludente. De acordo com análises de Dall’Acqua e Vitaliano (2010,p. 25 ) “a escola se organizou historicamente para ser indiferente às diferenças, com práticas homogêneas e excludentes que se distanciam das propostas destinadas as escolas inclusivas”, uma vez que esta se destina a atender a todos os alunos, sem distinção em relação às especificidades humanas.

      Diante o processo educacional inclusivo, cabem as escolas de ensino regular desenvolver não só uma nova política educacional congregada a uma prática inclusiva, mas também o desenvolvimento de uma nova cultura escolar, pautada nos direitos humanos, em especial, ao direito de todos os alunos se beneficiarem de um ensino de qualidade, tendo como pressuposto básico o princípio de igualdade. De acordo com Beyer (2006) não basta o professor, por si só, desenvolver práticas destinadas à inclusão de alunos com NEE.

      Se não houver o acolhimento, bem como a conscientização de todos os que estão envolvidos neste processo, as propostas destinadas a educação inclusiva não serão efetivadas. Haja vista que mesmo que o professor desenvolva uma prática inclusiva em sala, atendendo as NEE dos alunos, proporcionando um ambiente acolhedor e não excludente, pode-se correr o risco desses alunos se depararem, no próprio contexto educacional, com situações constrangedoras, que necessariamente irão contribuir para o processo de exclusão.

O papel do gestor pedagógico em relação às práticas pedagógicas

      Azevedo e Cunha (2008) citaram que é importante que os gestores pedagógicos conheçam, por meio de pesquisas e relatos, aspectos reais do contexto escolar inclusivos, objetivando dessa forma identificar as possíveis barreiras que possam estar interferindo no desenvolvimento. Na mesma perspectiva, Duk, (2005) ao analisar o papel da gestão nos contextos educacionais inclusivos acrescenta que cabe a esse profissional: atentar-se às necessidades apresentadas no contexto escolar inclusivo, objetivando, dessa forma, identificar possíveis barreiras, sejam elas de ordens materiais ou mesmo de recursos humanos, a fim de possibilitar o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos com NEE do referido processo.

     Para Penaforte, (2009) o desafio do gestor pedagógico é desenvolver estratégias instrucionais que possibilitem respostas às variadas necessidades e situações de aprendizagem. Para tanto, cabe a ele, além de diagnosticar as possíveis necessidades dos professores, perante o processo de inclusão de alunos com NEE, encontrar alternativas viáveis que possam contribuir não só com a prática inclusiva do professor, mas também com o aprendizado dos alunos, seja qual for sua necessidade.

      Esta autora cita vários exemplos de instruções que são importantes entre, elas destacamos: auxiliar os professores na identificação das NEE apresentadas pelos alunos; elaboração de currículos dinâmicos, flexíveis e adaptáveis, que permita ajuste ao fazer pedagógico de acordo com as necessidades dos alunos; desenvolver adaptações físicas e sociais, estabelecendo redes de apoio que possibilite um trabalho compartilhado entre profissionais do ensino regular, profissionais especialistas e comunidade escolar; auxiliar os professores no desenvolvimento de metodologias de ensino diferenciadas; possibilitar aos professores momentos de reflexão em relação aos processos educacionais inclusivos.

     Dutra e Griboks, (2005, p.3) também fazem uma análise semelhante, destacando o trabalho participativo, orientado pela gestão pedagógica, como um trabalho fundamental no processo educacional inclusivo, na medida em que todos os envolvidos no processo de 14 ensino/aprendizagem colaboram no que concerne às reflexões em relação às dificuldades identificadas no contexto educacional, como também na definição dos objetivos, do planejamento, na elaboração de propostas e planos de ação, na tomada de decisões, enfim: “na implementação e acompanhamento do projeto educacional com vistas à construção de escolas inclusivas, abertas a participação e aprendizagem de todos os alunos”.

Considerações Finais

      Acredita-se que o gestor pedagógico é um dos profissionais que se destaca no contexto educacional inclusivo, em consequência do papel que exerce, na medida em que cabe a ele planejar e organizar a escola, de forma que esta atenda as NEE dos alunos que ali se encontram. Logo, é imprescindível que o gestor pedagógico se conscientize da importância de se prover uma escola inclusiva e de promover ações que viabilize esta proposta, mesmo porque, todos que compõem a comunidade escolar, estarão se espelhando em suas ações.

     Com base nas análises dos referidos autores em relação ao processo educacional inclusivo e as contribuições da gestão pedagógica para o desenvolvimento do referido processo, consideramos que cabe ao gestor pedagógico: prover os recursos materiais e humanos necessários ao desenvolvimento do processo de aprendizagem dos alunos com NEE; auxiliar os professores no desenvolvimento de metodologias e estratégias de ensino diferenciadas que favoreça o processo educacional inclusivo; possibilitar, no contexto escolar, momentos de reflexão com relação às práticas pedagógicas inclusivas, de forma que todos os participantes do referido processo possam participar na definição dos objetivos, no planejamento, bem como, na elaboração de propostas e planos de ação que possibilite a quebra das barreiras que estejam impedindo o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos com NEE.

     Neste contexto, desenvolver práticas que desenvolver práticas que favoreçam o princípio da Educação Inclusiva, motivando todos os participantes a aderirem a este processo, contribuir com as práticas dos docentes para a obtenção de uma atitude inclusiva, bem como a democratização do ensino, é tarefa indispensável dos gestores pedagógicos.

Referências

ALVES, C. N. (2006. O Coordenador Pedagógico como Agente para a Inclusão. In: SANTOS, M.P; PAULINO, M. M. (orgs.) Inclusão em Educação: culturas, políticas e práticas. São Paulo: Cortez, pp.83-106.

BEYER, H. O. Da integração escolar à educação inclusiva: implicações pedagógicas. In: BAPTISTA, C. R. (Org.) Inclusão e Escolarização: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Mediação, 2006. p. 73 -81.

CARVALHO, R. E. Educação inclusiva: com os pingos nos “is”. Porto Alegre: Mediação, 2004. 176 p.

DALL’ACQUA, M. J. C.; VITALIANO, C. R. Algumas reflexões sobre o processo de inclusão do nosso contexto educacional. In: VITALIANO (org). Formação de professores para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. Londrina: EDUEL, 2010.

Calomberto Rodrigues do Prado

Campo Grande - MS

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