Rascunho criado em Friday, 12 de June de 2020 – 00:00:00

Tema: A importância arte.

 

Durante a vida escolar da criança ela vivencia saberes de diversas áreas do conhecimento, uma dessas vertentes envolve o ensino das artes que por sua vez possui papel importante no desenvolvimento do educando. O contato com essa linguagem propicia um olhar diferenciado, um olhar afetuoso, empático e criativo onde nascem possibilidades de se mostrar e ver o mundo.

 

…porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver, eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar para os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. […] Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”. (ALVES, 2005, p. 25).

 

Podemos dizer que o contato com a arte forma um ser humano não somente para a vida escolar, mas também para o mundo, a sensibilidade adquirida é capaz de abrir caminhos por onde se pode andar e expressar o que há na profundida do seu interior, crianças são capazes de produzir arte de maneira espontânea e única como podemos observar no poema abaixo:

 

 

“No aeroporto o menino perguntou :

– E se o avião tropicar num passarinho?

 O pai ficou torto e não respondeu.

 O menino perguntou de novo:

 – E se o avião tropicar num passarinho triste?

 A mãe teve ternuras e pensou:

Será que os absurdos não são as maiores virtudes da poesia?

 Será que os despropósitos não são mais carregados de poesia do que o bom senso?

Ao sair do sufoco o pai refletiu:

Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças.

 E ficou sendo”. (Manoel de Barros, 1999, p. 7).

 

 

A arte está presente nas mais diversas representações da vida humana, acreditamos que o fazer artístico não está somente ligado a educação escolar e sim a algo que vem de dentro de cada ser, da essência humana. Produzir poesias, poemas, textos, desenhos, pinturas, artesanatos e outras infinidades de arte é uma habilidade própria de cada ser, já a forma com a qual ela se mostra podemos aprimora-la ou ainda aprendê-la.

Eu encaro o meu processo artístico como um projeto de pesquisa. Atualmente, os artistas têm liberdade para pesquisar coisas das quais não têm nenhum conhecimento. É isso o que estou fazendo. E percebo que essa forma de trabalhar – testando coisas, fazendo experiências – está aperfeiçoando meu trabalho, quer eu faça exposições ou não. (apud HOLM, 2004, p. 83)

 

Entender a arte é olhar para o novo como algo positivo, algo a ser descoberto, imaginando as possibilidades de transformações e inovações. Produzimos arte a todo momento, com todas as partes do nosso corpo físico e mental. O mundo nos oferece uma infinidade de informações que podemos utilizar afim de demonstrar nossa cultura artística e na educação infantil não é diferente, apenas precisamos mostrar alguns caminhos para que as crianças possam escolher o que mais lhe agrada.

 

Ampliar o repertório das imagens e objetos também implica abastecer as crianças de outros elementos produzidos em outros contextos e épocas, como, por exemplo, as imagens da história da arte, fotografias e vídeos, objetos artesanais produzidos por culturas diversas, brinquedos, adereços, vestimentas, utensílios domésticos, etc. (CUNHA, 1999, p. 14).

 

O ambiente escolar é permeado de decorações lúdicas, cores, texturas, pinturas, cartazes e uma outra infinidade de expressões artísticas onde é possível contemplar as produções da turma, observar as obras de arte e suas particularidades, tudo isso faz com que as crianças agucem sua imaginação e criatividade. Porém em contra partida o professor deve ter a sensibilidade de adaptar os conteúdos a cada faixa etária apropriada, bem como possuir o domínio dos saberes apresentado é o que nos diz Redin (2000, p. 15).

 

 

O profissional da Educação Infantil deverá ter preparo especial, porque para a infância se exige o melhor do que dispomos. Mesmo porque, na relação pedagógica, não basta estar presente para ser um bom companheiro. Deverá ter um domínio dos conhecimentos científicos básicos, tanto quanto conhecimentos necessários para o trabalho com a criança pequena […] Precisa ainda ter sob seu controle seu próprio desenvolvimento, bem como estar em constante processo de construção de seus próprios conhecimentos. Ter elaborado maduramente, a questão de seus valores, cultura classe social, história de vida, etnia, religião

 

O desenho na educação infantil é uma das formas de fazer artístico mais expressivo, através dele podemos observar que as crianças reproduzem situações cotidianas, traumas, emoções, lembranças agradáveis e desejos. É importante respeitar as produções infantis e ter um olhar positivo em relação a elas, avaliar o processo e não somente o produto final. Afim de que suas evoluções sejam percebidas e estimuladas.

 

A criança enquanto desenha canta, dança, conta histórias, teatraliza, imagina ou até silencia… O ato de desenhar impulsiona outras manifestações, 11 que acontecem juntas, numa unidade indissolúvel, possibilitando uma grande caminhada pelo quintal do imaginário. (DERDYK, 1989, p.19).

 

Enfim, precisamos refletir sobre a linguagem das artes e suas especificidades para que possamos ser agentes formadores de consciências artísticas que olham o mundo através de uma ótica de amor, criação e beleza, que produzem cultura e despertam o próximo para o infinito criativo que o cerca.

 

 

 

 

 

 

Referência bibliográfica

 

 

ALVES, R. A educação dos sentidos e mais. Campinas: Verus Editora, 2005. Disponívelem:https://www.cursosavante.com.br/cursos/curso218/conteudo9252.pdf Acesso em 20 de junho de 2020.

 

Disponível em https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/320/1/01d14t01.pdf Acesso em 20 de junho de 2020.

 

CUNHA, S. R. V. Pintando, bordando, rasgando, desenhando e melecando na educação infantil. In: CUNHA, S. R. V. da (Org.). Cor, som e movimento. Porto Alegre: Mediação, 1999. p. 736.Disponívelemhttps://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/320/1/01d14t01.pdf Acesso em 20 de junho de 2020.

 

REDIN, Euclides. O Espaço e o tempo da criança: se der tempo a gente brinca. 3a ed, Porto Alegre: Mediação, 2000. Disponível em:  https://cursosavante.com.br/cursos/pdf/1062-4199.pdf Acesso em 20 de junho de 2020.

DERDYK, E. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil. São Paulo: Scipione, 1989. Disponívelemhttps://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/320/1/01d14t01.pdf Acesso em 20 de junho de 2020.