RISCOS OCUPACIONAIS ERGONÔMICOS NO PROCESSO DO TRABALHO DO PROFISSIONAL ENFERMEIRO

 

Monografia a ser apresentado à Disciplina de Metodologia da Pesquisa do curso de pós- graduação em Programa Saúde da Familia com Ênfase Saúde do Trabalhador do Programa Saúde da Família,.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, que sempre manteve nossos caminhos abertos ao conhecimento e a busca da melhora da nossa prática profissional.

DEDICATÓRIA

Dedico essa monografia aos familiares e amigos que compreendem nossa ausência nos finais de semana dedicados à melhora da nossa formação acadêmica.

RESUMO

Este estudo tem como objetivo central os riscos ocupacionais ergonômicos no trabalho do profissional enfermeiro, tendo como foco os principais riscos ergonômicos que podem provocar alterações de saúde nos trabalhadores de enfermagem. Trata-se de um estudo de revisão de literatura, que consiste em um levantamento bibliográfico nas bases de dados LILACS, MEDLINE e literários sobre a temática: os riscos ocupacionais ergonômicos no processo de trabalho do profissional enfermeiro, tendo como objetivo analisar as alterações e condições ergonômicas de trabalho do profissional de enfermagem ao qual estão expostos no desenvolver de suas atividades.

Constatou-se que o processo de trabalho de enfermagem é desenvolvido por heterogêneas categorias profissionais, ao enfermeiro cabem as atividades intelectuais de gerenciamento do serviço e de execução e procedimentos mais complexos. Em essência, as diretrizes seguidas nas pesquisas sob a ótica da ergonomia, segundo SLUCHAK (1992) são: determinar os problemas relacionados com a ergonomia nos locais de trabalho, identificar a natureza e localização desses problemas e implantar medidas para reduzir ou eliminá-los.

As condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado nos locais de trabalho onde são executadas atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como: salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, dentre outros.

Na Norma Regulamentadora 17 diz que, nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte:

  1. a) todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie deve levar em consideração as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores;
  2. b) devem ser incluídas pausas para descanso;
  3. c) quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção deverá permitir um retorno gradativo aos níveis de produção vigentes na época anterior ao afastamento.

Logo, este trabalho tem sua construção com o intuito de abordar os riscos ergonômicos do profissional enfermeiro.

ABSTRACT

This study was aimed at the occupational risks in the workplace ergonomic professional nurses, focusing on the main ergonomic risks that can cause health alterations in nursing workers. This is a literature review study, consisting of a bibliographical survey in the databases LILACS, MEDLINE and literary on the theme: ergonomic occupational hazards in the working process of the professional nurse, and to analyze the changes and conditions ergonomic of professional nursing work to which they are exposed in the development of its activities.

It was found that the nursing work process is developed by heterogeneous professions, nurses fit the intellectual activities of service management and enforcement and more complex procedures. In essence, the guidelines followed in the polls from the standpoint of ergonomics, according SLUCHAK (1992) are: to determine the problems related to ergonomics in the workplace, identify the nature and location of these problems and implement measures to reduce or eliminate them.

The environmental conditions of work must suit the psychophysiological characteristics of workers and the nature of the work to be performed in workplaces where activities are performed that require constant attention and intellectual request, such as control rooms, laboratories, offices, rooms development or project analysis, among others.

In Norm 17 says that in activities that require static muscular overload or neck dynamic, shoulders, back and arms and legs, and from the ergonomic work analysis, it should be noted the following:

  1. a) any performance evaluation system for compensation purposes and advantages of any kind should take into account the effects on the health of workers;
  2. b) should be included rest breaks;
  3. c) upon the return of the work, after any type of removal of not less than fifteen (15) days, the production requirement should allow a gradual return to production levels prevailing at the time before removal.

Therefore, this work has as its construction order to address ergonomic risks of the professional nurse.

 

 

  1. INTRODUÇÃO

A preocupação com as condições de trabalho da enfermagem em hospitais vem atraindo a atenção de muitos pesquisadores devido aos riscos que o ambiente oferece e aos aspectos penosos das atividades peculiares à assistência de enfermagem entre os quais destaca-se o desrespeito aos riscos ocupacionais, aos horários de alimentação, falta de programa de trabalho, longas distâncias percorrias durante a jornada de trabalho, dimensão inadequada de mobiliários e a inexistência, insuficiência ou inadequação de matérias.

O ambiente hospitalar apresenta riscos decorrentes de fatores físicos, químicos, psicossociais e ergonômicos, os quais podem ser prejudiciais à saúde dos trabalhadores e por isso, devem ser analisados para que se possa caracterizar as condições de trabalho em cada instituição.

As condições de trabalho e os riscos ocupacionais podem ser analisados através de diferentes abordagens, dentre elas a ergonômica. Para a ergonomia as condições de trabalho são representadas por um conjunto de fatores interdependente, que atuam direta ou indiretamente na qualidade de vida das pessoas e nos resultados do próprio trabalho do homem, da atividade e do ambiente de trabalho ao qual o componente da situação de trabalho fazem parte.

O homem ou trabalhador apresenta diferenças individuais, tais como estatura, peso, compleição física, resistência à fadiga, capacidade auditiva e visual, memória, habilidade motora, personalidade que devem ser considerada por atingir diferenças significativas (IIDA, 1990).

Além das características individuais as diferenças de formação profissional também leva o trabalhador a enfrentar de forma diferente seu trabalho. Segundo SANTOS et al. (1991), a formação profissional leva o individuo a enfrentar a situação de trabalho de maneira diferente, pois a especialidade ajuda a reduzir a carga mental e diminui a possibilidade de erro.

De maneira geral, a ergonomia é apresentada através das modalidades de concepção que está relacionada ao estudo ergonômico de instrumentos e ambiente de trabalho antes de sua construção, de correção que procura melhorar as condições de trabalho já existentes e a de conscientização que se preocupa em conscientizar os trabalhadores através de treinamento, reciclagens para trabalharem de forma segura reconhecendo os fatores de riscos que podem surgir a qualquer momento no ambiente de trabalho (IIDA, 1990).

Logo, os riscos do ambiente de trabalho são classificados em real, que quer dizer de responsabilidade do empregador, suposto quando se supõe que o trabalhador conhece as causas que o favoreceu e o residual que da responsabilidade ao trabalhador.

WISNER (1987), enfatiza que é preciso modificar a visão de que o trabalhador adota má postura porque ele não esta enxergando bem, ou não regula seu assento adequadamente, mas sim, que, na verdade, o trabalhador está se esforçando para responder às exigências das tarefas e das condições de inadequação na estrutura dimensional do posto de trabalho, mobiliário, e iluminação, frente às suas características antropométricas.

A má postura é considerada quando existe falta de relacionamento entre as várias partes corporais, o que induz ao aumento das estruturas de suporte, levando ao desequilíbrio do corpo em suas bases de sustentação. A má postura leva à doença associada a problemas musculares e emocionais (KNOPLICH, 1989).

Desta forma os acidentes de trabalho em nosso país deve ser comunicado imediatamente após sua ocorrência, por meio da emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), que deve ser encaminhada à Previdência Social, ao acidentado, ao sindicato da categoria correspondente, ao hospital, ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Ministério do Trabalho.

 

  1. DESENVOLVIMENTO

Os trabalhadores de enfermagem, durante a assistência ao paciente, estão expostos a inúmeros riscos ocupacionais causados por fatores químicos, físicos, mecânicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais, que podem ocasionar doenças ocupacionais e acidentes de trabalho.

O contingente de trabalhadores de enfermagem, particularmente o que está inserido no contexto hospitalar, permanece 24 horas junto ao paciente, em sua grande maioria executa o “cuidar” dentro da perspectiva do “fazer” e, consequentemente, expõe-se a vários riscos, podendo adquirir doenças ocupacionais e do trabalho, além de lesões em decorrência dos acidentes de trabalho.

Os riscos químicos referem-se ao manuseio de gases e vapores anestésicos, antissépticos e esterelizantes, drogas citostáticas, entre outros. A exposição aos riscos químicos está relacionada com área de atuação do trabalhador, com o tipo de produto químico e tempo de contato, além da concentração do produto. Isso pode ocasionar sensibilização alérgica aumento da atividade mutagênica e até esterilidade.

Os riscos físicos referem-se à temperatura ambiente, que nas áreas de esterilização é alta e no centro cirúrgico é baixa, radiação ionizante, ruídos e iluminação em níveis inadequados e exposição do trabalhador a incêndios e choques elétricos.

Dentre os riscos psicossociais, está à sobrecarga advinda do contato com o sofrimento de paciente, com a dor e a morte, o trabalho noturno, rodizio de turno, ritmo de trabalho, realização de tarefas múltiplas, fragmentadas e repetitivas, o que pode levar à depressão, insônia, suicídio, tabagismo, consumo de álcool e drogas e fadiga mental. Dentre os riscos mecânicos, estão às lesões causadas pela manipulação de objetos cortantes e penetrantes e as quedas.

Quanto aos riscos biológicos, eles se referem ao contato do trabalhador com microrganismos sendo eles principalmente os vírus e bactérias que podem esta presente em matérias infectados levando-os a desenvolver doenças como: tuberculose, hepatite, rubéola, herpes, escabiose e até mesmo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS.

O frequente levantamento de peso para movimentação e transporte de paciente e equipamento, a postura inadequada e flexões de coluna vertebral em atividade de organização e assistência podem causar problemas de saúde do trabalhador, tais como fraturas, lombalgias e varizes. Estes fatores casuais estão relacionados a agentes ergonômicos. Os fatores ergonômicos são aqueles que incidem na adaptação entre o trabalhador versos trabalho. São eles o desenho dos equipamentos, do posto de trabalho, a maneira como a atividade laboral é executada, a comunicação e o meio ambiente.

Apesar de legalmente ser obrigatório à emissão da CAT, observa-se, na prática, a subnotificação dos acidentes de trabalho. O sistema de informação utilizado apresenta falhas devido à concepção fragmentada das relações de saúde e trabalho, marcada por uma divisão e alienação das tarefas dos profissionais responsáveis pelo registro da CAT, os quais privilegiam o cumprimento de normas burocráticas, mas não o envolvimento profissional com a questão acidentária.

As causas da subnotificação de acidentes de trabalho, na visão de trabalhadores de enfermagem, foram atribuídas à falta de importância dada às pequenas lesões, tal como picadas de agulhas, e o desconhecimento sobre a importância da emissão da CAT.

Diante da frequente ocorrência de acidentes do trabalho observada em nossa atuação profissional, e por acreditar que trabalhador de enfermagem deve se preocupar com a implementação de práticas que lhe ofereçam condições seguras para o desempenho de suas atividades laborais.

 

2.1 DEFINIÇÕES DE TRABALHO

A palavra trabalho designa a operação de transformação da matéria em objeto de cultura pelo homem. Na maioria das línguas de cultura europeia, trabalhar possui mais de um significado, embora, em sua grande maioria, se acentue os conteúdos de esforços e cansaços (CARVALHO, 2001).

Durante a execução das atividades inúmeras informações devem ser retidas e o nível de atenção exigido é alto, pois o trabalhador deve avaliar, constantemente, o estado biopsiquicosocial do paciente, a fim de intervir e executar suas atividades de maneira adequada e no momento oportuno, sofrendo interferência do modo de organização do serviço, onde existem horários e normas a serem respeitadas.

O trabalho pode vir a ser constituir num elemento fundamental para a analise do ser humano e sua relação com o mundo material e com sua vida psíquica (SLUHAK, 1992). Portanto, o trabalho constitui-se num meio pelo qual o individuo procura, através do processo de buscar prazer e evitar o sofrimento relacionar-se com o meio externo (CARVALHO, 2001).

Em relação aos aspectos técnicos das atividades efetivamente realizadas, podemos constatar que o pessoal de enfermagem executa um grande número de atividades durante a prestação da assistência.

O preparo do profissional ajuda a reduzir a carga mental do trabalho de enfermagem e diminui a possibilidade de erro (SANTOS et al., 1991).

Segundo os dispositivos legais contidos na Norma Regulamentadora – 17 (BRASIL, 1994), as condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho executado.

O hospital é o local de trabalho dos membros da equipe de enfermagem que, frequentemente permanecem a maior parte de sua vida produtiva dentro desse ambiente, muitas vezes em mais de um turno de trabalho, devido aos baixos salários. Essa instituição, na qual se tenta salvar vidas e recuperar a saúde perdida das pessoas enfermas é a mesma que favorece o adoecer das pessoas que nela trabalha, porque, aparentemente, não há preocupação com a proteção, promoção e manutenção da saúde de seus empregados.

O trabalho assistencial de enfermagem requer e expressa alguma forma de autonomia dos agentes, cujo espectro varia a depender da categoria profissional. A utilização do conceito de autonomia técnica na analise desse trabalho, procede à medida que nas intervenções de enfermagem nada é totalmente definitivo antes da execução, isto é, não é possível nem desejável definir a ação por completo antes da execução, pois há que se tomar em consideração o sujeito a quem se destina a intervenção (SCHRAIBER; PEDUZZI, 1993).

O trabalho pode ser caracterizado como um processo de transformação que ocorre porque o homem tem necessidades que precisam ser satisfeitas, no presente caso especificamente necessidades de saúde. Outra característica central do trabalho a ser lembrada é sua intencionalidade, isto é, o trabalho depende de uma construção prévia, de um projeto que o homem traz em mente desde o inicio do processo (MENDES-GONÇALVES, 1992).

Todo trabalho é gerador de fatores desgastantes e potencializadores, que são determinantes dos processos saúde-doença vivenciados pelos trabalhadores e da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT).

A saúde é concebida como um processo, com caráter histórico e social, cuja natureza se encontra no modo de adoecer e morrer, caracterizando determinados grupos sociais.

Nesse referencial, o conceito do processo saúde-doença é a resposta produzida nos diferentes grupos sociais pela exposição aos riscos.

A preocupação com a saúde do trabalhador de enfermagem fez-se presente desde 1700, onde se questionou a contaminação das parteiras, possíveis precursoras dos profissionais de enfermagem, durante a realização de seu trabalho e consolidou-se após o reconhecimento das ações de riscos, através do uso dos equipamentos de proteção individual (EPI’s) e da relação dos agentes patogênicos com sua atividade profissional.

No ambiente hospitalar há multiplicidade de riscos aos trabalhadores de enfermagem, sendo que, basicamente, parecem existir os: biológicos, físicos, químicos, psicossociais e ergonômicos. Os primeiros são os responsáveis por infecções agudas e crônicas, ocasionalmente por vírus, fungos e bactérias. Os físicos são aqueles causados pelas radiações, vibrações, ruídos, temperatura ambiental, iluminação e eletricidade. Os riscos químicos são os gerados pelo manuseio de uma variedade grande de substancia química e também pela administração de medicamentos que podem provocar desde simples alergias até importantes neoplasias. Os riscos psicossociais são desencadeados pelo contato com o sofrimento do paciente (estresse, fadiga mental, etc.). E os ergonômicos são gerados principalmente pela postura irregular dos profissionais de enfermagem em situações como movimentação de pacientes, flexões de coluna frequentes, entre outros.

 

2.2 A EVOLUÇÃO DA ENFERMAGEM MODERNA NO ÂMBITO DO TRABALHO

A enfermagem moderna, preconizada por Florence, representava sua concepção de enfermagem como uma educação aristocrática exercendo uma grande influencia na organização da nova escola. Esta instituição admitia dois tipos de estudantes, de acordo com sua classe social: as nurses, oriundas de uma classe socioeconômica inferior, cujo ensino era gratuito (porém condicionada a uma retribuição ao hospital de um ano de trabalho não remunerado, após a conclusão do curso), para exercerem o cuidado direto aos pacientes, ou seja, o trabalho manual; as “ladies – nurses”, provenientes de uma classe socioeconômica mas elevadas, que pagavam seus estudos, preparadas para o exercício do ensino e da supervisão das nurses. Institucionalizava-se, na hierarquia da enfermagem, a divisão do trabalho era intelectual e manual.

A Lei do Exercício Profissional da Enfermagem, no Brasil, ao estabelecer as competências das diversas categorias ao nível de formação pessoal de enfermagem, reproduz e legitima a divisão técnica do trabalho, no interior da profissão. Ao enfermeiro é legalmente permitido o exercício de todas as ações de enfermagem sendo-lhe facultadas algumas ações privativas, porém, geralmente, faltam-lhe condições, nas diferentes instituições de saúde, para poder exercê-las. Cabendo ao enfermeiro o desempenho de atividades administrativas e de ensino, ou seja, atividades que, no modelo nightingaleano, eram de competência das “ladies – nurses”.

Por outro lado, a enfermagem moderna, desde sua concepção e institucionalização, já adotava a divisão técnica do trabalho, com base na divisão social do trabalho, apresentando, desde sua origem, um caráter fragmentário, fundamentado na diferenciação de saberes e práticas. Tais fatores deram um caráter hierárquico à profissão, além de coletivo.

O trabalhador da enfermagem, em decorrência da natureza de seu trabalho, corre risco de sofrer danos físicos, oriundos de agentes biológicos, químicos, físicos e mecânicos. Dentre os agentes biológicos, podemos relacionar aquelas relativas ao contato com doenças infecciosas, infecto-contagiosas e com o material contaminado por microrganismo patogênicos; dentre os agentes químicos, podemos citar aqueles provenientes da manipulação de substâncias utilizadas no processo de desinfecção e esterilização de materiais e no tratamento medicamentoso de pacientes; dentre os agentes físicos, danos decorrentes da temperatura ambiental, como as altas temperaturas do centro de material causadas pelas autoclaves e ventilação inadequada, radiação ionizantes e não ionizantes, matérias elétricos associados ao uso de gases inflamáveis, com risco de explosão e incêndio, etc.: e dentre os agentes mecânicos danos relativos à longa permanência em pé, da sobrecarga de peso na movimentação de pacientes no leito e no seu transporte (varizes, hérnia, fraturas, torções, contusões, lombalgias, quedas, etc.) e de lesões causadas pela manipulação de objetos cortantes (SILVA, 1996).

As tarefas prescritas aos enfermeiros são condizentes às legalmente prescritas na Lei n 7.498/89 que dispõe sobre o exercício profissional da enfermagem no país (BRASIL, 1986).

Os trabalhadores da enfermagem, em decorrência da natureza predominantemente subjetiva das ações que desenvolvem, necessitam certo grau de qualificação detendo, ainda, controle significativo sobre seu processo de trabalho. Graças a sua detenção do controle sobre o seu “saber-fazer” e a impossibilidade, pelo menos a curto e médio prazo de incorporação à máquina desses conhecimentos e habilidades, os trabalhadores da enfermagem mantém certa autonomia que será preservada enquanto o controle do capital sobre o trabalho se mantiver num nível que possibilite espaço para o exercício da subjetividade.

Uma característica evidenciada sobre o trabalho prescrito para o enfermeiro é que, assim como os demais enfermeiros brasileiros, segundo autores como ALMEIDA & ROCHA (1986), durante a sua formação acadêmica, ele é preparado para a prestação de atividades predominantemente da área assistencial, mas quando é inserido no mercado de trabalho as instituições lhes atribui tarefas, basicamente, de gerenciamento, delegando aos técnicos, auxiliares e atendentes de enfermagem a prestação de cuidados diretos.

Segundo MATOS (1994), a comunicação e o relacionamento que se estabelecem entre o enfermeiro e os demais membros da equipe de enfermagem e de saúde, têm influencia direta no desenvolvimento das atividades, podendo favorecer ou dificultar o desenvolvimento do serviço. Ressalta que o enfermeiro assumi seu papel de gerente e coordenador da assistência de enfermagem ele deve estabelecer comunicação eficaz com seus diferentes interlocutores.

Outros aspectos a ser observado na execução das atividades, pelo enfermeiro, segundo MATOS (1994), é o deslocamento efetuado para a realização das atividades. Para assumir seu papel de gerente da assistência, ele precisa buscar informações em locais diferentes, com isso efetua muitos deslocamentos, que dependem das estratégias utilizadas para o desenvolvimento da atividade. Da disposição arquitetônica da unidade e do tipo de cooperação que se estabelece entre os membros da equipe. Tais deslocamentos podem interferir, significativamente, na carga cognitiva e física do trabalho realizado.

As atividades administrativas realizadas pelo enfermeiro têm grande respectividade em termos mentais, em razão das inúmeras informações usadas e da responsabilidade pelos acontecimentos em várias unidades nas quais estão envolvidos pacientes, trabalhadores, equipamentos e matérias é onde situações imprevistas podem ocorrer a todo instante, conduzindo a alterações inesperadas no plano do trabalho traçado.

O Ministério do Trabalho (2008), com o uso da Norma Regulamentadora 9, que fala dos riscos ambientais, diz que o risco ergonômico são esforços físicos, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura inadequada, controle rígido de produtividade, imposição de ritmo excessivo do trabalho em turno noturno.

Logo o trabalho hoje constitui uma das práticas mais importantes da vida do ser humano, porque é dessa atividade que o homem tira os elementos para a sua própria subsistência familiar. Entretanto o enfermeiro não deve trabalhar apenas pelo salário que recebe, mas também pela satisfação pessoal que deve sentir na sua realização e pelos resultados que colhe  através do seu próprio esforço.

 

2.3 O TRABALHO DA ENFERMAGEM E O RISCO ERGONÔMICO

A enfermagem constitui a maior representatividade de pessoal dentro do hospital e sua primordial atividade caracteriza-se na promoção da saúde a um número elevado de pessoas.

No desempenho dessas atividades, entretanto, impõem-se rotinas, elevadas cargas horária semanal e procedimentos executados com reduzido quadro de profissionais para cumprir essas funções e as doenças do trabalho começam a aparecer. São doenças impostas por essa sobre carga: problemas de coluna, estresses, fadiga, hipertensão, etc., tais riscos ocupacionais podem afetar a QVT.

Neste sentido, as atividades decorrentes do trabalho são responsáveis por danos físicos em virtude da falta de conhecimento sobre as medidas preventivas e do uso incorreto de equipamento de proteção.

LANGLET (1990), analisando a execução de todas as atividades executadas pelo pessoal de enfermagem refere que é adotada predominantemente a postura em pé para execução das atividades. Segundo esta autora, a postura inclinada, agachada ou com os braços elevados ultrapassam 10% do tempo de trabalho e aponta que o total de tempo em postura penosa varia entre 16% para enfermeiras e 46% para auxiliares de enfermagem, sendo que quanto maior o número de pacientes necessitados de auto cuidado e troca de roupa de cama mais o trabalhador se curva.

LEE & CHIOU (1995), estudando as posturas de trabalho do pessoal de enfermagem constataram que durante a execução das técnicas de enfermagem adotam 61,3% do tempo a postura em pé, dorso reto, andando com braços flexionados, 43% do tempo a postura em pé, dorso reto, parado com braços e ante braços flexionados, 38, 1% do tempo a postura em pé, parado, dorso inclinado e braço e ante braços flexionados, 21,4% em pé, parado, dorso reto e braços e ante braços flexionados. Constataram ainda que 97,8% manipulam carga menor que 10 kg; 1,7% cargas entre 10 e 50 kg e 0,5% cargas maiores a 50 kg.

Os enfermeiros cuidam de clientes e familiares e às vezes, pelas contingências do cotidiano, esquecem de se preocupar com sua qualidade de vida, em especial com sua saúde.

Neste contexto, destaca-se a dupla jornada de trabalho, vivenciada por grande parte destes profissionais, que de certa forma acaba por fornecer a diminuição do tempo dedicado ao auto-cuidado e ao lazer, potencializando cansaço e favorecendo os riscos ergonômicos.

A saúde ocupacional surgiu em meados do século XVIII com a Revolução Industrial, à medida que os acidentes de trabalho começam a se multiplicar. No Brasil, os problemas ocupacionais tornaram-se motivo de preocupação a partir de 1940, com o surgimento da Associação de Prevenção de Acidentes de Trabalho e, em 1943, foram incluídos na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Dentro desse contexto, a saúde dos trabalhadores hospitalares merece atenção em virtude de estarem expostos a riscos biológicos, químicos, físicos e potencialmente aos riscos ergonômicos.

Segundo NAPOLEÃO et al (1997), os trabalhadores de enfermagem estão expostos a uma série de riscos durante a execução de seu trabalho, quais sejam, físicos químicos, psicossociais, biológicos e até ergonômicos podem lhe ocasionar acidentes e doenças ocupacionais.

O acidente de trabalho é aquele que “ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa” […] ”provocando lesões corporais ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho” (OLIVEIRA, 1996).

O serviço da Educação Continuada precisa operar mais junto aos trabalhadores, a fim de que reconheçam a importância de prevenção de acidentes, bem como da promoção da saúde do trabalhador.

A falta de tempo do trabalhador para notificar o acidente de trabalho foi constatada também por FIGUEIREDO (1992); SILVA (1996); JANSEN (1997) os quais apontam como causa decorrente do ritmo acelerado imposto para a execução das atividades, pressão exercida pela chefia, e da grande responsabilidade assumida pelos trabalhadores no processo de trabalho do profissional de enfermagem.

Esta causa pode também estar relacionada às dificuldades burocráticas geralmente envolvidas no processo de notificação, identificadas como causa frequente de subnotificação de acidentes do trabalho por BENATTI (1997); FIGUEIREDO (1992); JANSEN (1997), e LEME et al. (1994).

BENETTI (1997), constatou índice menor de notificação de acidentes do trabalho entre trabalhadores não concursados, o que também sugere a existência de receio dos trabalhadores em perderem seus empregos. Desta forma deve-se remeter à reflexão acerca dos aspectos éticos e morais envolvidos nas relações de trabalho no  país.

As causas de subnotificação de acidentes do trabalho apontadas pelos trabalhadores de enfermagem evidenciam desinformação em relação aos riscos e aos aspectos epidemiológicos e jurídicos que envolvem este tipo de acidente no ambiente hospitalar, bem como a submissão dos trabalhadores às condições de trabalho impostas pelo empregador, quando exteriorizando a falta de tempo para notificar o acidente e o medo de perder o emprego se o fizer.

 

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

No Brasil, a escassez de dados sistematizados sobre fatores de risco ergonômico não permite conhecer a magnitude global do problema, dificultando, assim, a avaliação das medidas preventivas utilizadas atualmente.

A analise dos resultados sugere que todas as categorias de profissionais de enfermagem estão sujeitas a acidentes, o que faz necessária a realização de estudos aprofundados que detectem as causa mais comuns e as consequências para os profissionais de enfermagem, para possibilitar a elaboração de programas de educação, treinamento dos profissionais, supervisão continua e sistemática e modificações nas rotinas de trabalho, tornando um hábito a prática das precauções de segurança.

O hospital, de maneira em geral, é reconhecido como um ambiente insalubre, penoso e perigoso para os que ali trabalham.  Além dos riscos de acidentes e doenças de ordem física aos quais os trabalhadores hospitalares estão expostos, o sofrimento psíquico é também bastante comum e parece estar em crescimento, diante da alta pressão social e psicológica a que estão submetidos àqueles trabalhadores, tanto na esfera do trabalho quanto fora dela. As difíceis condições de trabalho e de vida podem estar relacionadas com a ocorrência de transtornos mentais como a ansiedade e a depressão, frequentes entre as diferentes classes do profissional de enfermagem.

A prevenção dessas falhas se dá exatamente pelo treinamento adequado da equipe, demonstrando o funcionamento de aparelhos e equipamentos novos, seleção e reciclagem adequada dos funcionários para as diversas funções, informações completas sobre como executar determinadas tarefas, realizações de reuniões periódicas com os funcionários, checagem da compreensão da informação transmitida, acompanhamento de funcionários novos, supervisão dos funcionários, fixação de cartazes com orientações necessárias entre outros.

As medidas profiláticas pós-exposição não são totalmente eficazes, por isso, deve-se enfatizar a necessidade de programar ações educativas permanentes que familiarizem os profissionais de enfermagem com as precauções universais e os conscientizem quanto a empregá-las adequadamente, como medida mais indicada para a redução de risco no ambiente de trabalho.

Os profissionais de enfermagem são expostos ao ambiente de trabalho intensamente insalubre, tanto no sentido material quanto subjetivo e, por estarem submetidas a condições de trabalho preconizadas e à baixa qualidade de vida, são expostas a situação nas quais a manutenção da saúde está prejudicada.

Estes profissionais de enfermagem que atuam em hospitais estão expostas a condições de trabalho precárias que, aliadas às suas condições de vida, potencializam as possibilidades de adoecimento. Se a saúde só é possível a partir da possibilidade real de cuidar de si e de usufruir da qualidade de vida, esse fato parece difícil de ser alcançado por quem trabalha na área da saúde.

O trabalho desempenha uma função importante na vida do homem e preenchem alguns objetivos, tais quais: respeitar a vida e a saúde do trabalhador, priorizando o problema da segurança e da salubridade dos locais de atividade laboral; deixar-lhe tempo livre para o descaso e lazer, destacando-se a questão da duração dessa jornada e de sua coordenação para a melhoria das condições de vida no local da atividade ocupacional; e deve permitir ao trabalhador sua própria realização pessoal, ao mesmo tempo em que presta serviços à comunidade, considerando o problema do tipo de atividade e da organização do trabalho.

Quanto à Saúde do Trabalhador, ela é compreendida como um conjunto de práticas teóricas interdisciplinares – técnicas, sociais, humanas – e interinstitucionais realizadas por diferentes atores situados em espaços sociais distintos e informados por uma mesma perspectiva comum.

 

 

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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NÚBIA OLIVEIRA DO

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