Sala Recursos Multifuncionais

O presente artigo faz uma reflexão sobre um tema de grande relevância que deve ter uma atenção especial, as salas de recursos multifuncionais que são espaços criados para melhor atender as necessidades especiais de cada aluno que está freqüentando o ensino regular.

Conhecer suas características e potencialidades, reconhecer seus limites é central para o desenvolvimento da identidade e para a conquista da autonomia de cada aluno com alguma necessidade especial. A capacidade das crianças em terem confiança em si próprias e o fato de sentirem-se amadas oferecem segurança pessoal e social a cada uma delas. Sendo assim, as salas de recursos multifuncionais surgem com o propósito de uma educação de qualidade, visando atender as necessidades especiais de cada aluno inserido na rede regular de ensino.

O Que São Salas de Recursos Multifuncionais

Salas de recursos: “Serviços de natureza pedagógica, conduzido por professor especializado, que suplementa (no caso do super dotado) e complementa (para os demais) o atendimento educacional realizado em classes comuns… Este serviço realiza-se em escolas, em local dotado de equipamentos e recursos pedagógicos adequados as necessidades educacionais especiais dos alunos, podendo estender-se a alunos de escolas próximas, nas quais ainda não exista atendimento, pode ser realizado individualmente ou em pequenos grupos, para alunos que apresentam necessidades educacionais especiais ou semelhantes, em horário diferente daquele em que freqüentam a classe comum. […] (Brasil, 2001, p. 50)

Em outras palavras, salas de recursos multifuncionais são espaços organizados com equipamentos informáticos, materiais pedagógicos e didáticos, ajudas técnicas, profissionais especializados, tem o objetivo de melhor atender as necessidades especiais de aprendizagem dos alunos no ensino regular.

Desde 2005 a secretária de Educação Especial/MEC, vem apoiando a criação destes espaços para atendimento educacional especializado.

As salas de recursos multifuncionais no Brasil foram criadas nos anos 80, embora segundo Silva (2003) a adoção sala de recursos surge a partir da metade da década de 70, pois marca a institucionalização da Educação Especial no nosso país, junto com a preocupação do sistema educacional público em garantir o acesso e permanência das pessoas com necessidades educativas especiais nas escolas, porem, historicamente as salas de recursos multifuncionais no Brasil surge ano de 1980 como uma alternativa no processo de aprendizagem de pessoas com necessidades especiais.

Muitos têm a ideia de que o trabalho nas salas de recurso é clínico, mas essa ideia é equivocada, o foco do trabalho nestas salas é pedagógico. A função desse espaço consiste exatamente em atender as crianças que estão cursando o ensino regular e possuem alguma necessidade especial, seja ela motora, visual, intelectual, dentre outras.

Esses espaços chamados de salas de recursos multifuncionais fazem parte da ação do MEC, sendo desenvolvida com o estado e com os municípios. São as chamas AEE que significa “Atendimento Educacional Especializado”. Seu principal objetivo é dar suporte e condições necessárias para a aprendizagem dos alunos com necessárias para a aprendizagem dos alunos com necessidades especiais; fazendo com que descubram suas potencialidades e possibilidades educacionais.

As salas de recursos, nas escolas podem sim fazer a diferença na vida de cada criança; através dela é possível criar condições de aprendizagem para se conhecerem, se descobrirem e se ressignificarem novos valores, novos sentimentos, novos caminhos de aprender a aprender na diversidade.

Oliveira, 2003, p. 74 orienta: “Cabe a escola criar condições necessárias para o desenvolvimento do aluno e para superação do seu próprio limite”.

Mas fica sempre uma pergunta, é papel das escolas criarem esses espaços para melhor atender os seus alunos, mas e o professor, qual seria sua atitude diante desse desafio chamado inclusão na prática de sala de recursos multifuncionais?

Professores e Salas de Recursos Multifuncionais

É tarefa dos professores, prepara os alunos para desenvolver aprendizagem nas salas regulares de ensino, mas é quando se deparam com dificuldades de alunos, sejam elas quais forem. O que fazer para ajudar essas crianças desenvolver suas habilidades? O primeiro passo é estar atento ao que acontece com seus alunos, o segundo é buscar ajuda para esses alunos, ou seja, procurar encaminhá-los para o professor de sala de recursos que vai utilizar maneiras e materiais didáticos para facilitar o aprendizado nas salas regulares, se for necessário encaminhar para um profissional da saúde.

Nas salas de recursos esses alunos são atendidos por professores especialistas que estão ali para acompanhar e ajudar no ensino.

Os recursos usados por esses profissionais especialistas são os mais variados possíveis: alunos cegos vão aprender o alfabeto em braile, o surdo em libras, crianças com necessidades intelectuais descobrem como usar pranchetas com figuras de ações simples de como beber água, ir ao banheiro, lavar as mãos, etc.

“Desenvolver essas habilidades é essencial para que as pessoas com necessidades especiais, não se sintam excluídas e as demais as vejam com normalidade” diz Maria Tereza Mantoan, docente da faculdade de educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), uma das pioneiras no estudo da inclusão social no Brasil.

Com isso os professores especialistas, apontam nas salas de recursos metas simples, mas com qualidade para o desenvolvimento das habilidades de cada educando, que cresce como cidadãos iguais nas suas diferenças.

É importante ressaltar, que salas de recursos não podem ser mecanismos de segregação, onde se amontoam crianças com alguma necessidade especial que são matriculadas na rede regular de ensino, e na maior parte são despercebidas pela escola, e até mesmo pelo professor.

Salas de recursos é o lugar que deve propiciar o acesso ao saber de maneira a atender as necessidades de cada aluno, mas, contudo, salas de recursos e professores especializados não podem ser confundidas como sala de reforço e professor de reforço escolar, como acontecia em algumas escolas antes da nova política educacional afinar o público alvo do Atendimento Educacional Especializado (AEE).

“Era comum ver nas antigas salas de recursos, alunos que apresentavam apenas dificuldades de aprendizado. Hoje a lei determina que somente quem tenha necessidades especiais, transtornos ou altas habilidades seja atendido nesses ambientes” afirma Maria Tereza Mantoan.

Cabe ao professor que atende a essas salas, procurar e dar atenção ao essencial, a aprendizagem e adaptação de cada aluno; importante ainda, que o professor de AEE buscar junto com o professor da sala regular quais as dificuldades e necessidades de cada criança.

A comunicação entre esses dois profissionais, precisa ser constante, cabe ao professor da sala regular perceber ou não, que há evolução no processo ensino aprendizagem desses alunos; só assim o professor especialista saberá se é preciso modificar e buscar novas maneiras de aprendizagem dessas crianças.

As salas de recursos multifuncionais, só serão bem sucedidas se tiverem apoio das salas regulares, ambas devem estar conectadas para facilitar o progresso dessas crianças, por isso, é de suma importância que o professor da sala regular passar com antecedência os conteúdos que serão ministrados nas aulas regulares, assim o professor especialista poderá preparar os alunos para acompanhar e aprender o conteúdo da sala regular.

Outro fato importante é que por mais que as escolas estejam buscando novos paradigmas na educação com as salas de recursos multifuncionais e que seus equipamentos sejam fundamentais no processo ensino aprendizagem, será sempre o professor e sua atuação que fará a diferença na vida desses educandos. Nesse sentido o único caminho para os profissionais da educação é a formação.

E cabe aos professores estar buscando sempre novos conhecimentos para melhor atender seus alunos; o tipo de formação vai variar de acordo com o modelo de AEE, adotado pela rede. Na proposta do MEC, o curso dura 400 horas e abordam todas as deficiências, a metodologia é o estudo de caso, em que todos os participantes investigam a melhor conduta para cada aluno, explica Claudia Pereira Dutra, secretária de Educação Especial do MEC.

Com isso a formação continuada de cada professor será sempre o primeiro passo para se ter uma educação inclusiva de verdade. A escola deve fazer a sua parte, ao criar espaços de salas de recursos para melhor atender aqueles que possuem necessidades especiais e o professor deve ser o mediador no processo de aprendizado de cada aluno.

Esta deve ser a proposta que toda escola básica que busca ser inclusiva deverá atingir; a de fazer a diferença na vida daqueles que possuem necessidades especiais, quando as escolas atingirem essa meta, pode-se dizer então que a inclusão está sendo realmente implantada nas escolas brasileiras.

Um Pouco Mais Sobre AEE

AEE “Atendimento Educacional Especializado” é um serviço da Educação Especial que organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade, que eliminem barreiras para a plena participação dos alunos considerando suas necessidades específicas. (SEESP/MEC, 2008)

Esse atendimento tem funções próprias do ensino especial as quais não se destinam a substituir o ensino comum e nem mesmo fazer adaptações aos currículos, as avaliações de desempenho dentre outros.

A organização pedagógica do AEE consiste em:

  • Estudo de caso;
  • Planejamento;
  • Cronograma de atendimento;
  • Atendimento no turno inverso;
  • Elaboração de recursos pedagógicos;
  • Acessibilidade;
  • Interlocução entre professor de AEE e professor da sala comum;
  • Registros, relatórios, portifólios, fichas e etc.;

Não podemos esquecer que todos os profissionais envolvidos no processo ensino aprendizagem do aluno, têm um único propósito, o desenvolvimento intelectual e autonomia de cada criança com necessidade especial. Tem a responsabilidade compartilhada para melhor atender as necessidades das crianças.

Enxergar e acreditar na criança, assim como em qualquer circunstancia, é um primeiro passo para compreendê-la, respeitá-la e auxiliá-la no processo de desenvolvimento, pois “a criança não sabe senão viver sua infância. conhecê-la pertence ao adulto”. Wallon, 1941, p.11.

Portanto, a premissa do atendimento educacional especializado é a colaboração e articulação. São fatores fundamentais para que os professores trabalhem em conjunto, pois o aluno é um ser único e indivisível.

Considerações Finais

Acredita-se que através das salas de recursos multifuncionais, as crianças com necessidades especiais, podem superar suas dificuldades e aprender o que para muitos seria impossível.

O ingresso das crianças com necessidades especiais, numa escola regular que se preocupa com a inclusão social, pode alargar o universo desses alunos, pois vão conviver com outras crianças, vão aprender que podem ir além do que muitos acreditam.

Mas isso só irá acontecer se as instituições escolares se prepararem para o novo; e o professor também buscar novas formações para melhor atender as necessidades de seus alunos, pois em qualquer circunstancias existe possibilidades infinitas de aprendizagem, quando a escola e professores estão preparados para as diversidades existentes na educação.

Fica um desafio para a escola, professores e aluno em fazer da sala de recursos multifuncionais uma ferramenta essencial na vida daqueles que possuem alguma dificuldade, fazendo que superem barreiras e sejam inseridos de forma inclusiva na rede regular de ensino.

A inclusão é sim um sonho possível! A escola prepara o futuro, e de certo que as crianças aprendam a valorizar e a conviver com as diferenças e certamente serão adultos bem melhores do que nós temos que  nos empenhar cada vez mais para viver a inclusão social.

E assim sendo, o reconhecimento entre recursos / ensino regular só fortalece o trabalho pedagógico.

Referências

BRASIL. Diretrizes Nacionais para educação especial na educação básica. Resolução 02/2001. Brasília. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação, 2001, p.50.

MANTOAN, Maria Tereza Eglér, Prieto Rosangela Gavioli. Igualdade e diferenças na escola. Como andar no fio da navalha. In: Avantes Valéria Amorim (org.). Inclusão Escolar: pontos e contrapontos: São Paulo: Summus, 2006.

MANTOAN, Maria Tereza Eglér. Caminhos pedagógicos da inclusão. São Paulo, Memmon Edições Científicas, 2001. MEC. Site: http://portal.mec.gov.br

OLIVEIRA, A. A. S. Estratégias para o ensino inclusivo na área da deficiência intelectual. 2009, p. 74.

SILVA, F. C. T. Os Serviços de Educação Especial: Estudo Comparado das Salas de Recursos (Brasil). 2003. Tese Doutorado em Ciências da Educação. Universidade Federal Mato Grosso do Sul, 2003.

UNESCO. 2005. Orientações para inclusão. Garantindo o acesso à Educação para todos. Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura. Paris.

WALLON, H, A evolução psicológica da criança. Rio de Janeiro: Andes 1941, p.11.

SEESP. Secretaria da Educação Especial. Ministério da Educação. Manual de orientação: programa de implantação de sala de recursos multifuncionais. 2010.

LORETA CARMURATI DE CAMPOS

Alfredo Vasconcelos - MG

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *