Um palco de sensibilidades: reflexões sobre a prática de teatro na escola

Ao analisar a abordagem do texto teatral, podemos pensar na dificuldade de separar o que é real ou ficção; visto que, o autor ou dramaturgo lança mão de recursos próprios (trajetória de vida / elementos autobiográficos) para produzir seus personagens e nesse contexto as histórias se confundem.

Nesse limiar entra em cena o papel do espectador do espetáculo teatral: é ele que atua como figura ativa na interpretação e construção de significados, e, a partir de sua própria experiência, reconstrói a história encenada e cria um outro “texto.”

Assim, a prática teatral pode ser pensada como uma estratégia dinâmica e significativa nos processos de ensino-aprendizagem, tendo como foco o aluno das escolas de educação básica. Uma proposta a ser pensada seria o trabalho por meio de projetos teatrais, com o objetivo de desenvolver suas múltiplas habilidades e atuar como uma ferramenta transformadora no contexto escolar.

O que se espera do aluno participante de um projeto teatral é que se desenvolva, como diria Paulo Freire, como um ser pensante, comunicante, transformador e criador; tendo em vista que a escola entra em cena como espaço de criação de sociabilidades e de estímulo a ações transformadoras. Além disso, há que se salientar que a prática da arte teatral insere no cotidiano escolar o despertar de novas potencialidades e habilidades e o interesse pelas atividades curriculares, já que se torna um momento prazeroso de aprendizagem significativa.

Por meio da prática teatral, o aluno amplia sua percepção, imaginação, capacidade criadora, apreensão de novas visões de mundo e perspectiva crítica da realidade. Quanto à função de um projeto teatral, há que se considerar a função eminentemente educativa dessa prática, pois, para além dos conhecimentos presentes no texto, propõe uma relação entre autoconhecimento (liberado pelas emoções da autoexpressão) e a dimensão social, que faz parte do fazer teatral. Ainda segundo Cavassin (2008, p. 41),

O teatro aplicado à educação possui o papel de mobilização de todas as capacidades criadoras e o aprimoramento da relação vital do indivíduo com o mundo contingente; as atividades dramáticas liberam a criatividade e humanizam o indivíduo pois o aluno é capaz de aplicar e integrar o conhecimento adquirido nas demais disciplinas da escola e, principalmente, na vida. Isso significa o desenvolvimento gradativo na área cognitiva e também afetiva do ser humano.

CONCLUSÃO

Espera-se da prática do teatro a educação, a ampliação de horizontes, o desenvolvimento das potencialidades de cada um, o pertencimento ao espaço escolar, e, finalmente, que o espetáculo da aprendizagem faça parte do currículo escolar.

 

REFERÊNCIAS

CARREIRA, André; FERREIRA, Lygia. “Biografias Em Cena”. In: Anais do XIX Seminário de Iniciação Científica. Santa Catarina: UDESC, 2009.

CAVASSIN, J. Perspectiva para o teatro na educação como conhecimento e prática pedagógica. Revista científica FAP, Curitiba, v. 3, p. 39-52, 2008. Disponível em: <http://www.fap.pr.gov.br/arquivos/File/RevistaCientifica3/08_Juliana_Cavassin.pdf>. Acesso em: <18 fev. 2017>.

Francine

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